Após pesquisas bibliográficas de sete anos incluindo, entre outros elementos, o estudo da língua original em que o Alcorão foi escrito e o ambiente sócio-cultural da época, será realizada ontem, em Willemstad, Curazao, o lançamento oficial do livro sagrado do Islã ao papiamento (língua falada no território das Antilhas Holandesas, ao lado do neerlandês e do inglês).

A edição impressa, que será limitada, demonstra o interesse despertado nos últimos tempos em torno das traduções a essa língua das ilhas do Caribe holandês de textos importantes e históricos. O projeto de tradução do Alcorão mobilizou um grupo de 25 pessoas.

O porta-voz do projeto, Pacheco Domacasse, informou que a iniciativa foi inspirada por Nasser Hakim, conhecido empresário local e pessoa que sempre contribuiu para que culturas e credos fossem respeitados.

O pesquisador disse que não existe muita diferença entre a mensagem oferecida pelo Alcorão e a mensagem bíblica. O Alcorão é, também, um livro revelador e sumamente positivo, que oferece às pessoas regras e valores necessários para viver como cidadãos de bem, argumentou.
Pacheco Domacasse explicou que o trabalho foi grandioso porque o livro original foi escrito há muitos séculos e a linguagem evoluiu. Desse modo, a tradução precisou ser exata para não levar a interpretações errôneas ou foras de contexto. Além disso, o papiamento não tem a suficiente riqueza lingüística para refletir todos os conceitos e imagens contidas no texto sagrado.

Dado o considerável número de pessoas que praticam o islamismo nas Antilhas Holandesas, essa versão do Alcorão permitirá uma aproximação mais efetiva ao compêndio de valores e prédicas a partir de uma perspectiva crioula e autóctone para os nativos das ilhas do Caribe que falam essa língua, ou dos estrangeiros radicados nela.

O Alcorão contém a revelação do profeta Maomé de Alá. Ele recebeu as revelações por meio do anjo Gabriel (Yibrail ou Yibril), as quais eram transmitidas oralmente ou escritas em folhas de palmeiras, pedaços de couro ou de ossos. Com a morte do profeta, em 632, seus seguidores começaram a reunir tais revelações que, durante o califado de Utman ibn Affan, tomaram a forma que hoje se conhece, de 114 capítulos ou “azoras”, cada um dividido em versículos ou “aleyas”.

Fonte: ALC