O reverendo Joshua Adamu, presidente da Associação Cristã da Nigéria no estado de Borno, afirmou que a perseguição aos cristãos no país já se tornou caso de justiça.

“A discriminação contra nós neste estado é muito comum. Ela é praticada em todas as agências de governo e ministérios. Nossas crianças também não estão livres dessa prática, é negado a elas admissão em escolas e também é negado o ensinamento de sua fé, a fé cristã”.

Conseqüentemente, Adamu, de 67 anos, e outros cristãos levaram o governo do estado de Borno à Justiça, por negligência no Ensino do Conhecimento da Religião Cristã (CRK, em inglês) nas escolas.

“O governo solicitou que nós resolvêssemos o caso fora da Justiça, e nós o fizemos antes, mas até o presente momento no qual estou falando com você, o ensino da CRK não foi permitido, e ainda o Conhecimento da Religião Muçulmana está sendo ensinado em todas as escolas”, disse Adamu.

Dificuldades no governo emergem em um contexto de violência recente na memória. Sob a desculpa de protesto às caricaturas de Maomé em um jornal dinamarquês, os muçulmanos em Borno já mataram 57 cristãos e queimaram cerca de 52 igrejas.

“Um padre católico também foi morto, e na minha igreja, a Igreja de Cristo na Nigéria, na congregação local de Gambaru, 82 mulheres e dois pastores foram injuriados”, disse o reverendo Adamu.

“Eu e meu companheiro fomos atacados por muçulmanos também. Todos os meus livros de teologia foram destruídos quando a casa pastoral foi queimada pelos militantes muçulmanos”.

Terrenos para igrejas

Terrenos para igrejas são cada vez mais difíceis, segundo Amadu. O mesmo ocorre para a expansão de construções existentes.

Mesmo os terrenos adquiridos há anos por igrejas ainda não foram certificados pelo governo, tornando-os, portanto, ilegais.

O reverendo Paye Pama, pastor da Assembléia Rhema e secretário da Comunidade Pentecostal da Nigéria, seção do estado de Borno, repetiu os problemas enumerados por Adamu.

Desafio diário

Um pastor em Maiduguri por 20 anos, Pama disse que trabalhar em um meio predominantemente islâmico tem sido perigoso.

“Se você é um cristão, e seu irmão de sangue é um muçulmano”, disse Pama, “sempre que houver uma crise religiosa, ele estará pronto para matar você”.

Durante o último ano, diante da violência por causa das caricaturas, alguns pastores foram mortos por seus parentes muçulmanos ou muçulmanos aos quais eles serviram.

“Estes muçulmanos receberam assistência desses pastores em dinheiro, alimento, roupa, etc”, disse Pama. “Eles sabiam onde os pastores moravam, e então trouxeram seus amigos muçulmanos para matar esses pastores”.

O número de cristãos mortos na violência de fevereiro de 2006 é provavelmente maior do que o das 57 mortes conhecidas, segundo o reverendo.

“É difícil hoje dizer exatamente quantos cristãos foram mortos porque as agências de segurança mantêm os números em segredo”, disse Pama. “Além disso, eles removeram alguns cadáveres e os enterraram em um grande túmulo. Nós só pudemos contar aqueles corpos que nós recuperamos, e esse é o número que estamos usando”.

Pama lamentou que a perseguição tenha resultado na fuga de vários cristãos para outras partes do país, esvaziando a população das Igrejas do estado de Borno.

Fonte: Portas Abertas