O arcebispo primaz do México, cardeal Norberto Rivera, negou que a Igreja Católica irá excomungar os deputados da Assembléia Legislativa de Cidade do México, capital do país, que no final de abril aprovaram lei que descriminalizou a prática do aborto até a 12ª semana de gestação.

O Cardeal Rivera, em sintonia com a doutrina da Igreja, explicou que o apoio à lei tirou desses deputados as condições necessárias para que estejam em comunhão com a igreja, mas a comunhão não vai ser negada a eles.

“Para nós é muito claro o que diz o Direito Canônico: só aquele que procura e chega a consumar um aborto será excomungado. Não há nenhum documento de excomunhão contra político, legislador ou o prefeito de Cidade do México”, disse o Cardeal Rivera, em entrevista em Aparecida (167 km de São Paulo), onde participa da V Conferência Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe.

“Mas temos que lembrar o que diz a doutrina tradicional da igreja: que não é compatível participar da comunhão eucarística com esse modo de legislar. Mas isso é diferente de excomunhão”, disse o Cardeal primaz. “Isso também não quer dizer que vamos negar-lhes a eucaristia.” O Cardeal Rivera lembrou que Deus está disposto a perdoar os parlamentares. “Todos podem ser perdoados quando há arrependimento sincero.”

O arcebispo afirmou que os deputados que votaram a favor da lei “não têm preparação, ou não têm convicção suficiente do que é a vida humana”. E apontou que a aprovação do aborto também revela falha da Igreja Católica na evangelização da população. “Vemos que existem vazios que produzem esses efeitos. E esses vazios se enchem com erros como o que acabamos de cometer no México porque a evangelização não chegou a muitos setores de nossa população.”

Fonte: Rádio Vaticano