A partir do dia 3 de julho o município do Rio de Janeiro ganhará uma nova cidade, com prefeito, banco, restaurante, igreja e lojas. A Vila do Pan se prepara para abrigar 7,7 mil atletas e membros de delegações durante os Jogos.

Com uma área total de 370 mil metros quadrados construída na Barra da Tijuca, a Vila receberá os representantes dos 42 países que participarão da competição entre 13 e 29 de julho, e só será fechada no dia 21 de agosto, após os Jogos Parapan-Americanos.

Para cuidar de todas as necessidades dos atletas e dos 2.500 funcionários que trabalharão no local, a Vila contará com um prefeito, o general de Divisão da Reserva Paulo Laranjeira.

“Como responsável por tudo que acontecer ou deixar de acontecer na Vila Pan-Americana, não há como afastar-me, são 24 horas por 24 horas”, disse Laranjeira em entrevista à Reuters por email.

Entre os funcionários há pessoas remuneradas do comitê organizador e de empresas terceirizadas, mas também voluntários. Eles serão responsáveis pelo funcionamento dos 17 prédios, com um total de 1.480 apartamentos.

“Em cada bloco de apartamentos existe um Centro Residencial, que funciona 24 horas por dia, para resolver ou encaminhar os problemas apresentados pelas diversas delegações”, explicou Laranjeira, que já comandou uma divisão com 15 mil homens.

Nos apartamentos, os números passam dos milhares: 21.654 lâmpadas incandescentes, 4.772 camas de 2 metros e 3.180 de 2,20 metros, 7.952 travesseiros, 271.080 rolos de papel higiênico, 1.610.280 copos descartáveis, entre outros. Haverá ainda uma lavanderia no subsolo de todos os prédios.

Além disso, a expectativa de produção de lixo entre 3 de julho, quando a Vila abre, e 31 de julho, quando ela fecha para o Pan, é de 196 toneladas. Haverá um programa de coleta seletiva de lixo e os resíduos serão coletados de maneira a envolver ações socioambientais.

“Existe uma Supervisão de Manutenção, também 24 horas por dia, para resolver problemas estruturais e os relacionados com materiais e equipamentos implantados. Essa supervisão é acionada, conforme o caso, pelos Centros Residenciais”, completa Laranjeira.

Cinco religiões e médicos

A Vila será o local em que os atletas passarão a maior parte do tempo quando não estiverem treinando ou jogando. Lá eles contarão com uma academia de ginástica e com uma policlínica médica, que em cada plantão terá dois médicos na emergência, quatro médicos no ambulatório, dois dentistas, um técnico de raio X, um técnico de laboratório e um farmacêutico.

Haverá também um centro ecumênico com capacidade para 48 pessoas e representantes de cinco religiões: catolicismo, espiritismo, islamismo, judaísmo e protestantismo.

“No salão haverá um balcão sem símbolos religiosos. O representante de cada fé levará seus símbolos e os retirará após o culto, que será oficiado em três línguas: português, espanhol e inglês”, explicou o comitê organizador em nota.

Entre as opções de lazer, haverá no térreo de cada um dos 17 prédios uma sala de TV, um espaço com computadores e acesso à Internet e uma piscina.

Quem quiser cuidar dos cabelos ou enviar cartas para o seu país poderá recorrer à Zona Internacional, onde haverá agência de viagens, lojas, lanchonete, banco, agência dos Correios, salão de beleza e salão de jogos, entre outros.

Um dos locais mais importantes, entretanto, será o restaurante. Comandando pelo chef Luiz Incao, do Copacabana Palace, ele terá 6.800 metros quadrados e 2.250 lugares. Com cardápios em braile, português, espanhol e inglês, Incao promete fornecer a todos um toque da culinária brasileira, com pratos como abóbora com carne-seca, frango com quiabo e lombinho à mineira.

Fonte: Reuters