Duas igrejas coptas foram atacadas, lojas que pertencem a cristãos foram destruídas e sete pessoas ficaram feridas em dois incidentes no norte do Egito, na semana passada.

No dia 8 de junho uma multidão de muçulmanos invadiu e destruiu o quarteirão em que vivem os cristãos de Zawyet Abdel-Qader, perto de Alexandria, durante 90 minutos. A polícia foi chamada e interviu.

O segundo incidente aconteceu em Dekheila, a leste de Alexandria. Uma multidão atacou a Igreja do Santo Sínodo, na noite do dia 12 de junho, e foi interrompida pela polícia antes que chegasse a atacar outras duas igrejas.

A intervenção impediu que os danos fossem maiores. Cristãos que vivem na região confirmaram que o ataque é conseqüência da disputa entre muçulmanos e cristãos.

Akram Anwar Bekheed, membro local do partido Nacional Democrático de Zawyet Abdel-Qader, atribuiu parte da responsabilidade ao governo.

Segundo ele, o governo criou uma atmosfera permissiva de violência sectária a partir da permissão de ataques anteriores a igrejas sem que ninguém fosse responsabilizado e sem demonstrar qualquer interesse em manter a paz.

Em abril de 2006, Alexandria foi palco de um terrível episódio, onde três extremistas armados com uma faca mataram um cristão e deixaram dezenas de feridos.

Ataque planejado

Testemunhas contaram que no dia 8 de junho, depois das orações do meio-dia, os adoradores muçulmanos deixaram a mesquita e se reuniram em cafeterias.

“Nós sentimos que havia um clima de conspiração, mas não sabíamos do que se tratava”, disse um cristão local.

Visitantes de outras cidades chegavam e iam para as cafeterias. Eles carregavam sacolas cheias. Durante o ataque é que se viu o que eles traziam: porretes e líquido inflamável.

Mariam Adel, de 24 anos, sofreu queimaduras provenientes de uma solução ácida enquanto o proprietário da loja em que estava, Yasser Agaibi, recebeu socos no rosto, na cabeça, nas costas e foi hospitalizado.

Abdel Messih Sidqy, dono de uma peixaria, o padeiro Khairi Rizq e seu sócio William Butros também foram feridos.

“Eles quebraram vidros e janelas e destruíram as lojas”, disse uma fonte ao Compass que não quis se identificar.

Violência nas ruas

Quatro dias depois um cristão de 16 anos, Bassem Mikail, e um muçulmano de 21 anos, Abdel-Dayem, ambos trabalhadores da construção civil, começaram a discutir na frente da Igreja do Santo Sínodo.

O conflito se espalhou pela rua e rapidamente outros muçulmanos chegaram. Foi quando iniciaram um ataque à igreja, mas a polícia foi chamada antes de ocorrerem danos maiores.

De acordo com membros cristãos do partido Nacional Democrático, a polícia prendeu 15 coptas e sete muçulmanos.

Fontes locais disseram ao Compass que o promotor local acusou quatro cristãos de assalto, mas nenhuma acusação foi feita contra os muçulmanos, que permanecem presos. Um deles seria um clérigo muçulmano.

Estima-se que os cristãos coptas correspondam entre 7% e 15% da população do Egito. A maioria faz parte da Igreja Ortodoxa Copta.

Fonte: Portas Abertas