A religião evangélica foi tratada como uma seita na manchete do “Jornal Nacional” de ontem. Em réplica, quase à mesma hora, o “Jornal da Record” rebateu: o papa está preocupado com a diminuição da Igreja Católica.

As rivais Globo e Record estão aproveitando a visita do papa para reiniciar uma troca de farpas editoriais e religiosas.

O “Jornal Nacional”, assim como fez Bento 16, referiu-se aos evangélicos como membros de uma seita. O tratamento se deu na abertura do telejornal e em uma entrevista da repórter Ilze Scamparini com d. Serafim Fernandes de Araújo. “As seitas hoje não mais preocupam este cardeal emérito de Minas Gerais”, disse a repórter.

Já o “Jornal da Record” ignorou a canonização de frei Galvão ao anunciar as manchetes do dia –no jargão jornalístico, a “escalada”. “No encontro com bispos, papa mostra preocupação com perda de fiéis da Igreja Católica”, manchetou.

Católicos X Evangélicos

A Igreja Universal do Reino de Deus injeta legalmente na rede Record centenas de milhões de reais ao ano, ao comprar espaço na madrugada a preços supostamente acima dos praticados no mercado para aquele horário.

Ou seja, parcela do dinheiro que circula na rede viria do dízimo depositado pelos fiéis da Universal, já que a igreja em tese não gera riqueza.

Todas as manhãs de domingo, há quase 40 anos, a Globo transmite a “Santa Missa”. Trata-se do mais antigo programa da rede –está no ar desde 4 de fevereiro de 1968. A partir de 1971, a pedido do cardeal D. Eugênio Sales, o programa passou a destinar uma parte do tempo para a divulgação de notícias da própria arquidiocese.

Ibope

Ao menos em uma batalha –a da audiência– a Globo já pode comemorar vitória sobre a Record nestes dias de acompanhamento de Bento 16.

A cobertura da vinda do papa ao Brasil aumentou a audiência da emissora carioca em 75% na quarta-feira (9). Ficou com 28 pontos no Ibope entre 16h e 17h20 daquele dia, quando Ratzinger pisava no solo nacional.

Já a Record marcou três na mesma faixa de horário, mas com um acompanhamento bem menor –limitou-se a alguns “flashes” da visita.

Bonner escreve

Após a publicação desta reportagem, o editor-chefe do “Jornal Nacional”, William Bonner, enviou um e-mail à redação da Folha Online.

Nele, Bonner nega que a manchete do “Jornal Nacional” tenha tratado a religião evangélica como uma seita.

“Na realidade, a frase dita por Fátima Bernardes entre as manchetes de abertura do JN foi: ‘O papa critica seitas, pede honestidade a políticos e empresários, defende o celibato dos católicos e ataca o divórcio.”

Em sua reportagem, no entanto, o “Jornal Nacional” trata apenas da religião evangélica, sem citar outras correntes religiosas. A Folha Online tentou falar também com a Record, por e-mail e telefone, sem sucesso.

Fonte: Folha Online