Cotado para assumir o ministério de Ciência e Tecnologia em um eventual governo de Michel Temer, o presidente do PRB, Marcos Pereira, diz que é favor de pesquisas com células-tronco e do aborto de anencéfalos e que irá incentivar estudos científicos “sejam eles quais forem”.

Especialista em direito penal e bispo licenciado da Igreja Universal, ele nega que sua crença religiosa –por exemplo, o criacionismo– seja um impeditivo para o posto.

“Ministro tem de ser político e gestor. Se for conhecedor do tema, melhor ainda. Mas não é obrigatório”, diz.

[b]Folha – Como estão as negociações?
[/b]Marcos Pereira – O Ministério de Ciência e Tecnologia é uma possibilidade. Fui chamado por interlocutores de Temer para um agradecimento pelos votos [pró-impeachment]. O PRB foi o primeiro a deixar a base de Dilma e o único que entregou 100% dos votos.

[b]O PRB integrará a base de Temer em troca do ministério?
[/b]Não é troca. Porque aí parece que votamos por isso. Votamos porque temos convicção de que houve crime de responsabilidade. Queremos ajudar o Brasil. Disse à presidente: “O povo que está no entorno da senhora tem dificuldade de ouvir”. O PRB quer que suas ideias sejam discutidas.

[b]O PRB era cotado para a Agricultura. Por que não deu certo?
[/b]Nem tudo que você projeta é possível. Foram-me oferecidas outras opções: Previdência Social e Portos. Mas vimos que não temos identificação com essas áreas.

[b]Com Ciência e Tecnologia há?
[/b]É o futuro do país. Achamos que o Brasil pode fazer diferença na humanidade com os cientistas que temos, que são de altíssimo nível.

[b]Há conflito pela ligação do PRB com a Igreja Universal?
[/b]Conflito zero. Concordo que ciência e religião não combinam. Elas podem se complementar. O PRB não é ligado à igreja. Alguns membros são da igreja. Não discutimos religião. Defendi, em minha monografia de graduação, o aborto de anencéfalos. Diferente do que religiões conservadoras pregam.

[b]É a favor da pesquisa com células-tronco?
[/b]Totalmente favorável. Até porque o Estado é laico.

[b]O senhor defende o criacionismo. Como vê o darwinismo?
[/b]O criacionismo é uma questão de fé. Acredito. Não quer dizer que defenda. É uma questão de foro íntimo. Não levarei para o trabalho.

[b]O senhor não prevê dificuldades quando questionado sobre sua crença em Adão e Eva?
[/b]Não vejo dificuldade. É uma questão de foro íntimo. Não vou entrar nesse debate. Quero contribuir com o incremento dos orçamentos para incentivar as pesquisas sejam elas quais forem. Um ministro tem de ter duas características: ser político e gestor. Se for conhecedor do tema, melhor ainda. Mas não é obrigatório.

[b]Fonte: Folha de São Paulo[/b]