Na pequena Limburg, bispo ganha fama com viagens luxuosas e uma casa de mais de 30 milhões de euros. Fiéis estão indignados, e o caso vai parar no Vaticano.

Nuvens negras pairam sob o céu de Limburg. Normalmente turistas circulam pela ruas da pequena cidade alemã, de 34 mil habitantes, fotografando a catedral gótico-românica no centro histórico – mas hoje o alvo dos flashes é outro. A atração no momento é a nova residência do bispo, que teria custado 31 milhões de euros.

[img align=left width=300]http://www.dw.de/image/0,,17154431_303,00.jpg[/img]”Inimaginável”, diz Ortwin Schäfer, um aposentado de Lebach, cidade a cerca de duas horas dali. Ele cuidou das finanças da paróquia de sua comunidade por quase 30 anos e diz nunca ter visto nada parecido com o que ocorreu em Limburg. “Nós tínhamos que economizar cada centavo. Quanto desperdício. Eu considero isso uma atrocidade.”

O aposentado questiona a origem de tanto dinheiro. Para ele, grande parte deve ter saído do caixa da propriedade particular episcopal, que é supervisionada apenas pelo bispo. “Isso deve ser revisto por autoridades de maior escalão”, diz Schäfer.

[b]Desapontamento [/b]

Diante dos portões da residência do bispo, obviamente fechados, Elvira Löhr e Jutta Hetzel sorriem ao tirarem uma foto para o álbum de família. “Muitos já resistem a pagar imposto para a Igreja”, explica Löhr, em referência à contribuição mensal que é comum na Alemanha. “E quando alguém joga tanto dinheiro pela janela, eu entendo a razão pela qual tantos abandonam a Igreja.”

Só na última quinta-feira (10/10), um total de 20 fiéis optaram por encerrar as contribuições mensais à Igreja, de acordo com o tribunal da cidade de Limburg. Na cidade, em média se registra a perda de um fiel a cada dois dias.

Christian Zimmer é um exemplo. Sentado na mureta ao pé da catedral, ele explica que a sua decisão de abandonar a Igreja foi tomada há muito tempo. E quando questionado se agora seria a vez de o bispo deixá-la, ele responde rindo: “Se isso de fato acontecer, faria sentido.”

Ele diz ainda, ironicamente, que espera que o bispo vá de primeira-classe – fazendo referência a uma extravagante viagem que o líder católico teria feito à Índia, outro escândalo de repercussão nacional.

O bispo Tebartz-van Elst viajou para Roma no domingo (13/10) para reuniões no Vaticano. Numa carta dirigida aos fiéis, publicada no fim de semana, ele diz ter optado por se abster do serviço religioso público.

O líder da Conferência Alemã de Bispos, o arcebispo Robert Zollitsch, também viajou para Roma. Zollitsch não deu apoio a Tebartz-van Elst e diz “compreender bem a frustração da diocese de Limburg.” A imprensa alemã especula que os dois deverão se encontrar com o papa Francisco, a quem caberá decidir sobre o futuro do bispo esbanjador.

O número de representantes da Igreja e de políticos que querem a renúncia do bispo de Limburg cresce a cada dia. O presidente do Comitê Central de Católicos Alemães, Alois Glück, disse numa entrevista que Tebartz-van Elst é “um fardo para a Igreja Católica em toda a Alemanha”.

[b]Cobranças[/b]

Em Limburg, um avião sobrevoa a catedral, provavelmente com uma equipe de TV tentando filmar a residência episcopal de um outro ângulo. Fritz Keil, da cidade de Halle, nos arredores de Leipzig, diz que “é um absurdo” tanto dinheiro ter sido gasto na casa, enquanto a catedral, que é um patrimônio mundial, precisa de reformas urgentes.

“Esse aumento nos custos de construção não são surpreendentes”, afirma Kiel, que trabalha no ramo. “Se novas despesas são necessárias, elas devem ser aprovadas pelo responsável. Esta é a responsabilidade das comissões.”

Heide-Marie Eisenmenger, que nasceu em Limburg, diz estar muito decepcionada com a liderança do bispo da cidade. Segundo ela, ele se comportava como um “príncipe na Idade Média”, colocando-se numa posição superior. Ela diz que hoje em dia os fiéis estão mais conscientes e afirma que não deixaria a Igreja: “Eu não tenho fé no nosso bispo, mas sim em Deus, ou já até teria ido embora”.

Enquanto a cidade de Limburg espera o desenrolar dos acontecimentos no Vaticano, Ilona Biegel tem esperanças de que o novo papa não decepcione. “Ele deve tomar uma atitude neste momento, caso contrário perderá sua credibilidade.”

[b]Fonte: DW World[/b]