Embora considere inegável a cobiça internacional sobre o vasto patrimônio representado pela biodiversidade e recursos naturais do subsolo, o secretário-geral da Conferência Nacional do Bispos do Brasil, d. Dimas Lara Barbosa, acha que a prioridade para a Amazônia é a definição de um projeto que englobe o desenvolvimento sustentável e as necessidades sociais da população.

“A Amazônia necessita da presença do Estado com projetos ouvindo os amazônicos e as soluções que eles vêem para o desenvolvimento da região”, afirma. “Concordo inteiramente com o ministro Mangabeira (Roberto Mangabeira Unger, de Assuntos Estratégicos). O Brasil precisa acordar: a Amazônia é estratégica para o País”, acrescenta o bispo.

O secretário-geral da CNBB tem acompanhado com certa apreensão os debates que colocam em lados opostos a soberania nacional sobre a região e a propalada internacionalização, mas observa que a face mais perceptível dos problemas podem ser traduzidos na exploração ilegal da madeira, o narcotráfico e o tráfico de pessoas, segundo ele, mais nocivos neste momento para a população da região do que uma eventual ameaça de invasão estrangeira. Por conta de denúncias sobre essas mazelas, segundo ele, três bispos da região e líderes de movimentos sociais têm sido ameaçados de morte.

“Um clima de insegurança impera na região”, diz o secretário-geral da CNBB.

Interesses externos

Dom Dimas alerta, no entanto, que as pretensões internacionais sobre a região não se explicam apenas pela constatação de que a Amazônia é o pulmão do mundo.

“A região tem uma biodiversidade única no planeta, minério e grandes reservas de água, produto que no futuro valerá mais que o petróleo. Alí é preciso um planejamento estratégico”, afirma.

Numa avaliação oposta da área militar, dom Dimas acha que a demarcação da Reserva Raposa/ Serra do Sol em área contínua, em Roraima, não implica em problemas de soberania. Na sua opinião, os índios sempre se declararam brasileiros e, embora com línguas e costumes diferentes, não se tem notícias de que pretendessem desencadear uma rebelião para construir um estado independente.

O secretário-geral da CNBB disse que está mais preocupado com brechas na Lei de Gestão das Florestas, o que poderia permitir a estrangeiros a compra ou arrendamento de extensas áreas na região amazônica e, assim, criar problemas de soberania. “Alguns bispos da região têm manifestado preocupação sobre o assunto. Há riscos evidentes em áreas isoladas”, acrescenta.

Fonte: JB Online