O diretor do Centro Cultural Islâmico de Bogotá, capital da Colômbia, o imã Julián Zapata, disse que o decreto que regulamenta o ensino religioso na rede educacional, emitido em dezembro do ano passado pelo Ministério da Educação, é muito vago.

Apesar de líderes religiosos se reunirem em várias ocasiões com representantes do Ministério da Educação e com a própria ministra, “não ficou claro o que é que no fundo propõe o decreto 4500. Ele é etéreo, como tudo o que se fez neste país em matéria de legislação religiosa e liberdade de culto, e deixa sem resolução o problema fundamental do que se estudará e ensinará” nas escolas em matéria de religião, declarou o imã ao jornal “El Tiempo”.

O diário mencionou que a Constituição política é muito clara: não existe uma religião oficial e que o Estado colombiano não é confessional. Lamentavelmente, agrega o jornal, isso segue sem ser compreendido por uma influente minoria da classe dirigente, ainda ancorada na Constituição papista de 1886.

A Colômbia é um país majoritariamente católico, expressou Zapata, e é bom que se sinta orgulhoso desse legado evangélico – romano. “Mas não deve assustar os nossos governantes e setores acadêmicos que nossos compatriotas estudem com admiração e olho crítico as belas e ao mesmo tempo ‘terríveis’ páginas – segundo a propaganda negativa – da Torá, do Evangelho, do Alcorão e os grandes profetas que esses livros mencionam”, definiu.

Zapata sustentou que o decreto 4500 não é claro porque está rodeado por um fantasma, que é o fim da era do monocromatismo religioso, e este fantasma os leva a confundir o estudo das grandes civilizações religiosas com o proselitismo religioso, que são duas coisas totalmente diferentes.

Na Colômbia, nem os luteranos, nem os anglicanos, nem os judeus nem os muçulmanos “estão tocando de porta em porta para dizer às pessoas que se convertam à sua tradição religiosa porque o ‘fim do mundo’ se aproxima. A conversão é um diálogo muito privado entre o crente e o Criador”, explicou o imã.

O medo do “proselitismo religioso” é o novo cavalo de batalha para negar direitos universais. Para as aulas de religião é possível fazer algo sério e singelo, observados alguns pilares.

O imã arrolou alguns desses conteúdos, como uma biografia breve, séria e imparcial dos grandes profetas (por exemplo Abraão, Moisés, Jesus, Maomé, Buda, Zoroastro, Confúcio), os ensinamentos das grandes civilizações religiosas sobre a amizade, a solidariedade, o amor aos pais e antepassados; a sexualidade, o respeito aos governantes, a cooperação, a rejeição ao fanatismo, a defesa da vida e a defesa do diálogo, a harmonia entre as religiões.

O mínimo que se pode exigir do Ministério de Educação neste século XXI é que informe com objetividade o que está ocorrendo com as religiões no mundo e na Colômbia, definiu o líder religioso islâmico.

Zapata reconheceu a UNAFIDES, prestigiada instituição do diálogo inter-religioso fundada pelo jesuíta Antonio José Sarmiento e pelo bispo anglicano Bernardo Merino. “Esse é o melhor esforço que se fez em nosso país para preservar a harmonia, a amizade, a fraternidade e a cooperação entre nós, os filhos do monoteísmo abraâmico”, concluiu.

Fonte: ALC