Estudos divulgados na internet têm feito com que muitos membros passem a desacreditar na denominação.

Uma reportagem do The New York Times traduzida pela Folha de São Paulo conta que a igreja mórmon tem enfrentado uma onda de dúvidas e decepção entre seus membros, já que a internet oferece materiais que confrontam os ensinamentos da denominação.

O fato tem se proliferado em todo o mundo de acordo com entrevistas realizadas com dezenas de mórmons. Até mesmo uma das principais autoridades da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias na Europa, Hans Mattsson, já revelou ter dúvidas sobre o que ele foi levado a acreditar durante toda a sua vida.

Mattsson passou a ser questionado por crentes suecos que encontraram informações na rede mundial de computadores que contradiziam a história da igreja onde ele era uma autoridade regional. A princípio ele rejeitou as afirmações, mas depois resolveu pesquisar pessoalmente já que seus superiores não lhe deram respostas concretas.

Ao encontrar evidências de que o fundador da igreja, Joseph Smith, foi um polígamo e que o Livro de Mórmon e outras escrituras usadas na igreja continham anomalias históricas, o religioso ficou muito abalado psicologicamente.

“Tudo o que haviam me ensinado e tudo o que eu me orgulhava de pregar e testemunhar simplesmente desmoronou sob meus pés. Foi um trauma psicológico terrível, quase físico”, revelou Hans Mattsson.

Para o historiador mórmon, Greg Prince, que é empresário em Washinton, as dúvidas que Mattsson levou a público fez com que outros mórmons passassem a ter dúvidas sobre suas crenças. “Considere um cardeal católico que, de repente, fala à mídia sobre sua própria igreja: ‘Eu não acredito em muitas dessas coisas’”, exemplificou.

Mas para o professor de inglês, literatura e religião na Universidade de Richmond, na Virgínia, Terryl L. Givens, a religião mórmon é muito nova e por isso tem muito tempo ainda para solucionar os lapsos de sua história.

O porta-voz da denominação, Eric Hawkins, disse que resposta para essas dúvidas “não é tentar calar os críticos, mas fornecer tanta informação e tanto apoio quanto possível para aqueles que podem ser afetados”.

Mattsson, porém, se mostra preocupado com o fato, já que no ano passado uma pesquisa realizada com 3.300 descrentes mórmons revelou que mais da metade dos homens e 40% das mulheres que não são mais da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias ocupavam cargos de liderança.

[b]Fonte: Gospel Prime[/b]