Pesquisa qualitativa encomendada pela Justiça Eleitoral ao Instituto Nexus e à Cultura Data mostra que os eleitores brasileiros, em sua grande maioria, acham que os políticos são todos corruptos, e que não fazem nada pelo povo. Você concorda? Participe de nossa enquete.

Segundo os dados, há uma percepção geral de que a classe política não trabalha em benefício da população e visa seus próprios interesses. Para os entrevistados, os políticos são enganadores – prometem muito durante a campanha e não fazem nada daquilo que prometeram – traem e abandonam o eleitor.
Sobre o sistema político brasileiro, a visão não é muito diferente. Os participantes do estudo acreditam que mesmo um político sendo honesto, ele terá que se corromper para se adaptar ao sistema. De acordo com a pesquisa, a mídia parece desempenhar papel preponderante na formação da noção de que “todos os políticos são corruptos”.

A pesquisa foi realizada nos dias 25 e 26 de janeiro deste ano, e aplicada a 12 grupos focais, de sete a dez pessoas, nas cinco regiões do país. Destes grupos, faziam parte eleitores de todas as classes sociais, faixas etárias e escolaridade que, por meio de debates, expressaram suas opiniões sobre os assuntos abordados por um moderador, tendo sempre como pano de fundo a importância do voto.

De acordo com o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o objetivo do estudo é captar o estado de ânimo dos eleitores para adequar as ações da Justiça Eleitoral na campanha “Vota Brasil 2008”.

Perfil do eleitor

Os dados revelam que há, no Brasil, dois tipos de eleitores: os otimistas, que acreditam no poder transformador do voto, e os céticos, descrentes, que percebem o voto como uma perda de tempo, que não muda a realidade.

A pesquisa identificou que os eleitores de perfil otimista, apesar de serem críticos com relação à situação do Brasil, mantêm o patriotismo e percebem o voto como uma arma do cidadão. Já o grupo de pessimistas tende a ser contra a obrigação de votar e vivem a experiência de frustração com o voto.

Em comparação com os dados do levantamento feito em 2006, o posicionamento dos cidadãos está mais definido. Antes, um mesmo cidadão ficava dividido entre os sentimentos positivos e negativos diante da realidade.

Voto

O comportamento segmentado em dois grupos predominantes é confirmado quando avaliados os dados sobre o significado do voto para os participantes da pesquisa. De acordo com o estudo, o voto tem significado positivo para a maioria. Entre as principais qualidades levantadas estão o poder de mudar, a possibilidade de melhora, a responsabilidade, o direito de escolha e o exercício da cidadania.

Mas alguns, em função do ceticismo identificado, atribuem ao voto alguns valores negativos como a obrigação, a escolha baseada na sorte e a sensação de perda de tempo.

Outro sentimento associado ao momento do voto é a insegurança. Dentro da cabine de votação as pessoas se perguntam se a escolha que fizeram é a mais acertada e se o candidato votado vai corresponder às suas expectativas.

O voto obrigatório foi criticado em todos os grupos. Especialmente eleitores mais céticos e descrentes associaram a obrigatoriedade do voto à ineficiência. A opinião desses participantes é de que, na democracia, o voto deveria ser facultativo.

Diferenças regionais

Nas regiões Sudeste e Sul, a maioria acredita que os problemas brasileiros não são responsabilidade exclusiva dos políticos. A conclusão é de que se o povo escolhe, ele também tem sua cota de participação. Para os entrevistados dessas regiões, falta ao povo consciência, interesse e formação para poder votar melhor.

Entre os eleitores dos grupos das regiões Norte e Nordeste, alguns admitiram ter vendido o voto ao menos uma vez. A prática ainda é comum em alguns locais. Mas a noção geral é de que é preciso votar para poder cobrar.

Fonte: UOL