Apesar da melhora de indicadores sociais importantes, como a expectativa de vida e o nível de renda, a estabilização dos indicadores de educação não permitiram um avanço maior do IDH, o índice que sintetiza o nível de desenvolvimento humano do país.

A educação aparece como o “calcanhar-de-aquiles” do Brasil, como aponta o RDH (Relatório de Desenvolvimento Humano), divulgado nesta quinta-feira pelas Nações Unidas.

Por esse motivo, apesar da melhora do IDH brasileiro –que subiu de 0,788 para 0,792– o país no ranking dos 177 países monitorados pelas Nações Unidas (da 68ª posição para 69), entre 2005 e 2006.

Brasileiro vive e ganha mais

Ao mesmo tempo, mesmo nos indicadores sociais em que melhorou, o Brasil ainda perde para muitos países. Segundo as Nações Unidas, a expectativa de vida do brasileiro ao nascer subiu de 70,5 anos para 70,8 anos entre 2003 e 2004 (O IDH sempre se refere a indicadores de dois anos atrás). No entanto, na comparação com o restante do mundo, o Brasil ocupa a 84ª posição no ranking mundial de “longevidade”.

O relatório atribui principalmente à alta do nível de renda do brasileiro a melhora do IDH do país. Esse indicador utilizado o chamado “PIB per capita” (o total da riquezas produzidas pelo país dividida pelo total da população), convertido para dólar. Nesse caso, o PIB per capita brasileiro subiu de US$ 7,949 mil para US$ 8,195 mil. Na comparação com o restante dos países, levando em conta somente o nível de renda, o Brasil ocupa a 64ª posição, num total de 177.

Educação estagna

O relatório das Nações Unidas apontam a pouca ou nenhuma melhora do Brasil nos indicadores de educação como um dos fatores do “atraso” do país no ranking geral do IDH. O organismo internacional acompanha dois indicadores: a taxa de alfabetização de pessoas com 15 anos ou mais e a taxa de matrícula nos três níveis de ensino.

As Nações Unidas mostram que a taxa de alfabetização ficou estável em 88,6% entre 2003 e 2004 no Brasil, enquanto a taxa de matrícula também não oscilou: 85,7%.

No primeiro caso, em uma lista dos países com maior nível de analfabetismo (11,4% no Brasil), o país ocupa a 62ª posição. No segundo caso, na disputa entre os países com maior taxa de matrícula, o país está na 40ª posição.

Brasil melhorou mais que vizinhos

A boa notícia do RDH das Nações Unidas é que o Brasil reverteu uma tendência desfavorável para o país, que já teve indicadores sociais melhores que seus vizinhos da América Latina, mas que vinha perdendo essa “distância” nas últimas décadas.

O nível de vida melhorou para a população dos países vizinhos, e o Brasil acompanhou essa tendência, e em alguns casos, até mais rapidamente.

O IDH brasileiro era superior ao do Peru, por exemplo, em 1975, mas perdia para Colômbia, México e Venezuela. Uma década depois, o IDH do Peru havia encostado no índice brasileiro, que patinava na melhora de seus indicadores sociais.

Em 2000 e 2004, o Brasil recuperou terreno, de modo que o IDH nacional ficou acima do índice peruano, colombiano e venezuelano, mas ainda perdia para o México, para a Argentina e para o Chile, todos com IDH acima de 0,8.

Fonte: Folha Online