O vice-presidente da Venezuela, Jorge Rodríguez, desafiou hoje a hierarquia da Igreja Católica em seu país, crítica freqüente do presidente Hugo Chávez, a esclarecer se participou na organização dos protestos opositores que na segunda-feira derivaram em atos de extrema violência e deixaram um morto.

“Queremos fazer uma denúncia, uma intimação à Conferência Episcopal da Venezuela, ao cardeal Jorge Urosa, que expliquem a seu país se sabiam ou não da reunião que ocorreu no domingo passado no Instituto Diocesano de Maracay (a leste de Caracas, ndr), onde esteve o comando criminoso que planejou os violentos protestos que ocorrem ontem”, disse Rodríguez.

O funcionário, em uma entrevista coletiva, insistiu em exigir do cardeal Urosa e demais bispos que digam que “conheciam ou não as convocatórias” feitas aos fiéis para “comparecem às igrejas nas cidades de Alianza e Guacara na segunda-feira”, locais próximos a Caracas onde ocorreram as manifestações que levaram à morte de um trabalhador de 19 anos.

Rodríguez, que também é chefe do comando de campanha eleitoral de Chávez, disse ter testemunhos de pessoas que foram convidadas pelas igrejas católicas a rezar pela paz do país e que “quando se apresentaram nos locais de oração, se encontraram com os líderes dos protestos violentos, que custaram a vida de José Anibal Oliveros”.

Em Bogotá, o vice-presidente da Conferência Episcopal Venezuelana, Roberto Luckert, forte crítico do governo Chávez, disse à rádios colombianas que o presidente venezuelano “tentará ganhar de qualquer jeito” o referendo deste próximo domingo sobre a reforma constitucional.
O bispo acrescentou, no entanto, que Chávez perderá a consulta popular porque “será tão grande a avalanche de votos contra que ficará muito difícil fazer a fraude que sempre faz¿.

O vice-presidente venezuelano anunciou que denunciarão junto ao Conselho Nacional Eleitoral a Conferência Episcopal para que se determine se é um partido político, “pois se assim for, deverá se investigar se está inscrita para convidar à população a votar e se cumpre com os requisitos da lei eleitoral”.

A Conferência Episcopal se pronunciou através de um comunicado oficial na segunda-feira, a seis dias das eleições, contra a reforma da Constituição e qualificou de “moralmente inaceitável e inconveniente para o país”.

Fonte: Ansa