O eleitorado evangélico, que teve um papel importante nas recentes eleições americanas, aparecem agora com uma função diferente, porém novamente fundamental na corrida pela Casa Branca. Para analistas, tanto o senador Barack Obama quanto Hillary Clinton têm grandes chances de ganhar os votos deste grupo.

“Acredito que (o voto evangélico) será diferente desta vez. A comunidade evangélica está mais dividida do que era”, disse Allen Hertzke, diretor de estudos religiosos na Universidade de Oklahoma.

Um a cada quatro adultos norte-americanos considera-se evangélico ou cristão renovado, o que concede poder eleitoral ao grupo em um país onde freqüentemente política e religião se misturam.

Todos os candidatos para a corrida presidencial o republicano John McCain e os democratas Barack Obama e Hillary Clinton são cristãos protestantes. Obama teve uma “experiência de conversão” já adulto para a Igreja Unida de Cristo, fato importante aos olhos dos evangélicos. Já Clinton foi criada na Igreja Metodista e o candidato republicano, John McCain cresceu na Igreja Episcopal, mas agora freqüenta uma igreja batista em Phoenix.

Analistas dizem que se Obama for o candidato democrata nomeado ele poderia conseguir influência entre os republicanos por seu discurso franco sobre fé e apelo entre jovens evangélicos.

O pré-candidato John McCain, um prisioneiro de guerra no Vietnã e senador pelo Arizona encara a dificuldade de persuadir os religiosos conservadores céticos dentro de seu próprio partido. O grupo conservador não o considera suficientemente firme em relação a alguns dos principais temas, como pesquisas com células-tronco e casamento gay.

Isso pode diminuir o entusiasmo desta parcela da população em comparecer às urnas no dia da eleição em novembro e votar como fizeram em 2004, quando 78% dos evangélicos brancos que efetivamente votaram escolheram o presidente George W. Bush.

Este problema poderia ser resolvido por Hillary, senadora por Nova Iorque que é objeto de ira em muitos grupos de cristãos conservadores por causa de suas posições liberais e imagem feminista, esta aversão poderia levá-los às urnas por McCain em quantidade muito maior do que em uma possível disputa com Obama.

Pesquisas de opinião mostram que os evangélicos brancos apóiam firmemente os republicanos. Uma pesquisa recente da Pew Research Center mostra McCain com 70% a 25% de liderança sobre Obama e aproximadamente a mesma margem sobre Hillary dentro do mesmo grupo de eleitores.

O problema é que os conservadores cristãos mais radicais do partido republicano estão insatisfeitos com McCain em muitos assuntos, desde seu fracasso em aprovar a emenda constitucional que proíbe o casamento gay até suas críticas, no passado, a líderes do movimento.

Enquanto as pesquisas mostram uma vantagem de quase três para um, o candidato republicano pode descobrir que alguns daqueles que o favoreceram em pesquisas não aparecerão no dia da eleição, em novembro.

O professor de política da Universidade de Drake, em Iowa, Dennis Goldford defende que os evangélicos estão tão ligados aos republicanos que o partido não poderia ganhar as eleições sem seu voto. “Eles (evangélicos) vêm de uma situação na qual é tudo ou nada. Não se comprometem e sabem o que fazer caso o candidato não esteja com eles 100%”, afirma o professor.

Neste caso ainda, Hillary resolveria os problemas de McCain. David Domke, professor de comunicação da Universidade de Washignton afirma: “Se Hillary conseguir a nomeação, os evangélicos conservadores aparecerão para votar em McCain”.

Contudo, os evangélicos brancos que já apóiam os democratas no sul mostram uma firme preferência por Hillary. Pesquisas de boca de urna na primária de 05 de fevereiro mostram que Hillary surpreendentemente ganhou os votos dos democratas evangélicos do Tennessee, com um percentual de 78% contra 12% de Obama.

Jovens evangélicos

Analistas vêem Obama atraindo votos de evangélicos indecisos, especialmente os jovens que o escolheriam por seu ativismo em áreas como a pandemia global de Aids e por sua imagem de estrela do rock.

Allen Hertzke defende que, se Obama for nomeado pelo partido democrata, ele atrairá alguns evangélicos moderados e criará um “fator de geração”. Ele afirmou também que enquanto evangélicos mais jovens tendem a ser conservadores e a se opor ao direito de aborto que Obama defende, eles têm uma série de preocupações como direitos humanitários, pobreza mundial e o meio-ambiente.

O republicano John McCain, 71, seria o mais velho candidato eleito a assumir o cargo de presidente em primeiro mandato, enquanto Obama seria o primeiro presidente negro- – ambos os fatos de larga ressonância.

Obama e McCain têm, cada um, mais um fator especialmente atrativo para os evangélicos: a conversão religiosa quando já adulto de Obama e o fato de McCain ser um herói de guerra.

Mas enquanto Obama está confortável falando sobre sua fé e sua experiência de conversão e dedica toda uma seção de seu site de campanha ao tema, McCain não parece tão tranqüilo ao falar de sua fé.

Em compensação, cristãos patriotas que apreciam como virtude o sacrifício “por Deus e pelo país” estão impressionados pelos feitos de McCain como um aviador naval e prisioneiro de guerra durante a guerra do Vietnã.

McCain tem ainda dois trunfos sobre os democratas: sua posição contrária ao aborto e seu corajoso apoio da Guerra no Iraque, o que muitos cristãos conservadores ainda apóiam firmemente.

Fonte: Folha Online