Meninas copiam os ídolos Jonas Brothers (foto) e adotam o acessório, que marca sua opção pelo sexo só após o casamento. Igreja e pais aplaudem, mas sexóloga adverte: “É só modismo”. A moda do anel da pureza nasceu nos Estados Unidos nos anos 90.

Não deu muito certo com Britney Spears nem com Miley Cyrus, a Hannah Montana. Mas bastou os ‘irmãos bom partido’ Jonas Brothers passarem por aqui para que o voto de castidade, simbolizado pelo anel da pureza, virasse febre entre fãs da banda. Os irmãos Joe, 19 anos, Kevin, 21, e Nick, 16 — que atraíram um batalhão de jovens à Apoteose, ontem —, prometeram: sexo, só depois do casamento. Inspiradas no trio, Natasha, Marianne, Angelica e muitas outras fãs, também. Os pais e a Igreja disseram amém à nova moda.

A estudante Marianne Godoy, 14 anos, já tinha ouvido falar de anel da pureza, mas só começou a usá-lo quando passou a seguir os Jonas Brothers, que usam-no na mão direita. A onda lançada pelo trio também contagiou suas amigas Natasha Novaes, 15, e Angelica Martins, 16. As três fizeram seus votos de castidade até o casamento e não tiram o anel do dedo nem por um decreto.

Qualquer anel vale

Na falta de uma réplica do anel exato usado pelos meninos, vale escolher qualquer modelo. O que importa é a simbologia. “Quem ama espera. Acredito nisso e vou fazer o mesmo. Meu namorado vai ter que esperar”, decretou Angelica. Para reforçar o compromisso, as amigas o repetem para as outras, como um pacto. “Mesmo que os Jonas quebrem a promessa, continuamos com o voto”, prometeu Natasha.

“Estratégia de marketing ou não, esse movimento, se tiver mesmo como objetivo a pureza do amor, pode ser o início de uma grande retomada de valores cristãos”, crê o reitor da PUC, o padre Jesus Hortal. De acordo com ele, essa já foi uma das bandeiras que os jovens cristãos mais defenderam. Mas, nas últimas décadas, ela se foi com a chegada da liberação sexual. “Perdemos esses valores com a revolução sexual, a pílula e a ilusão do chamado sexo seguro. Ver os jovens resgatando isso, incentivados por seus ídolos ou não, me deixa feliz”, festeja o religioso.

Vânia Novaes, mãe de uma das adolescentes que usam o anel, faz coro: “É um sinal de que o amor voltou a ser valorizado. Tomara que esses meninos não sejam só um fenômeno e passem rápido demais”. Os pais de Thainá Nunes, 15 anos, também aplaudiram a ideia. “Uso o anel e fiz voto de castidade não só por causa dos Jonas. Mas com certeza eles ajudaram na minha decisão. Meus pais apoiaram”, revela a jovem fã dos ‘brothers’, que surgiram em musical da Disney e já venderam 8 milhões de CDs.

Já seu namorado, Matheus Felipe, 14 anos, não aprova essa exaltação à castidade. Ele jura que ainda está muito cedo para pensar em sexo, mas confessa que não gostou do voto da namorada. “Vou respeitar a decisão dela. Até porque o amor supera tudo. Mas no fundo, no fundo, seria melhor se não tivesse promessa alguma”, entrega o jovem.

A mestre em Sociologia Vera Filgueiras tranquiliza os namorados. “Tudo não passa de puro modismo. Talvez alguns jovens sigam fiéis, mas a história mostra o contrário. No entanto, tudo o que propõe uma reflexão sobre a vida sexual é salutar, ainda mais na nossa cultura”, analisa ela.

Nos EUA, 88% traíram a promessa

A moda do anel da pureza nasceu nos Estados Unidos nos anos 90, com o programa True Love Waits (Quem ama espera), que prega a abstinência sexual até o casamento. O projeto até hoje percorre escolas e instituições ligadas à juventude. A campanha começou com a Igreja Batista, mas depois foi adotado por diferentes crenças em mais 13 países.

Mas estudo das universidades de Columbia e de Yale, nos EUA, mostrou que a maioria dos jovens americanos que prometeu não fazer sexo antes do casamento desistiu no meio do caminho. Dos 12 mil entrevistados, 88% revelaram ter quebrado a promessa.

Fonte: O Dia