O líder da Igreja Católica em Cuba, cardeal Jaime Ortega, afirmou, nesta segunda-feira, que o país enfrenta uma de suas piores crises e que a população não está satisfeita com o sistema socialista.

“Nosso país está em uma situação difícil. Certamente a mais difícil que já vivemos no século 21”, disse Ortega em uma entrevista publicada na revista católica Palabra Nueva.

De acordo com o cardeal, a crise econômica global, o embargo dos EUA, os recentes furacões todos tiveram um impacto na ilha, que estaria sofrendo a pior situação econômica desde a crise que se seguiu ao colapso da União Soviética.

Ortega disse ainda que há um consenso nacional de que o governo percisa fazer mudanças “rapidamente”.

“Eu acho que esse sentimento se tornou uma forma de consenso nacional e o atraso das mudanças está produzindo impaciência e desconforto entre a população”, afirmou.

Presos políticos

Ortega pediu ainda que as autoridades cubanas libertem os prisioneiros políticos.

O governo de Cuba vem sendo pressionado a libertar cerca de 200 dissidentes políticos, especialmente depois da morte do preso político Orlando Zapata e das recentes agressões ao grupo Damas de Branco, que reúne mães e mulheres de dissidentes presos.

Segundo Ortega, as recentes ofensas contra o grupo seriam “perturbadoras”.

O cardeal, de 73 anos, afirmou ainda que as pessoas estão falando abertamente sobre as deficiências do sistema socialista em Cuba, classificando o governo como “uma burocracia ao estilo stalinista que produz trabalhadores apáticos e baixa produtividade”.

De acordo correspondente da BBC em Havana Michael Voss, essa não é a primeira vez que Ortega comenta publicamente os eventos recentes do país. Mas, segundo ele, o cardeal ainda não havia sido tão direto como na entrevista ao Palabra Nueva.

Voss afirma ainda que o presidente cubano, Raúl Castro, realizou pequenas reformas econômicas, mas que mudanças maiores levarão tempo.

Fonte: BBC Brasil

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