A agência missionária vaticana “AsiaNews” publicou ontem em seu site as fotos de um monge budista assassinado em Mianmar (antiga Birmânia), tiradas em um necrotério e com claros sinais de ter sido torturado.

A “AsiaNews” afirmou que as fotos, tiradas em segredo em um necrotério birmanês, chegaram do país através de uma mensagem pedindo que fosse publicada.

A mensagem pedia a publicação das duas fotos “para que o mundo soubesse o que está acontecendo” e para denunciar a Junta Militar birmanesa, que governa o país.

“Pensem que muitos outros monges sofreram o mesmo destino”, acrescenta a mensagem que acompanha as fotos, que mostram o corpo cheio de ferimentos e hematomas de um monge budista de cerca de 50 anos.

A agência missionária disse que estas fotos representam “a vergonha” diante da “falsa” tentativa da Junta Militar de se reconciliar com os monges budistas.

Também expressou sua “vergonha” pela opinião pública ocidental, que pensou que “a violência dos militares era só para reprimir algumas manifestações, quando se trata de um sistema que assassina e escraviza uma população de quase 50 milhões de pessoas”.

Indicou a “vergonha” pela “Organização das Nações Unidas e a comunidade internacional, que não encontram instrumentos eficazes para garantir a democracia de um povo que a escolheu há muito tempo”.

Desde que as forças de segurança birmanesas reprimiram a tiros as manifestações pacíficas de setembro, os mosteiros estão sendo vigiados e inspecionados regularmente, e a Polícia restringe a saída dos monges às ruas, segundo diferentes versões de moradores em Yangun.

O regime de Mianmar admite que dez pessoas morreram durante a repressão dos protestos e cerca de 3.000 manifestantes foram detidos, mas fontes da dissidência calculam que o número de mortos se aproxima dos 200 e que os detidos superam amplamente os 6.000.

Fonte: EFE