Na primeira semana de outubro, aproximadamente 400 casas foram queimadas ou destruídas nos distritos de Boudh e Kandhamal, Estado de Orissa, na Índia.

Na quarta-feira, 1º de outubro, vândalos incendiaram dezenas de casas na região de Raika, no distrito de Kandhamal. A violência chegou ao distrito de Boudh no dia seguinte, atingindo cerca de cem casas, que foram incendiadas em pelo menos nove aldeias. O pior ataque foi contra a vila de Kantamal.

O incêndio das casas continuou até o dia 3 de outubro, com mais de 400 casas queimadas ou destruídas nos distritos de Boudh e Kandhamal.

Até agora, a polícia prendeu cinco pessoas envolvidas no caso do incêndio no distrito de Boudh

O magistrado do distrito, Mihir Chandra Mallik, disse que pessoas não identificadas incendiaram mais de centenas de casas dos dalits (casta mais baixa no sistema indiano), em pelo menos nove aldeias no distrito de Boudh.

“Nós montamos um campo de refugiados em Katamal para fornecer comida e abrigo para as pessoas que perderam suas casas”, disse Mihir.

De acordo com a administração, o motivo para o incêndio foi étnico, pois os tribais de Kandh atacaram as casas de Dalit Pana.

Os líderes da igreja local confirmaram a tragédia. Um deles, que não quis ser identificado, disse: “Primeiramente, o alvo deles era os cristãos. Mas, agora, até mesmo os hindus não estão sendo poupados. Todos os hindus que não se juntaram aos vândalos para atacar os cristãos estão sendo tratados do mesmo modo como os cristãos”.

As casas de dalits, assim como, as casas da comunidade cristã, foram atingidas no distrito de Boudh, ele disse.

Na aldeia de Barakhama, perto de Kandhamal, os cristãos se mudaram para Daringbadi, um local mais seguro. Um pastor disse que Barakhama também foi atingida em dezembro passado. Cerca de 400 casas, que pertenciam aos cristãos, foram queimadas e demolidas.

“O mesmo continua agora”, disse o pastor anônimo. “Os cristãos amam suas casas, mas não é mais seguro viver aqui. O governo tem falhado em nos proteger. Os cristãos em Barakhama decidiram mudar todos para Daringbadi, que é, pelo menos, um local um pouco mais seguro.

Estima-se que cerca de 500 famílias cristãs deixarão a aldeia.

Acusados de estupro são detidos

A polícia confirmou que uma freira foi estuprada dois dias após a morte do líder hindu Saraswati (evento que desencadeou a violência).

Um grupo, cerca de 40 homens, atacou a freira na vila de Nuagaon. A vila servia de abrigo para a freira e para o padre Thomas Chellantharayil, após o ataque contra o centro em que estavam. O grupo teria levado a freira e o padre para um escritório abandonado que pertencia a uma ONG, local onde a freira teve suas roupas arrancadas e sofreu abuso sexual.

Segundo consta, despejaram gás sobre o padre e ele foi agredido por tentar impedir o ataque contra a freira.

A polícia prendeu quatro suspeitos de terem cometido o abuso. Juria Pradhan 52 anos, seu filho Kartik Pradhan, Biren Sashu 35 e Tapas Patnaik foram detidos por terem ligações com o caso da freira de 29 anos, em 25 de agosto. O governo de Orissa montou uma investigação 39 dias após as primeiras reclamações.

O inspetor responsável pela polícia de Baliguda está suspenso por ter ligações com o incidente.

O superintendente da polícia, Praveen Kumar, disse aos repórteres, no começo de outubro, que um relatório médico confirmou que a freira foi estuprada.

O jornal Hindustan Times relatou que, embora o relatório tenha sido preenchido semanas atrás, a polícia obteve o exame médico somente em 1º de outubro, em conseqüência dos relatórios da imprensa e da insistência da Irmã Nirmala, Chefe Superior dos Missionários da Caridade. Ela havia escrito ao Estado, pedindo justiça.

“Um policial disse que a polícia estava ocupada, mantendo a ordem e a lei. Sendo assim, não teriam tempo para investigar o caso”, relatou o diário nacional.

Fonte: Portas Abertas