O deputado holandês Geert Wilders modificará alguns trechos de seu filme “Fitna”, que critica o Islã, para evitar processos, indicou hoje o político.

Em declarações à agência “ANP”, Wilders ressaltou que substituirá por outra a charge de Maomé do caricaturista dinamarquês Kurt Westergaard, que já anunciou que levará o parlamentar holandês a julgamento por usar seu desenho sem permissão.

Além disso, Westergaard, famoso pelo polêmico desenho de Maomé com um turbante-bomba, fez uma caricatura do parlamentar holandês que será publicada amanhã na revista belga “P-Magazine”.

A imagem será no mesmo estilo que as do profeta Maomé, mas terá como protagonista Wilders, anunciou a agência “Belga”.

O político também disse que retirará a fotografia do rapper Salah Edin, que em seu documentário aparecia como se fosse a imagem do assassino do cineasta holandês Theo van Gogh, morto a tiros pelo islamita radical Mohammed Bouyeri em 2004.

Outro que pode entrar com ações judiciais contra o deputado é o produtor holandês Rob Muntz, que quer processar Wilders por usar sua voz em uma entrevista que fez com o cineasta Van Gogh.

O parlamentar explicou que dará os devidos créditos ao produtor na legenda da versão modificada, mas Muntz já anunciou que continuará pedindo uma indenização.

O documentário continua gerando reações adversas no mundo islâmico. O Governo da Jordânia condenou a divulgação do filme, informou a agência oficial jordaniana de notícias “Petra”.

“Nós respeitamos os tratados internacionais que garantem a liberdade de crença e expressão, mas o que aconteceu aqui foi um abuso da liberdade que ofende as religiões”, disse o ministro de Estado de Assuntos de Imprensa e Comunicação jordaniano, Nasser Judeh, citado pela agência.

Embaixadores da Jordânia e de 26 países islâmicos, entre eles Indonésia, Irã e Egito, se reuniram ontem com o ministro de Assuntos Exteriores holandês, Maxime Verhagen, para debater as possibilidades de impetrar processos judiciais contra o deputado pelo filme.

Verhagen reiterou aos embaixadores que o Ministério Público holandês já investiga essa possibilidade e aproveitou o encontro para reiterar que seu Governo lamenta a difusão do filme contra o Islã.

“Conhecemos as preocupações e os sentimentos da comunidade muçulmana internacional sobre este filme”, disse o ministro, que se mostrou satisfeito com as reações calmas surgidas até o momento.

Wilders disponibilizou “Fitna” na internet na quinta-feira passada, após o que a comunidade muçulmana na Holanda reagiu com serenidade, sem que, por enquanto, tenham sido registrados atos violentos.

Fonte: EFE