Líderes da organização Católicas pelo Direito de Decidir registraram denúncia no Centro Nicarágua dos Direitos Humanos (CENIDH) acusando o padre Bismarck Conde e membros da paróquia de as expulsarem, no domingo, aos empurrões da catedral de Manágua.

“Nós iríamos sair pacificamente depois que nos foi negada a eucaristia na santa comunhão, mas nos chamaram de satânicas e suspenderam a missa, causando uma reação violenta de muitos fiéis que diziam que éramos assassinas”, queixaram-se Maria José Arguello, Olga Rocha e Maite Ochoa, integrantes da ONG.

Elas disseram que assistiram à missa na catedral para “pedir aos nossos guias espirituais que orassem por 84 mulheres que morreram neste ano por causa da recusa de médicos de realizar um aborto terapêutico”. As mulheres também pediriam compaixão pelas menores gestantes, mas sacerdotes chamaram a polícia, para que não entrassem no templo.

“Quando o padre Conde nos insultou com o qualificativo de ‘satânicas’ incendiou os ânimos de muitos fiéis, que começaram a nos agredir. As coisas não foram mais longe porque outro grupo de católicos nos auxiliou e conseguimos sair”, contou Rocha.

Elas pediram à hierarquia católica para não se envolver em políticas públicas porque os deputados, por pressão da igreja, votaram como cordeiros a reforma que penaliza o aborto teraupêutico no Código Penal, afirmou Maria José Arguello.

Maria Arguello argumentou que Católicas pelo Direito de Decidir é a favor da vida. Ela afirmou que a hierarquia católica condenou mulheres pobres à morte. Recordou que em outubro de 2006, numa homilia, o bispo Abelardo Matta disse que, quando o aborto vem como conseqüência prevista, mas não intencionada nem querida, simplesmente tolerada de um ato terapêutico inevitável para a saúde da mãe, é moralmente legítimo.

O diretor do CENIDH, Bayardo Isaba, disse que a denúncia será estuda para ver se merece ser levada à outra instância.

Fonte: ALC