O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, cujo apoio ao direito ao aborto e às pesquisas com células-tronco embrionárias é criticado pela Igreja Católica, deve encontrar-se com o papa Bento 16 pela primeira vez em 10 de julho, durante uma visita à Itália.

Funcionários do Vaticano disseram que Obama vai ser recebido pelo papa em uma audiência no Vaticano após o encerramento de uma cúpula do G8 (grupo que reúne oito das maiores economias mundiais), prevista para a cidade italiana de Áquila.

“O papa está pronto para se encontrar com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, na tarde de 10 de julho”, disse o vice-porta-voz do Vaticano, Ciro Benedettini.

O porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, disse a jornalistas em Washington que o papa e o presidente vão “discutir uma série de questões, incluindo a crença compartilhada na dignidade de todas as pessoas”. A primeira-dama, Michelle Obama, vai acompanhar o presidente na visita, informou a Casa Branca. Os dois são protestantes.

Obama tem sido alvo de críticas a Igreja Católica por iniciativas que favorecem a prática do aborto. Embora a prática seja legal nos EUA, as autoridades católicas ficaram contrariadas com a decisão do presidente de suprimir um dispositivo que proibia todas as ONGs que recebem financiamento do Estado americano a praticar abortos ou fornecer serviços relacionados à interrupção da gravidez fora dos Estados Unidos.

Uma promessa de campanha de Obama, o fim da restrição foi um dos primeiros atos do novo presidente, e foi criticado, também, por beneficiar, com recursos públicos, organizações cujos membros trabalharam em favor de sua candidatura. O aborto é considerado legal nos EUA.

A Igreja Católica também critica a autorização concedida por Washington para pesquisas em humanos com células-tronco embrionárias humanas. As posições do ex-presidente americano, o republicano George W. Bush, contra o aborto e a favor da família tradicional eram apreciadas pela Santa Sé.

No entanto, parece haver mais proximidade da igreja com a ênfase de Obama no diálogo em política externa do que com os enfrentamentos comuns da era Bush. Em 2003, o papa João Paulo 2° opôs-se abertamente à invasão do Iraque.

No primeiro encontro de Bento 16 com um alto representante do Partido Democrata americano desde a posse de Obama, ele reiterou em 18 de fevereiro à presidente da Câmara de Representantes (Deputados) dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, o “não” da Igreja Católica ao aborto e a obrigação dos políticos católicos –como Pelosi– de promover leis que protejam a vida “o tempo todo”.

Ao receber, em maio, uma polêmica homenagem da Universidade de Notre Dame, a mais importante universidade católica americana, Obama disse, durante discurso, que toda a polêmica envolvendo o aborto poderia ser amenizada se ambos os lados prestassem atenção nos pontos que têm em comum, e não nas divergências insolúveis.

“Talvez nós não concordemos sobre o aborto, mas nós ainda podemos concordar que é uma decisão de apertar o coração da mulher tanto na dimensão moral quanto na espiritual. Então, trabalhemos juntos para reduzir o número de mulheres que procuram o abordo reduzindo as gestações indesejadas; tornando a adoção mais acessível; e dando cuidado e apoio àquelas que decidem ter seus filhos”, disse.

Obama discursou em uma cerimônia de formatura e recebeu uma homenagem de honra ao mérito de Notre Dame, o que causou grande polêmica na comunidade católica americana devido às posições do presidente contrárias aos ensinamentos da igreja. Manifestantes católicos e também protestantes protestaram durante vários dias na universidade –e durante o discurso de Obama– contra a homenagem.

Dezenas de bispos criticaram a homenagem e o bispo local não foi à cerimônia.

O aborto divide os americanos há décadas, principalmente depois que, em 1973, a Suprema Corte julgou o caso Roe vs. Wade, no qual decidiu que nenhum Estado pode banir a prática. Dia antes do discurso de Obama, uma pesquisa revelou que, pela primeira vem em 15 anos, a maioria dos americanos –53%– rejeitava o aborto.

Fonte: Folha Online