A Polícia Federal recolheu cópias de um artigo da revista “Somos Assim”, no qual o prefeito candidato à reeleição em Macaé, Riverton Mussi (PMDB), promete fazer da cidade a “capital do petróleo e do candomblé”.

A apreensão foi feita na sexta-feira (26), em Cabo Frio e em Campos a pedido da juíza Clarice de Mota e Fontes, da 254ª Zona Eleitoral.

“Lamento que meus adversários se utilizem de agressões e mentiras. Sempre procurei governar para todos, respeito todas as religiões. Porém defendo o princípio constitucional do Estado Laico”, alegou Riverton, por meio de nota.

De acordo com a assessoria do prefeito, o material teria sido apreendido em frente à casa de um dos coordenadores da campanha de Silvio Lopes (PSDB), que disputa com o peemedebista a vaga no executivo macaense. Cabos eleitorais de Lopes estariam, ainda, distribuindo cópias da matéria na porta de igrejas evangélicas.

“Não temos distribuição em Macaé. Alguém comprou em Campos e distribuiu lá”, ressaltou o editor responsável pela “Somos Nós”, que é publicada em Campos dos Goytacazes.

Sob o título “Macaé poderá ser a capital do candomblé”, o texto divulgava um suposto investimento de R$ 250 milhões da prefeitura para a construção de um terreiro de candomblé inspirado no terreiro de Mãe Menininha do Gantois, em Salvador (BA). O objetivo da distribuição da revista em Macaé seria incitar um conflito religioso que prejudicasse a candidatura de Riverton. O prefeito, efetivamente, visitou terreiros de religiões afro-descendentes durante a campanha.

A ordem de busca e apreensão foi fundamentada nos artigos 242, 325 e 326 do Código Eleitoral, que proíbem a utilização de material de campanha que incite ao preconceito religioso e induzam a opinião pública a estados mentais artificiais.

Silvio Lopes negou o envolvimento de correligionários seus na ação e alegou que as “revistas estavam sendo distribuídas pelos próprios fiéis das igrejas”.

A cidade do norte fluminense, que abriga a base de operações da Petrobras na região, recebeu R$ 301,3 milhões a título de royalties e compensações em 2007, segundo a Agência Nacional do Petróleo.

Fonte: UOL