Colonos judeus entregaram na terça-feira exemplares do Alcorão aos palestinos de uma aldeia da Cisjordânia cuja mesquita foi incendiada num ataque atribuído a militantes ligados aos assentamentos.

Vários exemplares do livro sagrado do islamismo foram queimados no ataque ocorrido na madrugada de segunda-feira, e ameaças em hebraico foram rabiscadas no muro da mesquita de Beit Fajjar, localidade próxima ao enorme assentamento de Gush Etzion.

As suspeitas imediatamente recaíram sobre militantes ligados aos colonos, que são contra o processo de paz entre Israel e os palestinos, temerosos de que isso leve à entrega de alguns assentamentos para o futuro Estado palestino.

“Esta visita é para dizer que, embora existam pessoas contrárias à paz, quem se opõe à paz se opõe a Deus”, disse o rabino Menachem Froman, um conhecido pacifista e um dos colonos que foram a Beit Fajjar expressar solidariedade com seus vizinhos muçulmanos.

Froman e outros judeus e palestinos liberais, partidários da coexistência, fizeram uma manifestação num movimentado entroncamento rodoviário da Cisjordânia, levando cartazes com os dizeres “Queremos todos viver em paz”. Mas menos de 20 pessoas participaram.

“Eu gostaria de ver mais gente vindo a eventos como este”, disse Aharon Frasier, um jovem rabino de origem norte-americana, que vive num assentamento próximo e manifestou “fortes objeções” a um ataque que contradiz os valores judaicos.

“Não podemos deixar isso com os políticos. Temos de fazer aquilo em que acreditamos” para construir a paz e a segurança, afirmou.
A manifestação deveria ter reunido também palestinos, mas as forças israelenses impediram a aproximação de jovens de Beit Jaffar, que reagiram jogando pedras contra os soldados, os quais por sua vez responderam com gás lacrimogêneo. Não houve feridos.

Um jovem judeu ultraortodoxo que passava por ali pareceu perplexo com a manifestação. “Uma manifestação contra a queima de uma mesquita?”, perguntou ele a jornalistas. “Será que todos os colonos viraram esquerdistas?”

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu condenou o ataque à mesquita e pediu à polícia que identifique os culpados do incidente, que pode levar ainda mais tensão ao já complicado processo de paz entre palestinos e israelenses.

[b]Fonte: Reuters[/b]