O secretário-executivo da Comissão de Justiça e Paz da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Carlos Moura, afirmou que o problema da violência no Brasil não vai ser superado apenas com a repressão. “Também é preciso que haja um trabalho preventivo”, defende.

Moura diz que segurança pública não é abrir cadeias, não é reprimir, não é realizar prisões e mais prisões. “Segurança pública é dar garantia integral à população”, disse.

Ao comentar o relatório preliminar do relator da Organização das Nações Unidas (ONU) para Execuções Sumárias, Arbitrárias e Extrajudiciais, Philip Alston, o representante da CNBB considerou “lamentável que policiais que têm o dever de garantir a integridade da pessoa, como representantes do Estado, pratiquem todo o tipo de excesso e barbárie”. O documento também vincula policiais a grupos de extermínio, que seriam responsáveis por 70% dos assassinatos em Pernambuco.

Ele avaliou como necessária a formação em direitos humanos nos currículos escolares para se superar o problema da violência. Segundo Moura, esse tipo de formação deveria ser dada também durante a capacitação dos agentes policiais.

Outro ponto indicado pelo relatório são as mortes em presídios de pessoas sob a custódia do Estado. Em Pernambuco, são apontadas 61 mortes em um período de dez meses de 2007. Moura afirmou que “o Estado falta com seu dever porque não cumpre o que está na Lei de Execuções penais e não dá oportunidades aos presos durante o período de reclusão”.

O representante da CNBB apontou ainda a necessidade de salários “dentro realidade social”, aprimoramento técnico e melhor aparelhamento para as forças policiais.

Fonte: Agência Brasil