Violência contra crianças e adolescentes
Violência contra crianças e adolescentes

De acordo com dados do relatório Um Rosto Familiar: A Violência na Vida de Crianças e Adolescentes, lançado hoje, 1º de novembro, pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), a cada 7 minutos uma criança ou um adolescente, entre 10 e 19 anos de idade, morre em algum lugar do mundo, vítima de homicídio ou de alguma forma de conflito armado ou violência coletiva.

Na América Latina e no Caribe estão registrados os mais altos índices de homicídios. Em 2015, dos 51,3 mil homicídios de meninas e meninos de 10 a 19 anos – não relacionados a conflitos armados –, mais da metade, 24,5 mil, aconteceram nessa região. “Esses números se mostram desproporcionais considerando que tal conjunto de países abriga pouco menos de 10% da população nessa faixa etária”, diz o Unicef.

O Brasil está na quinta colocação, com 59 casos em coflitos não armados durante um ano, atrás de Venezuela (97), Colômbia (71), El Salvador (66) e Honduras (65).

– Ao todo, a violência vitimou mais de 82 mil meninos e meninas nessa faixa etária e 24,5 mil dessas mortes aconteceram na região da América Latina e do Caribe – declarou a Unicef.

Vários fatores individuais são vinculados a um aumento do risco de homicídio, incluindo a raça.

No Brasil, em 2014, a taxa de homicídios entre adolescentes homens negros foi quase três vezes maior que entre os brancos. Segundo o relatório, entretanto, esses adolescentes tendem a viver em comunidades com níveis mais elevados de homicídio, com desigualdade social e de renda, disponibilidade de armas, presença de tráfico de drogas, uso generalizado de drogas e álcool, falta de oportunidades de emprego e com desorganização e segregação urbana.

A representante do Unicef no Brasil, Florence Bauer, declarou que o índice de homicídios representa um problema muito maior de violência, que é vivenciado desde a primeira infância.

– O relatório nos diz que a maioria dos homicídios contra adolescentes não acontece em países que estão em conflito, como Síria. Precisamos juntar todos os nossos esforços para interromper a violência, começando pelo castigo corporal na primeira infância – defendeu.

A região mais segura do mundo para um adolescente é a Europa Ocidental com 0,4 morte para cada 100 mil.

O documento do Unicef traz uma análise detalhada das mais diversas formas de violência sofridas por crianças e adolescentes em todo o mundo: violência disciplinar e violência doméstica na primeira infância; violência na escola – incluindo bullying; violência sexual; e mortes violentas de crianças e adolescentes.

Segundo o relatório, todas as formas de violência vivenciadas por meninas e meninos, independentemente da natureza ou gravidade do ato, são prejudiciais. “Além da dor e do sofrimento que causa, a violência mina o senso de autoestima das crianças e dos adolescentes e impede seu desenvolvimento. A impunidade dos autores e a exposição prolongada à violência podem fazer com que as vítimas acreditem que a violência é normal. Dessa forma, a violência é velada, dificultando sua prevenção e sua superação”, diz.

Fonte: Agência Brasil e Diário do Estado