Vendas de propriedades comerciais podem atingir um recorde de US$ 63 bilhões neste ano. Com preços em ascensão, instituições religiosas estão buscando vendas imobiliárias para gerar caixa e financiar suas missões.

Após ser ordenado em 2012, o reverendo Christopher Ballard foi nomeado para uma histórica igreja episcopal no Brooklyn, Nova York, e começou a trabalhar em uma parte fundamental de seu novo emprego: incorporação imobiliária.

Ballard, 49, decidiu vender a residência paroquial da Igreja de São Lucas e São Mateus, além de um estacionamento adjacente: 4.000 metros quadrados de espaço residencial edificável atrás da igreja histórica de Clinton Hill.

O local está avaliado em US$ 8,6 milhões, dinheiro que ajudaria a cobrir a manutenção de uma casa de culto que data de 1891.

“Este mercado não voltará a ter a artilharia pesada que tem agora: este é o momento de fazer isso”, disse Ballard, em entrevista concedida no segundo andar da igreja Romanesque Revival, a cerca de 800 metros da arena Barclays Center. “Trata-se de ser um administrador prudente da congregação”.

Com preços de terrenos e edifícios em ascensão por toda Nova York, as instituições religiosas estão buscando vendas imobiliárias para gerar caixa e financiar suas missões. Muitas das igrejas e sinagogas da cidade foram construídas décadas atrás e aquelas que administram casas de culto religioso se veem às voltas com estruturas massivas e arquitetonicamente distintas, que exigem consertos caros.

Para os clérigos de igrejas de lugares como Washington Heights, Park Avenue e Wall Street, e de todo o Brooklyn, navegar pelo mundo de altos e baixos da incorporação imobiliária é parte da descrição do trabalho, disse Mitchell Moss, professor de Política e Planejamento Urbano da Universidade de Nova York.

“Você não pode ser um membro bem-sucedido do clero em Nova York a menos que você saiba como tirar vantagem do mercado de terrenos”, disse Moss. “A única diferença entre um incorporador imobiliário e um membro do clero é as roupas que eles usam”.

[b]Preços dos terrenos
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As igrejas estão entrando no mercado em meio a um crescente apetite dos compradores por terras em Nova York. Locais para construção em Manhattan foram vendidos por em média US$ 445 o pé quadrado (US$ 4.789,98 o metro quadrado) no ano passado, acima dos US$ 366 o pé quadrado (US$ 3.939,62 o metro quadrado) de 2012, uma alta pós-recessão, segundo a Massey Knakal Realty Services.

As vendas de propriedades comerciais podem atingir um recorde de US$ 63 bilhões neste ano, um salto de 68 por cento em relação a 2013, com base na força dos preços em ascensão em Manhattan e um maior interesse dos investidores nos bairros mais afastados, estimou a empresa em janeiro.

Compradores de imóveis também estão optando pela região norte de Manhattan, onde a Igreja Batista Wadsworth Avenue, de 88 anos de antiguidade, em Washington Heights, está no mercado por US$ 8 milhões. A congregação quer construir um novo edifício no lugar e manter 30.000 pés quadrados (2.787 metros quadrados) para a igreja, deixando 67.500 pés quadrados (6.271 metros quadrados) de potencial espaço residencial para uma construtora.

“Estamos pedindo uma solução para seguir com o clero no bairro”, disse o pastor, o reverendo Joshua Blair, cuja igreja ainda tem seu telhado original e janelas de painel único. “Nós acreditamos que o mesmo Deus que nos ajudou a permanecer aqui todo esse tempo tem um plano para o futuro”.

[b]Confrontos no bairro
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O choque entre igreja e imóveis gera controvérsia, pois as construtoras têm entrado em confronto com moradores e preservacionistas. Na Igreja Cristã Park Avenue, no bairro Upper East Side, a Extell Development Co. está redesenhando os planos para uma torre de condomínio no terreno próximo à propriedade depois que um desenho inicial atraiu opositores. O edifício proposto seria erguido no entorno da torre da igreja, bloqueando a luz solar no prédio centenário, cujo modelo foi inspirado na La Sainte-Chapelle, em Paris.

A Comissão de Preservação de Marcos Históricos da cidade de Nova York, que está estudando uma designação histórica para o bairro, precisa aprovar um novo plano de construção, disse George Artz, porta-voz da igreja.

“Há um sentimento de que esses edifícios, por si só, são sagrados, de que as quatro paredes são o clero”, disse Ballard. “É preciso realmente dar-se conta de que eles são feitos de tijolo e cimento e que devemos usá-los para cumprir nossa missão”.

[b]Fonte: Exame.com[/b]