Uma conferência de clérigos muçulmanos, organizada por uma instituição de caridade que Washington classificou como um grupo terrorista, pediu nesta quinta-feira a destituição do papa Bento 16 por alimentar a inimizade entre as religiões com seus comentários sobre o Islã, feitos na semana passada.

“O papa Bento deve ser removido de seu cargo imediatamente, por encorajar a guerra e estimular a hostilidade entre diversas crenças”, disse uma declaração divulgada ao fim da convenção, da qual participaram centenas de clérigos, na cidade paquistanesa de Lahore.

A declaração foi dada pelo Tehrik-e-Hurmat-e-Rasool (Movimento de Respeito ao Profeta), mas a conferência foi organizada pelo Jamaat ud-Dawa, uma instituição beneficente que Washington classificou como terrorista em abril, por causa de suas ligações com o Lashkar-e-Taiba, grupo militante que combate o domínio indiano da Caxemira.

A reunião aconteceu na sede da Jamaat ud-Dawa. O Paquistão pôs a instituição em observação depois da medida norte-americana, e nas últimas semanas colocou em prisão domiciliar seu líder, Hafiz Muhammad Saeed, que fundou e chefiou o Lashkar até que Islamabad proibisse o grupo, em 2002.

Um discurso do papa, em que ele usou citações medievais que retratam o Islã como violento, fez com que grupos da Al Qaeda declarassem guerra à Igreja, iraquianos queimassem a efígie do papa e turcos pedissem sua prisão.

“O papa e todos os infiéis deveriam saber que nenhum muçulmano, sob quaisquer circunstâncias, podem tolerar um insulto ao Profeta. Se o Ocidente não mudar sua posição com relação ao Islã, terá que enfrentar consequências severas”, disse o comunicado.

“A Jihad em nome de Alá não é terrorismo. A Jihad é empreendida para livrar uma região, um Estado ou o mundo da opressão, violência, crueldade e terrorismo e trazer paz e alívio ao povo”, acrescentou.

O Paquistão está sob pressão dos EUA, seu aliado na guerra contra o terrorismo, e da Índia, o vizinho com quem está tentando alcançar a paz depois de décadas de hostilidade. Ambos países solicitam que Islamabad seja mais severo com grupos militantes.

O comunicado contra o papa pode ser embaraçoso para o presidente Pervez Musharraf, que deve encontrar-se com o presidente George W. Bush na sexta-feira.

Fonte: Reuters