O responsável pelos processos de beatificação no Vaticano disse no início desta semana que está levando adiante o caso relativo ao papa Pio 12, a quem defendeu das acusações de ter silenciado diante do Holocausto.

Alguns críticos acusam o pontificado de Pio 12 (1939-58) de ter sido indiferente ao Holocausto e de não ter se manifestado contra Hitler. Seus defensores o consideram um homem santo, que trabalhou nos bastidores para salvar judeus em toda a Europa.

O cardeal José Saraiva Martins negou que o processo de beatificação tenha sido suspenso devido à polêmica, como sugeriu um jornal no ano passado.

“Não foi abalado, muito menos paralisado”, disse Martins, chefe do Departamento do Vaticano que supervisiona o processo de beatificação.

Ele não especulou sobre prazos, apenas disse que haverá mais pesquisas sobre o papa por ocasião do quinquagésimo aniversário da sua morte.

Em maio, o departamento de beatificações do Vaticano, chefiado pelo cardeal Martins, votou a favor de um decreto que reconhecia as “virtudes heróicas” de Pio 12, o que significa um grande passo adiante no processo iniciado em 1967.

Mas o papa Bento 16 ainda não aprovou o decreto, o que deixa o processo na prática paralisado, impedindo que Pio 12 passe a ser considerado um beato (última etapa antes da canonização).

Martins pediu que não se exagere nas interpretações desse fato. “Algumas pessoas falam em problemas que na realidade não existem, eu acredito. Muitos dizem: ‘Não está avançando porque ele é famoso por seu silêncio em condenar o nazismo, porque ele não condenou o nazismo’. Isso não é historicamente acurado. Em vez de silêncio, eu falaria em ‘prudência’. Não houve silêncio.”

O Vaticano afirma que Pio 12 não se manifestou de forma mais incisiva porque temia represálias do regime nazista que piorassem a situação de católicos e judeus.

Simpatizantes dizem que Pio 12 determinou que igrejas e conventos de Roma recebessem judeus depois da ocupação alemã na cidade, em 1943.

Vários grupos judaicos, principalmente a Liga Anti-Difamação, dos EUA, costumam pedir ao Vaticano que suspenda todo o processo de canonização até que termine o sigilo sobre os arquivos da Igreja relativos à Segunda Guerra Mundial.

Fonte: Reuters