Pároco consegue ajuda de moradores da cidade para recuperar os livros de batistério, que guardam parte da história do município. Há manuscritos datados dos séculos 19 e 20, com dados curiosos.

Poeira e traças não assustaram a professora aposentada Edileusa Vasconcelos Gomes, 65, quando resolveu, como voluntária, fazer um trabalho pioneiro no interior pernambucano: o de restauração do arquivo da Paróquia de São José, na região central de São José do Egito, a 412 quilômetros do Recife.

“O acervo estava se estragando. Precisávamos passar os dados dos livros antigos de batistérios para livros novos”, argumenta o pároco Luiz Marques. Até o Livro de Tombo, datado do século XIX, encontrava-se bastante deteriorado. “A obra é considerada uma preciosidade por conter a história da fundação religiosa da cidade”, ressalta o vigário.

A maioria dos livros, principalmente aqueles do período entre 1927 e 1930, foi escrita a bico de pena com letras desenhadas. “É um trabalho que exige muito cuidado e atenção. Aos poucos vamos identificando as palavras e, o mais curioso, o perfil de famílias tradicionais”, informa Edileusa Gomes.

O trabalho de recuperação dos livros com as certidões de batismo dos egipcienses tem revelado muitos achados. No início do século XIX, os nomes mais usados no batismo de crianças eram Jacinta, Alexandrina, Constância e Maria (da Conceição, do Espírito Santo e do Amor Divino). Grande parte das crianças era batizada assim que nascia, devido à alta mortalidade infantil.

Muitos batizandos tinham como padrinhos Nossa Senhora da Conceição, Padre Cícero, Nossa Senhora de Lourdes e o padre Sebastião, que chegou na cidade em 1922 e passou 52 anos à frente da Paróquia de São José. Outra curiosidade revelada pelas antigas certidões de batismo é a de que o número de batizados da área rural era maior do que da zona urbana. Questão de fé e religiosidade mais acentuada, certamente devido às dificuldades enfrentadas pelo sertanejo do campo.

A restauração do acervo começou com a digitação do conteúdo do Livro de Tombo. “É um trabalho lento, mas muito interessante porque resgata a nossa história”, diz a professora Edileuza Gomes, que desenvolve a ação de voluntariado com a publicitária aposentada Conceição Gomes.

Cerca de 20 livros deverão ser recuperados. O trabalho das voluntárias, acompanhado de perto pelo vigário Luiz Marques, deve levar cerca de um ano.

Fonte: JC Online