Uma investigação realizada pela organização de ajuda humanitária Oxfam, com sede em Londres, revelou que US$ 10 bilhões (cerca de R$ 17,3 bilhões) do total de US$ 25 bilhões (R$ 43,2 bilhões) prometidos para o Afeganistão ainda não foram entregues.

O relatório – que foi feito em nome de 94 agências humanitárias presentes no Afeganistão e avaliou a maneira como a ajuda internacional é gasta no país – revelou ainda que dois terços do volume doado não passam pelo governo afegão, e 40% voltam aos países doadores sob a forma de taxas e pagamentos de funcionários.

Segundo a Oxfam, as possibilidades de paz no Afeganistão estão sendo prejudicadas pelo fato de o que foi doado não ter sido efetivamente usado.

Além da disparidade entre o que foi prometido e o que realmente foi entregue, a maneira como o dinheiro é usado também é alvo de críticas no relatório.

Os Estados Unidos são os maiores doadores. No entanto, um funcionário da agência de assistência americana USAid confirmou à reportagem da BBC que desde 2001 a agência gastou apenas dois terços do montante prometido, uma redução de US$ 8,5 bilhões.

Segundo o funcionário, a dificuldade em executar projetos seria motivada pela falta de segurança no Afeganistão.

Esse mesmo funcionário disse que apenas 6% do orçamento total passava pelo governo do Afeganistão, “para garantir aos contribuintes americanos que o uso do dinheiro poderia ser verificado”, o que revela falta de confiança no sistema de governo afegão.

De acordo com a Oxfam, muito dinheiro está sendo gasto em projetos de curto prazo, de maneira a ganhar a simpatia do povo afegão, como parte da estratégia militar de contra-insurgência.

O relatório revelou que, enquanto o Exército americano gasta US$ 100 milhões por dia, o montante de ajuda humanitária, somados todos os doadores, é de US$ 7 milhões por dia desde 2001.

As conclusões do relatório reforçam um sentimento de decepção verificado entre o povo afegão, que tinha grandes expectativas quando o Talebã foi retirado do poder, mas que agora observa a falta de progresso, apesar dos bilhões de dólares prometidos para ajudar o país.

Fonte: BBC Brasil