A entrevista do deputado-pastor Marco Feliciano foi concedida ao portal UOL e ao jornal Folha de São Paulo, através do projeto “Poder e Política”.

O pastor evangélico Marco Feliciano, deputado federal (PSC-SP) e presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, participou do “Poder e Política”, projeto do UOL e da Folha conduzido pelo jornalista Fernando Rodrigues. A gravação ocorreu em 1º.abr.2013 no estúdio do Grupo Folha em Brasília.

[b]Narração de abertura:[/b] Marco Antonio Feliciano tem 40 anos. É pastor evangélico e deputado federal por São Paulo. Filiado ao PSC, o Partido Social Cristão, foi eleito em 2013 presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados.

Formado em teologia, Marco Feliciano é autor de livros e músicas relacionadas à religião. Em 2008, na Assembleia de Deus, fundou o seu próprio ministério chamado Catedral do Avivamento.

Em 2010, disputou a eleição para deputado federal por São Paulo. Foi eleito com 212 mil votos, o 12º mais votado entre os 70 deputados eleitos por São Paulo.

Ao assumir a presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, foi acusado de ser homofóbico e racista. Ele nega. Vários grupos de representantes de minorias e até mesmo o presidente da Câmara, Henrique Alves, pediram sua renúncia. Mas Marco Feliciano diz que não deixará o cargo.

[b]Folha/UOL:[/b]Olá internauta. Bem-vindo a mais um “Poder e Política – Entrevista”.

Este programa é uma realização do jornal Folha de S.Paulo e do portal UOL. E a entrevista é realizada aqui no estúdio do Grupo Folha, em Brasília.

O entrevistado desta edição é o deputado Marco Feliciano, do PSC-SP, presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados.

[b]Folha/UOL: Olá, deputado Marco Feliciano. Muito obrigado por estar aqui no estúdio do Grupo Folha. Eu começo perguntando: Muita pressão sobre o sr. para que o sr. saia do cargo de presidente da Comissão de Direitos Humanos. O sr. vai sair ou vai permanecer?
[/b]Marco Feliciano: Primeiramente, quero agradecer a oportunidade que você me dá de a primeira vez, agora, dar uma entrevista séria para um portal sério. E dizer que não há possibilidade nenhuma de renúncia. Não há possibilidade nenhuma de renúncia até porque eu não cometi nenhum crime, eu não passei por nenhum tipo de julgamento, nenhum tipo de tribunal e o que tem acontecido é apenas a força de um grupo da sociedade que luta muito para que eu, debaixo dessa pressão, saia do cargo. Só que pressão é meu sobrenome. Desde criança eu vivi sobre pressão. Eu nasci de uma família pobre e vivi até agora.

[b]Folha/UOL: Nesta terça-feira, dia 2 de abril, haverá uma nova reunião de líderes partidários na Câmara e, supostamente, o sr. seria convidado e seria feito um apelo ao sr.. Se esse convite vier a ser feito, o sr. vai comparecer à reunião e como aceitaria esse apelo?
[/b]Marco Feliciano: Bom, eu não recebi o convite ainda. Eu também fiquei sabendo pelos veículos de comunicação. Eu estou estudando se eu vou atender esse pedido até porque já foram feitos várias reuniões acerca desse assunto e, regimentalmente, não tem o que ser feito. O meu partido, dentro da pluralidade, da proporcionalidade, ficou com a Comissão. Meu partido já se posicionou dizendo que nós não abrimos mão dessa Comissão. Eu já me posicionei dizendo que não abro mão da Comissão. Então, eu não sei o que faria nesse colégio de líderes. E, ali, para ser oprimido, achincalhado por um grupo de pessoas que, na verdade, deveria defender o parlamento e não abrir um precedente como nesse momento está sendo feito, então, eu acho que é muito perigoso.

[b]Folha/UOL: O presidente da Câmara dos Deputados, o deputado Henrique Eduardo Alves, do PMDB-RN, já manifestou algumas vezes a opinião a respeito desse seu caso dizendo que o ideal talvez fosse, não com essas palavras, mas dando a entender isso, que o sr. deixasse o cargo de presidente. O presidente da Câmara acerta ao dizer isso?
[/b]Marco Feliciano: Não. Nesse momento, ele sofre uma pressão. Todos nós sabemos que o presidente, deputado Henrique Alves, chegou à presidência debaixo de muita pressão, debaixo de muita luta. E, como ele é o meu líder ali no Congresso, eu me espelho nele. Até porque essa força, esse vigor que eu estou tendo de suportar essa pressão se inspira nele, como falaram tanto dele, acusaram tanto dele. Tantos jornais falando sobre ele e, mesmo assim, ele permaneceu. Então, eu quero ter a mesma chance que ele teve de permanecer e provar que eu posso fazer um bom trabalho.

[b]Folha/UOL: Ele não deveria ter manifestado a opinião que ele manifestou, na sua opinião?
[/b]Marco Feliciano: Eu não posso dizer isso porque a manifestação de pensamento é um artigo da Constituição Federal e todos têm que ter o direito. Isso até é importante a gente falar até sobre isso porque eu só estou sendo punido pela minha liberdade de expressão que está sendo tolhida nesse momento. E isso não é democracia. É ditadura.

[b]Folha/UOL: Por falar em liberdade de expressão, várias personalidades da sociedade civil brasileira se manifestaram. Muitos artistas contrários a sua permanência como presidente da Comissão de Direitos Humanos. Vou citar alguns aqui: Caetano Veloso, Fernanda Montenegro, Maitê Proença, Wagner Moura. Artistas. O sr., olhando esses artistas que falaram contra a sua permanência, se pegou pensando, talvez, “esse aí eu era até fã desse artista”? O sr. era fã de algum deles?
[/b]Marco Feliciano: Sou fã de todos eles. Inclusive, eu sou cinéfilo, eu amo filmes e gosto da atuação deles e, inclusive, da forma como eles se expressam diante da sociedade. O que eles fizeram nesse momento, esse depoimento deles, foi um depoimento levado por tudo aquilo que eles ouviram falar. Nenhum deles me conhece. Nenhum deles sentou comigo, como você está fazendo, para me ouvir. Nenhum deles conhece o meu histórico de vida. E eu não perturbei muito com isso até porque eles não me representam. Eles vivem num mundo paralelo ao mundo cristão, ao mundo evangélico. O mundo evangélico nosso é um mundo muito nosso. É um mundo diferente. Nós não somos pautados pela mídia. Nós não somos pautados por artistas, até porque os artistas têm o seu estilo de vida. São progressistas por natureza. Acho que uma das máximas do artista é que para ser um ator você tem que esquecer o seu sexo porque o ator encarna o personagem, sendo ele homem ou mulher. Então, nesse momento, pela pressão, por eles terem lido tanto, por terem ouvido falar tanto, eu me tornei uma figura pública da noite por dia. Então foram levados pelo vento. Me deem um tempo para trabalhar e vocês vão ver que as coisas vão mudar. O próprio Caetano, essa semana, em Salvador, na folha mais lida de Salvador, no jornal esqueci o nome, falou sobre isso. Que, coincidentemente, na última quarta-feira, a audiência pública que eu realizei debaixo de protestos, debaixo de luta, era uma audiência pública feita me prol da cidade onde a mãe do Caetano, a dona Canô, que foi uma das maiores brasileiras no Brasil, é a matriarca da cidade. Onde mil pessoas morreram por causa de contaminação de chumbo. E o próprio Caetano parece que agora ele deu uma amenizada. Ele até falou: “Não concordo com o presidente. Mas se a Comissão de Direitos Humanos fizera alguma coisa, vou ser o primeiro a ficar de pé e aplaudir”.

[b]Folha/UOL: O sr., no último fim de semana, esteve em Passo, em Minas Gerais, e, daí, uma notícia da sua apresentação lá dá conta que o sr., mencionando a Comissão de Direitos Humanos, presidida agora pelo sr., disse que, pela primeira vez, alguém iluminado pelo espírito santo está no comando, e que, antes, o colegiado era, entre aspas, “dominado por Satanás”. O sr. referia aos ex-presidentes da Comissão?
[/b]Marco Feliciano: Bom, veja só, eu não disse isso. Tenho gravado a mensagem que eu preguei lá. As pessoas tendem, nesse momento, a me ridicularizar por ser um cristão atuante, por ser um protestante fervoroso. Eu não disse isso em momento nenhum. Disse, sim, que eu sou um homem inspirado pelo espírito santo, e eu creio nisso. Disse que aquela Comissão era regrada por pessoas que tinham um pensamento muito contrário à família brasileira.

Você sabia que, no ano passo, se não me falha a memória, no mês de julho ou outubro, a Comissão de Direitos humanos patrocinou um seminário chamado “Diversidade Sexual na Primeira Infância”. O nome pesa para quem compreende um pouco. Primeira infância é de 0 a 6 anos. E eu tentei ali assistir porque fui hostilizado pelo grupo LGBT que ali estava, ao ouvir uma mulher do MEC e outra pessoa do Conselho de Psicologia Federal, pessoas de autarquias reconhecidas no Brasil, dizerem que criança não nasce homem, nem mulher. Nasce gênero. Como não nasce homem, nem mulher, não se pode tolher o direito da criança quando pequenininha, curiosa, querendo tocar no órgão genital da outra, não se pode impedir. Porque, se você impedir uma criança de fazer isso, ela pode crescer com complexos e pode ser irreversível. E a mulher que estava falando isso termina dizendo assim, sorrindo: “Deixe as nossas crianças brincarem e se descobrirem”. Tem vídeos sobre isso. Então, a Comissão de Direitos Humanos foi usada por isso e, nesse momento, eu me levante contra isso naquele tempo e me tornei, então, como se fosse o inimigo número 1 do movimento que agora me persegue.

[b]Folha/UOL: Mas uma criança, um bebê deve ser proibido tocar num outro bebê nesse caso?
[/b]Marco Feliciano: Veja só. A criança está aprendendo. Se sexo é uma orientação, então vamos cuidar. Não se pode extrapolar os limites e fazer uma criança descobrir antes do tempo aquilo que deve ser descoberto. Sexo não é brincadeira. Eu aprendi isso com a minha mãe e aprendi isso lendo a Bíblia. Ensina o menino no caminho que deve andar e, quando ele crescer, ele nunca vai se desviar dele. Então, tem tempo para tudo. E com criança de 0 a 6 anos, não têm que ouvir essas coisas e nem aprender essas coisas. Cabe ao pai e a mãe a educação do seu filho.

[b]Folha/UOL: O sr. é fundador da Catedral do Avivamento. Poderia explicar como é que o funcionamento da igreja, quando ela foi criada, o tamanho, o número de fiéis, onde ela se encontra?
[/b]Marco Feliciano: Nossa igreja é uma igreja pequena. O nome da minha igreja, na verdade, é Igreja Evangélica Assembleia de Deus de Orlândia. Porque é a cidade onde eu nasci e fundei a igreja lá. Nosso ministério tem pouco mais de quatro anos. Nós temos cerca de 14 ou 15 congregações. A maior congregação comporta 800 pessoas sentadas e a menor comporta 10, 15 pessoas sentadas. Então, é um ministério novo. É uma igreja pequena. Somando todas as igrejas, nós não temos mais que 1000 pessoas porque é um ministério novo. É uma igreja pentecostal.

[b]Folha/UOL: Sempre no estado de São Paulo?
[/b]Marco Feliciano: Sempre no estado de São Paulo, com exceção de uma igreja que nós temos no Rio Grande do Sul, na cidade de Gravataí, e uma outra na cidade de Sacramento, em Minas Gerais, que é bem próxima da divisa de São Paulo. A de Gravataí já era uma igreja que existia e o pastor pediu cobertura espiritual para nós e nós fundimos o ministério.

[b]Folha/UOL: O correto é dizer que é um ministério dentro do âmbito da Assembleia de Deus? É isso?
[/b]Marco Feliciano: Exatamente. A Assemblei de Deus é uma igreja muito grande. Nós temos a convenção geral das Assembleias de Deus, nós temos as convenções estaduais. Eu pertenço a Confradesp, que é a Confraternização das Assembleias de Deus do estado de São Paulo, e pertenço a CGADB, que é a Convenção Geral das Assembleias de Deus. O meu pastor presidente, o líder nacional, é o pastor José Wellington Bezerra da Costa.

[b]Folha/UOL: A Folha de S.Paulo publicou uma reportagem na qual indica que cinco pastores da sua igreja recebem por trabalhos que deveriam prestar ao sr. na Câmara dos Deputados, porém, trabalham apenas na Igreja. Como o sr. responde à isso?
[/b]Marco Feliciano: É muito confortável essa pergunta e até essa, entre aspas, “acusação”. Nossas igrejas funcionam à noite. À noite, depois que o horário do expediente normal de trabalho já terminou. Nós temos dois ou três cultos à noite por igreja. E o meu eleitorado é um eleitorado fiel. Eu tive 211.855 votos segmentados do movimento evangélico. Nada mais justos do que eu ter assessores pastores para lidar com as demandas do povo evangélico. Nossas igrejas, e esses pastores inclusive, todos eles estão aptos para trabalhar na parte de recuperação de drogadependentes. Nós internamos, nesses últimos quatro anos, mais de 100 meninos. Desses, mais de 30 foram recuperados e voltaram para a sociedade e estão hoje com a família. Então, nós temos um trabalho social muito grande. As igrejas funcionam à noite. Pastor não é profissão. Pastor é vocação. E isso não impede que eles sejam meus assessores.

[b]Folha/UOL: Então, o sr. está dizendo que eles, durante o dia, trabalham para o sr. para auxiliá-lo no seu mandato, e, à noite, como pastores na igreja. É isso?
[/b]Marco Feliciano: Exatamente. O cargo pastoral… Tem uma palavra que eu sempre esqueço quando eu vou falar. [O cargo pastoral] é voluntariado. A igreja é movida por pessoas que, de bom grado, vão e prestam o seu serviço à Igreja. Isso por uma vocação divina.

[b]Folha/UOL: Quero falar sobre a arrecadação de dinheiro no âmbito de várias religiões, inclusive na sua. Na internet, há vídeos disponíveis de várias religiões e há, inclusive, com o sr. recolhendo contribuições em dinheiro dos fieis. Tem um caso que é até uma motocicleta que é doada. E a pergunta: Há, às vezes, exagero na coleta do dízimo em algumas religiões?
[/b]Marco Feliciano: Olha, eu posso falar pela minha. A Assembleia de Deus é uma igreja muito equilibrada. Principalmente, na parte de oferta e ofertório. Por isso, é, talvez, a igreja mais respeitada do Brasil no movimento evangélico e, principalmente, pentecostal. Não há, na nossa igreja, nenhuma mácula acerca de ofertório porque nós não hostilizamos a pessoa e nem afrontamos ela. O termo usado em alguns programas de TV contra mim, e alguns jornais, sobre a mercantilização da fé chega a ser cruel.

[b]Folha/UOL: Por quê?
[/b]Marco Feliciano: Porque é uma acusação infundada. Nós pedimos às pessoas como todas as religiões fazem. Todas as igrejas precisam do apoio dos seus fieis para se manter, para pagar o aluguel. Nas minhas igrejas, nós temos ar-condicionado. Então, você dá à pessoa uma espécie de conforto e nós precisamos manter isso. E como é que nós mantemos isso? Através da arrecadação de dízimos e ofertas. E, enfim, isso existe desde que a igreja é igreja. Todas as igrejas, a maioria delas, fazem isso. O problema é que, quando se colocara na internet os vídeos, as pessoas fazem montagem, são maldosas. Aquele vídeo que aparece… Foi por isso que eu me tornei um vilão.

[b]Folha/UOL: O do cartão de crédito? Só para recapitular, é um vídeo no qual o sr. menciona que tem um cartão de crédito à mão, mas diz que o fiel que entregou o cartão, entregou o cartão porém não a senha.
[/b]Marco Feliciano: Pois bem. Agora, veja só. O vídeo foi editado. Eu estava fazendo um ofertório para o maior congresso missionário do Brasil e um dos maiores do mundo, que é o congresso do Gideões Missionários da Última Hora. Gideões Missionários da Última Hora sustentam hoje, fora do Brasil, mais 1200 famílias de missionários. Como a Igreja Católica fazia no princípio mandando os jesuítas, essa comunidade evangélica envia missionários para países onde o evangelho não cresceu tanto. Então, essa entidade sustenta os missionários. Esses missionários têm filhos, eles precisam comer, beber, morar, cuidar de saúde. Essa entidade também cuida de 30 mil crianças no Norte e Nordeste do Brasil, onde dão estudo, onde dão comida a essas crianças.

[b]Folha/UOL: Mas o caso específico do cartão…
[/b]Marco Feliciano: Então, foi nesse evento. Aquela oferta estava sendo levantada para isso. E como eram muita gentes, nós tínhamos ali cerca de 30 mil, 40 mil pessoas, eu recebi o cartão e chamei a pessoa pelo nome que a pessoa deu o cartão. Por três vezes eu a chamei para devolver o cartão. Como a pessoa não vinha, eu brinquei. A gente faz isso. Eu tenho uma veia humorística também. Nós não somos só centrados e fechados. Nós temos humor. E eu brinquei. Falei assim, ó: “Não adianta dar o cartão sem a senha porque, aí, não funciona”. Foi apenas isso que eu disse. Foi uma brincadeira, um momento de descontração. Eu tenho o vídeo do garoto do cartão, que veio, me procurou porque ele se viu na internet, na televisão, e me deu um depoimento. Se você quiser, depois eu posso mandar. Dizendo o que aconteceu na vida dele depois daquilo.

Então, isso foi uma mera especulação. Foi de uma baixeza sem tamanho as pessoas tentarem expor alguém ao ridículo por causa disso.

[b]Folha/UOL: O que é o seu relacionamento com líderes evangélicos de outras religiões? Por exemplo, vou citar alguns muito conhecidos: Edir Macedo, da Igreja Universal, Silas Malafaia, que é da Assembleia de Deus também, Valdomiro Santiago, da Igreja Mundial do Poder de Deus. O sr. se relaciona com eles? Os conhece? E o que acha deles?
[/b]Marco Feliciano: Veja só. Eu os conheço pela internet. Conheci o apóstolo Valdomiro quando ele esteve aqui, em Brasília, no plenário. Conversamos alguns minutos e, para a minha alegria, ele disse que os obreiros dele, os pastores, assistem os meus DVDs. O pastor Silas Malafaia é um grande líder assembleiano. Também é um pastor muito polêmico. Nós já estivemos pregando em alguns eventos juntos. Tivemos algumas divergências teológicas, mas é um homem que me respeita e eu respeito muito. Bispo Macedo é um grande líder. É um líder de um movimento neopentecostal. Também temos divergências teológicas, mas, em Cristo, mais são as coisas que nos untem do que nos separam. Mas eu não tenho convivência com eles.

[b]Folha/UOL: O sr. falou que o Edir Macedo é líder de um movimento neopentecostal. No caso da sua igreja, especificamente, e do seu ministério, o sr. se classificaria como neopentecostal?
[/b]Marco Feliciano: Não, não. Nós somos pentecostais.

[b]Folha/UOL: Tá certo. Igreja Católica. O sr. tem algum relacionamento com algum líder da Igreja Católica? E o que acha da ação da Igreja Católica?
[/b]Marco Feliciano: Veja só. Eu tenho, nesses últimos anos como deputado, ou nesses últimos dois anos, eu conheci algumas pessoas do movimento da Igreja Católica. Inclusive, na última audiência pública, tinha um padre, um polonês que é daqui de Brasília, tem um paróquia muito bonita aqui. Ele é um ferrenho lutador contra o aborto. E, como eu me tornei alguém que defende a vida, que é contra o aborto, fizemos um pacto, uma aliança. Tenho alguns contatos com algumas pessoas da CNBB, mas com os grandes líderes do movimento católico não tive contato até porque quase não tenho tempo. Acredito que, nesse momento, todos eles me conhecem até porque o que eu sofro hoje de perseguição dado ao movimento LGBT, a Igreja Católica sofre isso no mundo todo. Inclusive, o novo papa, o papa Francisco, na Argentina quase foi linchado por esse grupo. Então, nós temos algumas coisas que, acredito, nos fazem pensar igual.

[b]Folha/UOL: O novo papa da Igreja Católica, o papa Francisco, agradou ao sr.?
[/b]Marco Feliciano: Veja só. Ele não é o meu líder. É um líder de uma grande igreja. O pensamento dele comunga com o meu. Então, nesse quesito, eu fiquei feliz por termos ali um papa que ainda é bem ortodoxo, é bem conservador e que prima por aquilo eu acredito também, que a família é a base da sociedade. Aliás, a família é antes da sociedade. A família é antes do estado. Então, nós não podemos destruir a família. Se você destruir a família, você destrói a sociedade, destrói o estado. Isso já aconteceu em outras civilizações. Então, existe uma proteção. É preciso ter o contraponto e o contraditório.

[b]Folha/UOL: O sr. acha que existem religiões mais certas do que as outras? E religões até erradas, que pregam coisas erradas?
[/b]Marco Feliciano: Olha. Eu sou um teólogo. Eu estudei em muitas igrejas, muitas religiões. Eu evito falar das outras. Eu tento fazer alguma coisa boa com a minha. A minha religião, o cristianismo, tem várias vertentes, É como uma grande árvore. Jesus é o tronco, a raiz, né? E os galhos são as ramificações. Na fritada dos ovos, todos falam da mesma coisa. Queremos o céu, queremos o bem estar da pessoa aqui. Acreditamos que existe o certo e o errado. E lutamos pela condescendência dos bons pensamentos, dos bons costumes.

[b]Folha/UOL: Islamismo.
[/b]Marco Feliciano: Islamismo é uma religião muito forte. E é uma religião, nesse momento eu até pensei, que nós do ocidente precisamos pensar um pouquinho mais acerca deles. Você nunca vai ver ninguém fazer com alguém do Islã o que estão fazendo comigo. E olha que o Islã tem uma condenação sobre o ato, por exemplo, da homossexualidade ferrenha. Eles tratam a ferro e fogo. Inclusive, punem com a morte.

[b]Folha/UOL: É correto?
[/b]Marco Feliciano: Não. Jamais. A vida é um dom. Só quem deu foi Deus e quem pode tirar é Deus.

[b]Folha/UOL: O Islã, nesse caso, erra, na sua opinião?
[/b]Marco Feliciano: Erra. Erra porque ferem o ser humano. Mas, voltando, naquele pensamento, você nunca vai ver alguém se levantar contra o Islã. O movimento LGBT jamais vai bater de frente com o Islã porque sabem que o Islã, embora sejam crentes na sua fé, eles defendem com a mesma arma aqueles que o condenam. Se for preciso, eles vão para as vias de fato. Coisa que um cristão jamais vai fazer. Nós, crentes… As pessoas perguntaram: “Você está sozinho nessa luta?” Não, não estou. Eu tenho, pelo menos, 50 milhões de evangélicos orando por mim. A arma do crente é essa, ele ora. Ele fala com Deus e não parte para a briga, nem para o grito, nem para a histeria.

[b]Folha/UOL: Judaísmo.
[/b]Marco Feliciano: A religião tem os seus fundamentos no judaísmo. O princípio da religião cristã, inclusive antes de Paulo aparecer no cenário contemporâneo da Igreja, o cristianismo fundado e liderado por Pedro era um cristianismo judaico, um judaísmo cristão. Foi Paulo que veio com essa vertente e desvinculou, de fato, o cristianismo do judaísmo. Mas o judaísmo e o cristianismo têm a mesma base, o mesmo profeta principal, que é Abraão, né? Então, nós temos muita similaridade, respeito ao judaísmo.

[b]Folha/UOL: Tem algum aspecto do judaísmo, como o sr. mencinou no caso do Islã, que o sr. acredita que não seja o mais correto?
[/b]Marco Feliciano: Não. No judaísmo eu vejo muita similaridade com o cristianismo e respeito muito.

[b]Folha/UOL: Um pouco de política. O sr. mencionou recentemente, em uma de suas várias entrevistas, que descobriu nesse episódio como integrantes do PT “traem com facilidade”, a sua frase reproduzida. E mencionando, aí, que, inclusive, foi uma das poucas vozes que apoiou a candidatura da então pretendente ao Palácio do Planalto, Dilma Rousseff, em 2010. E que, talvez, em 2014, a situação vai ser outra. O que o sr. quis dizer com PT trair com facilidade e sobre 2014?
[/b]Marco Feliciano: Veja só. Talvez na troca de interesse do jogo político, os meios acabam justificando os fins. Eu fui procurado no segundo turno da presidente Dilma porque tive uma expressiva votação no estado onde ela não era maioria até então.

[b]Folha/UOL: Em 2010?
[/b]Marco Feliciano: Em 2010. Naquele momento em que pesava era a situação do aborto. E os dois candidatos, tanto Dilma, quanto José Serra, ambos tinham pensamentos polêmicos acerca do aborto. Então, nós ficamos entre a cruz e o punhal. Ao sentar com a liderança que me procurou do PT, eles disseram que Dilma assinaria um documento…

[b]Folha/UOL: Quem foi?
[/b]Marco Feliciano: Quem me procurou na época foi um pessoal de São Paulo mesmo, um grupo de deputados. Eu gostaria de não citar os nomes, se me permitir. Me procuraram e me disseram que a presidente estava disposta a sentar com o movimento evangélico e assinar um documento. Uma carta dizendo que, durante o seu governo, essa questão do aborto não passaria. E foi ela que assinou o documento. Então, por aquele momento ter os dois que pensavam sobre o aborto e ela assinando o documento dizendo que durante o seu governo o aborto não seria tratado, fiquei com ela. Criei, na época, uma central de inteligência via internet. Disparei quase 10 milhões de e-mails para todo o Brasil. Vesti a camisa, coloquei “Sou Dilma”, né? E, de repente, dois anos e meio depois, temos aí essa problemática criada num jogo político. Porque o meu partido não escolheu a Comissão de Direitos Humanos. Eu não escolhi ser o presidente da Comissão de Direitos Humanos. A Comissão de Direitos Humanos foi abandonada pelo grupo que cuidou dela a vida toda, que era o PT. Mas, quando eles viram que perderam a comissão para um partido de posicionamento pela família, que é o PSC, que é, talvez, hoje um dos únicos partidos que tenha bandeira… Queria até deixar isso bem claro. O PSC hoje é um partido que tem ideologia. Que luta por uma coisa que acredita. Isso tem que ser respeitado nesse país. E, quando isso aconteceu, simplesmente, o PT pegou um grupo dos seus deputados e veio contra mim. E vieram contra mim de maneira violenta. Usando a tribuna da casa, me acusando de algo que eu não sou. Alguns, agora, já não estão nem mais acusando, estão afirmando. E isso é crime. Me chamar de racista, de homofóbico, isso é crime. Então, eu venho suportando isso já há quase 30 dias. Não sou homem de briga nesse quesito. Não fui para a tribuna desabafar. Não fui para a imprensa jogar o nome de pessoas porque, nesse meio político, eu tenho descoberto que muita gente tem o telhado de vidro e esquecem o seu telhado para jogar pedra no telhado dos outros. Eu não fui condenado em nenhuma instância. Eu não fui julgado por nenhum tribunal. Eu estou sendo acusado por ter a minha livre liberdade de expressão, de opinião, de pensamento tolhido nesse momento porque, sendo brasileiro, não posso me expressar. Eu fui traído nesse quesito. Me deixaram sozinho. Eu tentei entrar em contato com algumas pessoas do governo que até uma semana antes me atendiam, como alguns ministros.

[b]Folha/UOL: O sr. poderia citar alguns?
[/b]Marco Feliciano: Ministra Gleisi Hoffmann [da Casa Civil], com quem eu tenho muita amizade. Logo que aconteceu isso, minhas audiências foram desmarcadas. Enviei um e-mail à ministra. A ministra me respondeu o e-mail dizendo que… Eu pedi a ela para que falasse com o seu partido para que cuidasse desses deputados, que eles estavam criando uma celeuma. Eu antevi o que ia acontecer.

[b]Folha/UOL: Como é que ela respondeu, deputado?
[/b]Marco Feliciano: Ela respondeu bem educadamente dizendo que esse era um problema do Congresso Nacional e que o Executivo não poderia se meter nesse momento. E, aí…

[b]Folha/UOL: Acha que ela foi tímida na resposta?
[/b]Marco Feliciano: Não. Eu acho que ela pensou exatamente como pensam as pessoas inteligentes: No ano que vem. Uma briga comigo significa uma briga com o movimento evangélico porque eu fui o evangélico mais votado do país inteiro.

[b]Folha/UOL: Mas ela não deu apoio ao sr., o sr. está dizendo.
[/b]Marco Feliciano: Não entendi.

[b]Folha/UOL: Ela não o apoiou agora.
[/b]Marco Feliciano: Sim. Ela não apoiou, mas, também, não desapoiou. Ela disse que era um problema do Congresso Nacional. Ou seja, o Executivo, a parte dela, não poderia fazer nada, né? Sei que poderia. Então, nesses quesitos todos, eu me senti traído, sim.

[b]Folha/UOL: Então, deixe eu entender. O sr. ficou satisfeito ou insatisfeito com a reação da ministra?
[/b]Marco Feliciano: Insatisfeito porque eu esperava um pouquinho mais de condescendência. Eu esperava que, pelo…

[b]Folha/UOL: Apoio explícito, o sr. quer dizer?
[/b]Marco Feliciano: Exato. Não apoio explícito, mas pelo menos que se marcasse uma reunião, por exemplo, com o ministro Gilberto Carvalho [da Secretaria Geral da Presidência da República]. Ou então, com a própria presidente. E pedisse para que esses deputados que brigavam agora, nesse momento, criando uma celeuma na articulação política… Porque o problema ali é político. Eu fui eleito pelo voto popular. Eu fui eleito pelo voto do colegiado. Não cometi crime nenhum e estou sendo linchado publicamente e instigado por militantes do PT.

[b]Folha/UOL: A essa altura, o sr. diria que as chances de evangélicos como o sr., que exerce uma liderança sobre um grupo, estão mais propensos ou menos propensos a apoiar a reeleição da presidente Dilma?
[/b]Marco Feliciano: Olha, eu ainda não cheguei a essa conclusão. Todavia, eu tenho viajado o país inteiro. Ontem, por exemplo, eu estava em Rondônia, falei para um público de 15 mil pessoas, e os pastores se organizaram e pediram uma palestra no domingo pela manhã, e eu reuni 300 lideranças no estado de Rondônia. Rondônia é um estado que tem, hoje, quase 40% da sua população evangélica. E não estavam ali só membros da Assembleia de Deus. Estavam ali membros de todas as denominações daquele estado. E quando eu dei o depoimento e mostrei o que eu estou passando e o que está acontecendo, os pastores se levantaram com o manifesto, vão começar a chegar cartas aqui, no Congresso Nacional. A igreja em Rondônia vai se mobilizar e começar a colocar o povo na rua, porque se é isso que os militantes do outro grupo fazem, colocam 20, 50, 200 pessoas na rua e a imprensa toda tira foto e coloca a deles na primeira página, se é público que eles querem ver, nós temos 50 milhões no país. Eu pedi, na época, à ministra Gleisi para interceder para que isso não acontecesse. Para que não houvesse uma guerra.

[b]Folha/UOL: Quando o sr. espera manifestações assim, de massa, ao seu favor?
[/b]Marco Feliciano: Quando?

[b]Folha/UOL: É. Elas estão sendo, de fato, organizadas já?
[/b]Marco Feliciano: Muitas pessoas já estão se mobilizando. Muitos líderes já estão se levantando.

[b]Folha/UOL: Tem alguma data marcada?
[/b]Marco Feliciano: Não. Ainda não. Deve ser por esses próximos dias. Nós temos aí grandes lideranças, como o pastor…

[b]Folha/UOL: Virão à Brasília? Como vai ser?
[/b]Marco Feliciano: Vai começar por isso. Eu vou deixar aqui um ponto de interrogação para que as pessoas esperem. Daqui duas semanas, por exemplo, aqui em Brasília, nós vamos ter a Convenção Geral das Assembleias de Deus. 24 mil pastores da Assembleia já estão inscritos. Aqui em Brasília.

[b]Folha/UOL: O sr. espera o apoio deles?
[/b]Marco Feliciano: Não. Eles já estão me apoiando. Só que a nossa maneira, o nosso manifesto é diferente. Nós não nos manifestamos com grito, com pulo, com xingamento, com a opressão. Nós nos manifestamos de maneira pacífica e bem equilibrada.

[b]Folha/UOL: O sr. diria que, dos pré-candidatos já apresentados à presidente, a presidente Dilma Rousseff, candidata a reeleição, há outros três, pelo menos, sempre citados: Aécio Neves, do PSDB, Eduardo Campos, do PSB, e Marina Silva, ainda de um partido em formação, a Rede. Desses quatro, qual teria, ao seu juízo, mais condições de, talvez, atrair o seu apoio?
[/b]Marco Feliciano: Veja só. Como eu te disse, eu ainda estou pensando em tudo isso. No meio desse fogo cruzado, eu ainda não tive tempo, ainda, para analisar o perfil de dois, pelo menos, desses candidatos, que eu não conheço muito bem. Mas o perfil da Marina Silva eu conheço. Marina é evangélica. E a presidente Dilma, pelo menos até nesse momento, mesmo não tendo se pronunciado publicamente, tem atendido as demandas dos evangélicos, como na questão do “kit-gay”. Agora mesmo, o ministro Padilha [Alexandre Padilha, ministro da Saúde] mandou arrancar uma cartilha que havia sido, segundo ele, liberada para a população. E era uma cartilha que feria os princípios e um acordo que tínhamos antes entre a bancada evangélica. Então, existem algumas ramificações do PT que têm trabalhado e cumprido aquilo que prometeram. Então, nesse momento, como eu disse, 2014 será um momento de decisão. Eu ainda não sei o que vou fazer.

[b]Folha/UOL: O sr. está menos certo do que estava a respeito de apoiar [o governo atual]?
[/b]Marco Feliciano: Com certeza. Com certeza. Depois desse momento que eu tenho passado, eu estou revendo e conversando com a minha equipe. Eu tenho conselheiros e tenho sentado com pastores de renome no país, como o pastor Silas Malafaia, como o Bispo Manoel Ferreira e outros grandes líderes e nós estamos repensando muito bem no que fazer no próximo ano.

[b]Folha/UOL: E este “o que fazer” inclui apoiar ou não apoiar a reeleição de Dilma.
[/b]Marco Feliciano: Exatamente.

[b]Folha/UOL: Essa é uma hipótese que, até recentemente, não era uma questão?
[/b]Marco Feliciano: Não, porque vinham sendo cumprido os acordos, não é? E a presidente Dilma tem feito um bom trabalho. Nós não podemos negar isso. Ela tem feito um bom trabalho com a população. Principalmente, a população mais pobre e essa é uma vertente do cristianismo.

[b]Folha/UOL: Que dia que vai ser o encontro das Assembleias de Deus aqui em Brasília?
[/b]Marco Feliciano: A convenção vai ser a partir do dia 8 de abril, se não me falha a memória.

[b]Folha/UOL: Já agora.
[/b]Marco Feliciano: Agora, já. E vão vir para cá 24 mil pastores.

[b]Folha/UOL: E o sr. acredita que esse tema de apoio no ano que vem talvez possa ser mencionado nessa reunião?
[/b]Marco Feliciano: Eu acredito que sim.

[b]Folha/UOL: Possa emergir ali?
[/b]Marco Feliciano: Eu acredito que sim.

[b]Folha/UOL: Entendi. Tem convidado algum dos pré-candidatos para esse evento?
[/b]Marco Feliciano: Não, porque é um evento nosso. Nós também temos uma presidência. Então, nós vamos votar a presidência geral das Assembleias de Deus.

[b]Folha/UOL: Eu queria fazer algumas perguntas rápidas agora para o sr. sobre os temas polêmicos no que diz respeito a suas convicções sobre comportamento e costumes.
[/b]Marco Feliciano: Pois não.

[b]Folha/UOL: Mulheres. O sr. já criticou o direito das mulheres trabalharem, o direito de elas não desejarem ter filhos. Na sua concepção, todas as mulheres devem casar e ter filhos?
[/b]Marco Feliciano: Bom, primeiramente, foi muito bom tocar nesse assunto. Você foi o primeiro jornalista que me pergunta isso. Eu nunca dei essas declarações. Isso foi divulgado num jornal, lá no estado do Rio de Janeiro, foi publicado, inclusive, quase que anonimamente. Não tinha nenhum repórter que assinasse o artigo. A minha equipe procurou e, quando encontrou, a pessoa gaguejou porque ela não tinha nada escrito, não tinha nada gravado. Ou seja, esse texto foi um texto apócrifo e a militância usou isso para, mais uma vez, me rotular. Além de racista, homofóbico, agora, machista. Então, isso não existe.

[b]Folha/UOL: Então, esclareça.
[/b]Marco Feliciano: Na minha concepção, eu tenho a concepção família. Mulher é, para mim, a criatura mais linda que Deus criou nesse nosso mundo. Veio para ornamentar o mundo e ornamentar a vida do homem. E, ambos, parceiros. A Bíblia diz que Deus fez a mulher da costela…

[b]Folha/UOL: Mas essa sua frase “a mulher veio para ornamentar a vida do homem” não contém uma carga machista?
[/b]Marco Feliciano: Não, eu vou explicar por que. Porque pela Bíblia, Deus criou primeiro a vida do homem. O homem, o sexo masculino, foi o primeiro a ser criado.

[b]Folha/UOL: O sr. é criacionista?
[/b]Marco Feliciano: Sou criacionista. E viu Deus que o homem estava só. E aí, diz a Bíblia: “E Deus, então, fez para o homem a mulher”. Só que quando Deus fez a mulher para homem, Deus fez a mulher da costela. Ou seja, para andar ao lado do homem. Para estarem juntos, para ambos buscarem os seus direitos e ambos acreditarem e construírem uma vida.

[b]Folha/UOL: As mulheres devem casar, todas elas, e terem filhos?
[/b]Marco Feliciano: Olha, eu não posso falar por todas. Mas é a experiência do segmento da existência e da vida. Mulher é o único ser do mundo que pode gerar filhos. Pelo menos entre nós, seres racionais. O homem não gera filhos. Quem gera filhos é mulher. Se a mulher não gerar filhos, acaba a humanidade.

[b]Folha/UOL: As mulheres podem ou devem trabalhar, ainda que sejam casadas e tenham filhos?
[/b]Marco Feliciano: Mas é claro que sim. A Bíblia Sagrada fala que, quando Jesus ressuscitou do túmulo, foram as mulheres que foram ali prestar um serviço de cuidar. As mulheres foram que propagaram o evangelho. Então, a minha fé não é uma fé machista. Mulher tem que ter os seus direitos. Inclusive, na minha igreja, nós temos pastoras. E há um segmento evangélico que não aceita pastoras. Então, nós temos isso.

[b]Folha/UOL: Qual é a sua opinião sobre legalizar a atividade de profissionais do sexo no Brasil, como, por exemplo, prostitutas?
[/b]Marco Feliciano: Sou contrário a isso.

[b]Folha/UOL: Por quê?
[/b]Marco Feliciano: Porque seria muito inviável ao Estado, inviável às famílias… Eu, principalmente, penso eu como pai. A minha filha chegar em mim e falar assim: “Papai, escolhi a minha profissão. Eu quero ser prostituta”.

[b]Folha/UOL: Mas não há um livre arbítrio das pessoas decidirem o que vão fazer?
[/b]Marco Feliciano: Livre arbítrio, sim, mas tem tantas outras coisas que podem ser feitas que não a venda do seu corpo, que isso é imoralidade. A sociedade conservadora ainda enxerga isso como algo imoral.

[b]Folha/UOL: Mas essa profissão existe de fato, deputado. O que fazer com ela? Ela não vai acabar.
[/b]Marco Feliciano: Não é uma profissão aceita. Ela é ilegal. Mas legalizá-la, dar a benção do Estado sobre isso, seria chamar o nosso Estado de anarquia. E eu não aceito isso. Esse é o meu pensamento, é a minha expressão. Imagine você legalizar uma casa de prostituição. Hoje nós já temos um problema grave.

[b]Folha/UOL: Elas já existem, deputado.
[/b]Marco Feliciano: Sim, mas quantas pessoas hoje já sofrem com o tráfico de mulheres? Com o tráfico de sexo que envolve crianças de 12, 13 anos que são envolvidas nisso? Se legalizar isso, o que vai ter é uma máfia por trás disso para poderem pegar essas meninas de 12, 13 anos, criar um documento dando a elas a emancipação e coloca-las nessa vida de criminalidade. Isso abrir-se-á um precedente que vai ser difícil voltar atrás. Eu sou contra isso.

[b]Folha/UOL: Recentemente, organização dos médicos soltou um documento dizendo-se favorável a dar a mulher o direito de decidir sobre manter ou não uma gravidez até 12ª semana de gestação. Permitir livremente o aborto. Isso é uma opinião de médicos no Brasil. O sr. acha que os médicos, nesse caso, acertam ou erram?
[/b]Marco Feliciano: Houve um tempo que alguns médicos… Alguns, digo isso, porque tem muitos médicos que são contrários a isso. Alguns médicos pensavam que eram Deus. Nesse momento, alguns médicos declaram ser Deus. 12ª semana, estamos falando de um bebê com três meses de idade. Um bebê que já tem sentimentos, que recebe da mãe a vida. E já sente dor. Abortar uma criança de três meses, isso é crime, isso é assassinato. Isso é assassinato. A questão de aborto não é uma questão…

[b]Folha/UOL: Mesmo quando a mulher foi, digamos, violentada?
[/b]Marco Feliciano: Eu sinto muito por ela ter sido violentada, estuprada. Vivemos num mundo cão, vivemos num perverso. A sociedade tem a sua parcela de culpa nisso. Esses tarados inveterados se alimentam de visões, se alimentam de histórias liberadas. A pornografia está explícita em todos os lugares. As músicas acabam levando as pessoas à extrema sensualidade. E algumas pessoas têm a sua deficiência hormonal nisso e acabam ficando loucos. Eu sinto muito pela menina que foi violentada, pela mulher. Mas o que foi gerado dentro dela não tem culpa disso. É uma vida. É uma criança. Se ela não quer cuidar da criança, existe uma fila imensa de pessoas que querem adotar essas crianças. Dê a luz e dê essa criança para que alguém possa cuidar dela, mas não assassine. Não aborte.

Eu sou filho de uma mulher que, por causa dada à pobreza… A minha mãe… Houve um tempo na vida dela em que ela tinha uma pequena clínica de aborto. Uma clínica clandestina. Eu cresci no meio disso. Eu vi mulheres perderem o seu bebê assim e fiquei traumatizado por isso. Eu vi fetos serem arrancados de dentro de mulheres. Isso é uma tortura. Não se faz isso. Não se faz isso. A vida é um dom de Deus. Só Deus dá e só Deus tira.

[b]Folha/UOL: Racismo. Uma das principais acusações contra o sr. é de que o sr. seria racista por conta, sobretudo, de uma frase que o sr. escreveu no microblog Twitter que eu repito aqui, entre aspas: “Africanos descendem de ancestral amaldiçoado por Noé. Ponto. Isso é fato”. Fecham aspas. Como o sr. explicaria essa frase?
[/b]Marco Feliciano: Eu expliquei que o fato é que os africanos descendem de um filho de Noé que havia recebido uma maldição patriarcal. Esse é o fato. Não tem como fugir disso. Você me permite ler? Eu trouxe até aqui, eu sabia que você ia me perguntar isso. O grande Castro Alves, um dos maiores poetas abolicionistas do Brasil, levantou uma problemática em seu poema. Olha só o que ele diz em seu poema “Vozes d”África”. [lê em sem smartphone] “Foi depois do dilúvio… um viadante, / Negro, sóbrio, pálido, arquejante, / Descia do Arará… / E eu disse ao peregrino fulminado: / “Cam!””, que é o filho de Noé, “”… serás meu esposo bem-amado… / – Serei tua Eloá…” / Desde este dia o vento da desgraça / Por meus cabelos ululando passa / O anátema cruel. / As tribos erram do areal nas vagas, / E o nômade faminto corta as plagas / No rápido corcel. / Vi a ciência desertar do Egito… / Vi meu povo seguir – Judeu maldito – / Trilho de perdição. / Depois vi minha prole desgraçada / Pelas garras d”Europa – arrebatada – / Amestrado falcão!…” Um abolicionista cita o que eu citei. Um filho de Noé que desce aqui do dilúvio e que tem a cor da sua pela negra e que corre sobre ele algumas desgraças em forma de maldição. E, nem por isso, ele é racista.

[b]Folha/UOL: Mas veja só: as circunstâncias e as conjunturas vão mudando conforme a sociedade vai evoluindo. Recentemente houve, inclusive, uma polêmica sobre livros de Monteiro Lobato, o sr. deve ter acompanhado, se eram ou não eram racistas, histórias do Sítio do Picapau Amarelo…
[/b]Marco Feliciano: Que, cá para nós, isso é uma coisa horrível.

[b]Folha/UOL: …conforme vão evoluindo os povos e as sociedades, os conceitos também, as interpretações mudam. Nesse caso específico, ao citar essa frase que aos olhos de outros pode ter conteúdo racista, o sr. deveria ter um cuidado talvez maior ao citá-la, para não permitir que ela ficasse fora do contesto?
[/b]Marco Feliciano: Eu jamais pensei que isso aconteceria, até porque eu estava falando no Twitter. E um homem que fala 140 caracteres não pode ser medido só por isso. Para ser racista, você tem que ter um histórico…

[b]Folha/UOL: Se fosse hoje, como o sr. escreveria?
[/b]Marco Feliciano: Escreveria da mesma forma, só que imploraria para as pessoas [que] “a frase não termina aqui”. Cortaria umas três ou quatro palavrinhas, assim “continua”. E continuaria escrevendo embaixo. Porque da outra vez, eu estava citando pensamentos filosóficos, citei várias vertentes, incluindo essa. E terminei dizendo que toda maldição foi quebrada na cruz de Cristo. Ou seja, não há mais maldição nenhuma. Eu apenas citei que toda maldição podia ser quebrada na cruz de Cristo. Mas a maldade está nos olhos de quem lê, Fernando. As pessoas viram maldade nisso, eu sei quem foi. Foi um grupo de pessoas que ficam na internet, são pagos para isso, um grupo de militantes…

[b]Folha/UOL: Quem são eles?
[/b]Marco Feliciano: O movimento GLBT, isso não tem dúvida nenhuma. Já procurei. Nós temos os IPs deles, nós temos tudo isso catalogado. Eles pegam tudo o que eu falo, eles pinçam e jogam de maneira a me denegrir.

[b]Folha/UOL: Essas pessoas, o sr. pretende buscar alguma reparação na Justiça?
[/b]Marco Feliciano: Olha, eu poderia fazer, poderia fazer. Mas não sei se vale a pena. Porque eles acabaram empesteando o país inteiro com esse pensamento. Acabaram sendo maldosos.

[b]Folha/UOL: Quem acabou empesteando?
[/b]Marco Feliciano: O grupo, esse movimento GLBT. Procure nas ruas, as fotos das pessoas que são contra o “racista” aqui, entre aspas. Veja se você encontra. São só movimento GLBT. Eu li agora, nessa semana, se você me permite citar aqui, isso me trouxe conforto. Porque eu descobri que eu não sou o único que sou perseguido. O Prêmio Nobel da Paz, você deve conhecer muito ele, o Lech Walesa… Lech Walesa nessa semana escreveu assim na imprensa mundial: “homossexuais perseguem e castigam os héteros”. Ele foi impedido de dar uma palestra nos Estados Unidos porque ele teve o pensamento contrário ao movimento. Pergunte à sua colega de profissão, a Raquel, aquela menina do SBT, Rachel Sheherazade… O que aconteceu com ela quando ela se posicionou sobre a democracia! Ela não falou sobre o pastor. Ela falou sobre a democracia e estão caçando ela. Pergunte à Rede TV! o que aconteceu com eles há dois anos atrás, quando num programa de brincadeira falaram alguma coisa sobre homossexuais, o movimento LGBT entrou no Ministério Público e o Ministério Público tirou por 24 horas essa emissora do ar. Nem na Venezuela de Hugo Chávez tiraram uma emissora do ar por isso. Pergunte, só para concluir, ao reitor da Universidade Mackenzie, uma das maiores universidades do nosso país, o que aconteceu com eles há dois anos atrás quando ele se posicionou contra o casamento homossexual. Depredaram a universidade.

Então existe uma ditadura chamada, que eu coloco o nome dela aqui, já citado, Olavo de Carvalho fala muito sobre isso, “gayzista”. Eles querem impor o seu estilo de vida e a sua condição sobre mim. E eles lutam contra a minha liberdade de pensamento e de expressão. Eles lutam pela liberdade sexual deles. Só que antes da liberdade sexual deles, que é secundária, tem que ser permitida a minha liberdade intelectual. A minha liberdade de expressão. Eu posso pensar. Se tirarem o meu poder de pensar, eu não vivo. Eu vegeto e morro.

[b]Folha/UOL: Deixe-me fazer outra pergunta agora sobre costumes e suas convicções a respeito de gays. O sr. me corrija, mas até onde eu vi vídeos na internet o sr. sugere que a Aids é uma doença gay. No entanto, há muitos heterossexuais com o vírus da Aids. Por que a Aids seria uma doença gay?
[/b]Marco Feliciano: Quando eu citei isso, eu estava em um momento de muita pressão, muita pressão por esse grupo. Eles acabam destruindo a paz de qualquer ser humano. Eles perseguem a minha família, perseguem minhas filhas. Eu tenho crianças. E naquele momento eu falava sobre por que as pessoas não falavam mais de Aids no Brasil. Ora, Aids desapareceu, Fernando? A Aids não desapareceu. Pegue a última declaração do ministro Padilha (Alexandre Padilha, da Saúde) sobre a Aids, ele vai dizer [que] a Aids cresceu no país nos últimos dois anos em 50%. Desses 50% o grupo que corre risco mais mete medo no Ministério da Saúde é o grupo de homossexuais. Eles ainda são o grupo de risco mais perigoso e que acabam passando esse vírus com mais facilidade.

Luiz Mott num programa do Jô Soares disse assim, que ele, em pouco mais de 10 ou 15 anos teve 500 parceiros homossexuais. O estilo de vida homossexual é perigoso. Então, vou continuar dizendo… A princípio, quando ela [a Aids] chegou no nosso pensamento, no nosso Brasil, no ocidente, veio como sendo, e não fui eu quem coloquei esse título, procure na internet e vocês vão encontrar, a Aids era uma doença gay. Sabemos que hoje o grupo aumentou, não são apenas os gays que propagam a Aids, nós temos aí o problema com drogas, os usuários de drogas etc.

[b]Folha/UOL: Foi um momento de descuido?
[/b]Marco Feliciano: Isso. Eu falei ali no fervor do momento, eu estava emocionado, pode pegar as palavras, o vídeo, você vai ver isso. Eu estava tentando dar uma declaração, dizendo que esse movimento, eles se protegem tanto, que ninguém pode falar nada e ninguém mais fala de Aids no país. Porque quando fala de Aids lembra-se de homossexuais.

[b]Folha/UOL: Deixe-me fazer uma pergunta, deputado, o sr. é um líder religioso. E um líder tem responsabilidade sobre o que fala. Todos têm, mas o sr., que fala para tantas pessoas… O caso daquela frase no Twitter [sobre a África] talvez pudesse ter colocado aquela observação, “continua”. O caso, agora da Aids, doença dos gays, talvez pudesse ter sido um pouco mais comedido ao falar. O sr. não se excede com muita frequência?
[/b]Marco Feliciano: Veja só, são dois assuntos. Foram dois momentos. O assunto dos gays e o assunto, entre aspas, do racismo. Algumas dessas declarações eu dei há anos atrás.

[b]Folha/UOL: O sr. não daria mais essas declarações dessa forma hoje?
[/b]Marco Feliciano: Hoje pensaria outra forma para falar. Porque hoje eu começo a entender o que é a vida pública. Eu nunca tinha sido nem vereador. Eu tive essa expressão de votos aí. As pessoas que votaram em mim votaram porque sabem que eu sou contundente nos meus posicionamentos, e corajoso. Hoje, usaria outros tipos de palavras. Talvez falaria as mesmas verdades de outra forma.

Existem várias maneiras de dizer uma verdade, né? Seria um pouquinho mais cuidadoso.

[b]Folha/UOL: O sr. acha que os gays, o homossexual, é alguém que padece de alguma patologia?
[/b]Marco Feliciano: Se eu falar patologia, amanhã eu vou ser crucificado de novo porque vamos falar de doença. Não, a homossexualidade, não posso falar mais homossexualismo… Eu posso falar heterossexualismo, mas não posso falar homossexualismo. A homossexualidade, ela não é uma patologia.

[b]Folha/UOL: Como o sr. a classifica?
[/b]Marco Feliciano: Eu a vejo como um fenômeno comportamental. É um fenômeno de comportamento que até alguns anos atrás era tratado à luz da psicologia. E a psicologia estava indo, avançando. Eu conheço muitas pessoas que eram e não são mais. São casados, têm filhos.

[b]Folha/UOL: O sr. acredita em pessoas que são homossexuais e deixam de ser?
[/b]Marco Feliciano: Acredito piamente. Tenho provas disso. Tenho amigos que são. Tenho amigos que hoje têm família e que hoje dão testemunhos pelo mundo. É uma orientação, eles mesmos dizem. E se é uma orientação, a pessoa pode ser reorientada.

[b]Folha/UOL: Na sua igreja há esse tipo de orientação também, para eventualmente um gay que procura para mudar a orientação?
[/b]Marco Feliciano: Não, nós não explicamos isso à pessoa. No culto nós pregamos a palavra. A própria palavra se incumbe de libertar. Jesus disse assim, ó: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”.

[b]Folha/UOL: Tem casos na sua igreja de ex-gays?
[/b]Marco Feliciano: Muitos. Muitos.

[b]Folha/UOL: Muitos, quantos?
[/b]Marco Feliciano: Muitos, seria difícil falar… A minha igreja que você diz é a Assembleia de Deus?

[b]Folha/UOL: É. E a sua em particular?
[/b]Marco Feliciano: A minha igreja [a Catedral do Avivamento] é uma igreja com cinco anos. Nós temos pessoas que frequentam, né. Tem pessoas que chegam na igreja e nós não sabemos se ela é gay ou não. Ninguém chega aqui com uma plaquinha dizendo “eu sou gay”. Tem uns que são estereotipados, mas outros não. Então eu não sei dizer ao certo.

[b]Folha/UOL: Já presenciou, digamos, uma conversão desse tipo?
[/b]Marco Feliciano: Muitas, muitas. Muitas, muitas, muitas. Eu, inclusive, eu ministro pelo Brasil inteiro e alguns deles hoje são palestrantes, têm família formada. Sempre estão em programas de televisão inclusive.

[b]Folha/UOL: O sr. acha que esse tipo de abordagem não o classificaria como homofóbico, como alguns acham que o sr. é?
[/b]Marco Feliciano: De maneira nenhuma. Vamos falar o que é homofobia. Homofobia, ao pé da letra, seria medo do homem. Ou medo do homem que tem uma opção sexual diferente. Esse medo se tornaria uma patologia, porque levaria ao ódio. E o ódio, ao crime de assassinar um gay. Eu não sou homofóbico, eu sou um líder religioso, creio na Bíblia Sagrada, meu livro de cabeceira, o livro que me regra, o livro que mudou minha vida. E a Bíblia Sagrada é contrária à prática homossexual. Então, é o meu direito pensar assim. Agora, veja só, você falou sobre um assunto que, se você me der um minutinho, uma pessoa héteros que está com crise de identidade sexual. Um homem, cansou de namorar uma mulher e ele está com problema psicológico. Ele vai ao Conselho Federal de Psicologia ou ao psicólogo e diz: “Olha, eu queria me reorientar. Não sei, de repente eu passei a ter uma paixão por pessoas do mesmo sexo”. O psicólogo está amparado pela lei do Conselho Federal de Psicologia para cuidar da pessoa. Se houver alguém no sentido contrário, um homossexual, ele cansou desse estilo de vida, de repente ele viu que não dá certo, ele quer se reorientar, ele quer procurar um psicólogo e falar assim: “Olha, eu sou homossexual, mas eu quero que você me ajude a voltar como eu era antes quando eu nasci. Eu gostava de mulher, ou eu gostava de homem. Eu quero que você me ajude a me reorientar”. Sabe o que o psicólogo vai dizer para ele? “Por favor, saia do meu consultório agora. Porque se alguém souber disso eu vou ser cassado pelo Conselho Federal de Psicologia”. É uma desproporcionalidade. Você pode ir para um lado, mas não pode ir para o outro. O movimento GLBT se levanta com uma doutrinação nacional. Eles se levantam nesse nosso país com uma ditadura, uma ditadura gay. E eles forçam as pessoas a pensar o que eles querem.

Veja agora, por exemplo, as manifestações contra mim sobre os artistas. Começaram a dar beijos na boca, não foi?. Vários artistas fizeram isso. Você viu algum artista masculino dar algum beijo na boca de outro artista masculino? Não tem. Por quê? Porque eles sabem que isso vai chocar a população. Porque um beijo feminino talvez choque menos.

[b]Folha/UOL: O sr. acha isso? Que nunca vai haver nessas manifestações dois atores homens se beijando?
[/b]Marco Feliciano: Não disse nunca. Eu disse que até agora não aconteceu. Porque eles sabem que, quando colocar dois homens se beijando na boca na televisão, isso vai ferir uma população que é, ainda, conservadora.

[b]Folha/UOL: Duas mulheres ferem menos?
[/b]Marco Feliciano: Ferem menos, ferem menos.

[b]Folha/UOL: Por quê?
[/b]Marco Feliciano: Gostaria de saber. Por causa disso. É uma coisa que não é normal. Eu estava lendo agora um blog de um pastor muito conceituado, já é um vovô. Ele dizia, na semana passada, “eu estava num shopping”, dizendo ele, “e na praça de alimentação estava com meus netos”. Três ou quatro criancinhas, família, praça de alimentação, domingo, shopping. E do lado deles sentaram-se dois homens, dois homens homossexuais. E eles começaram a se beijar. Não se atendo apenas ao beijo, começaram a se tocar. As famílias que estavam perto começaram a se levantar e a sair de perto deles. Ele, como é uma pessoa esclarecida, conhecedor da lei, chamou o segurança. E disse ao segurança assim: “Aquilo ali é um atentado ao pudor, eles estão se tocando de maneira sexual na frente de todo mundo. Você não vai fazer nada?” O segurança disse para ele: “Senhor, me desculpe. Se fosse um homem e uma mulher fazendo a mesma coisa eu poderia tomar qualquer providência. Mas como são dois homens, se eu fizer isso, eles vão levantar e vão começar a gritar, e vão começar a dizer aqui que eu sou preconceituoso e vai acontecer comigo o que aconteceu com o último guarda. Foi mandado embora e eu vou perder o meu emprego. Então, por favor, perdoe, eu não posso fazer nada contra isso.”

[b]Folha/UOL: É isso que o sr. chama de ditadura gay?
[/b]Marco Feliciano: Ditadura gay. Eles impõem, goela abaixo, o sistema de vida deles, estilo de vida deles. Eu não sou contra…

[b]Folha/UOL: O sr. é contra que dois homens ou duas mulheres, em praça pública, se beijem?
[/b]Marco Feliciano: Sou. Sou porque…

[b]Folha/UOL: É só um beijo, deputado.
[/b]Marco Feliciano: Mas um beijo na boca é um beijo que mostra muita intimidade. Veja um casal héteros se beijando na boca…

[b]Folha/UOL: Mas há 50 ou 100 anos, vários países e sociedades eram contra homem beijar mulher em praça pública. Daí evoluiu-se. Hoje é normal. O sr. não acha que é normal que, aos poucos, o beijo entre um homem e um homem, uma mulher e uma mulher também vá…
[/b]Marco Feliciano: Querido Fernando, querido Fernando, vou citar para você o grande Freud. Freud dizia assim: o que uma criança vê, ouve e sente de zero a sete anos, e depois se estende até os 12, será a base da construção do seu caráter. Quando você coloca isso exposto publicamente e põe uma criança a olhar, isso vai gerar na criança a curiosidade, vai mexer com a mente dela e vai tirar dela a figura que ela tem de casa, ver papai e mamãe.

[b]Folha/UOL: Se o sr. pudesse, o sr. faria uma lei para proibir beijos entre pessoas do mesmo sexo?
[/b]Marco Feliciano: Não, eu não faria uma lei. Eu apelaria para o bom senso. Apelaria para que as pessoas tivessem um pouquinho mais…

[b]Folha/UOL: Porque hoje não tem uma lei. Então hoje é permitido.
[/b]Marco Feliciano: Não tem, não tem e talvez nem vá ter. Não tem e nem vá ter. Até porque alguns deputados até batem no peito. Tem uma deputada aqui do Distrito Federal que diz: agora existem mais beijos em praça pública. Agora existem mais isso e mais aquilo.

Veja a Parada Gay. A Parada do Orgulho Gay. Veja o que acontece nas paradas. Entre no meio deles. Eu lembro que em 2007 saiu, na “Folha de S.Paulo”, no órgão de imprensa seu. Os gays distribuíram na Parada Gay uma cartilha ensinando como usar corretamente a cocaína. Não usar nota de dinheiro. Usar o papel assim. Fazer um pito assim ou e outra forma. Ou seja, eles de certa forma dizendo “existe aqui quem vá usar cocaína nessa passeata”. Existem pessoas que vão fazer sexo ali no meio. Que isso acontece, tem vídeos na internet sobre isso. Então o estilo de vida deles, a liberdade que eles querem não é uma liberdade de serem, é uma liberdade sexual pública.

[b]Folha/UOL: Mas, deputado, paradas gays existem no mundo inteiro. A chance de elas deixarem de existir é zero. Há um clima de mais liberdade sobre esse tipo de manifestação. Como o sr. fica falando isso, para quem o sr. está pregando? Porque não serão banidas as paradas gays.
[/b]Marco Feliciano: Eu não estou falando para serem banidas. Eu estou falando para as pessoas, ao se manifestarem, pensem duas vezes no que vão fazer. Querem brincar, brinquem. Querem cantar, cantem. Querem dançar, dancem. Mas irem para a parada gay, pegarem a imagem de um santo católico e ficarem se bulinando na frente de todo mundo, isso é um desrespeito, Fernando. Isso é um desrespeito. Pegarem figuras públicas e malharem em praça pública, isso é um desrespeito. Darem gritos e acusarem pessoas, como fazem comigo, isso é desrespeito. Virem ao Congresso Nacional e subirem em cima das cadeiras, isso é desrespeito. Então isso não é democracia. Democracia é a liberdade do contraditório. Podemos conversar, mas em alto nível.

[b]Folha/UOL: Homofobia, PL 122. Projeto de Lei 122. O sr. tem restrições a esse projeto.
[/b]Marco Feliciano: Completamente.

[b]Folha/UOL: Ele poderia ser adaptado para criminalizar atos de homofobia de alguma forma que fosse aceitável para o sr. ou não?
[/b]Marco Feliciano: Veja só, esse pessoal luta tanto por esse tipo de direito que eu não sei o porquê. Já existe no código penal um sem número de crimes que beneficiam inclusive o homossexual. Toda pessoa que é constrangida, toda pessoa que é humilhada, toda pessoa que sofre violência, já tem no Código Penal os crimes que possam…

[b]Folha/UOL: O sr. acha desnecessário esse tipo projeto?
[/b]Marco Feliciano: Completamente. Porque se formos abrir esse tipo de precedente, vamos criar também a lei que criminaliza quem é contra o índio. A lei que criminaliza quem é contra o caolho. A lei que criminaliza quem é contra o careca. A lei que criminaliza quem é contra o banguelo. Porque todas essas pessoas também sofrem bullying, todas essas pessoas também sofrem. Então o PL 122, do jeito que ele está, ele não passa. Já tentamos, Fernando, já tentamos conversar com os relatores para fazermos um substitutivo. Mas o movimento vem de cima para baixo e diz: tem que ser aprovado do jeito que está. E do jeito que está, acabou a minha liberdade de expressão. Eu estou, hoje, sofrendo o PL 122 sem que tenha sido votado. O que acontece comigo agora vai acontecer com todos os pastores e padres do Brasil inteiro. O que está acontecendo nas portas da minha igreja, entrando eles dentro nos cultos onde eu estou.

[b]Folha/UOL: Sobre liberdade de expressão e religião, a propósito, o Brasil é um país laico, Estado laico, mas órgãos públicos no Brasil em geral, não todos, mas a maioria, ostentam ícones religiosos, em geral uma cruz. O sr. acha correto.
[/b]Marco Feliciano: Laicidade não significa ateísmo. Laicidade significa que o Estado não comanda a igreja e a igreja não comanda o Estado.

[b]Folha/UOL: Como há uma cruz não há ícones de outras religiões, não é?
[/b]Marco Feliciano: Sim, exatamente.

[b]Folha/UOL: Nesse caso, não há um descompasso?
[/b]Marco Feliciano: Ao colocar a cruz ali, não está dizendo que o Estado é cristão, mas que a maioria dos que ali estão lutaram por aquilo. Os outros lutem para colocar os seus ícones.

[b]Folha/UOL: O sr. acha que o ideal seria o quê?
[/b]Marco Feliciano: O ideal, eu sou cristão, não vou fugir à regra, eu fico muito feliz quando começamos a ordem do dia e o presidente, de pé, diz: sob a proteção de Deus. E ao lado esquerdo dele tem uma Bíblia. O nosso país foi fundado ao lado de uma cruz. Se formos começar a falar desse jeito…

[b]Folha/UOL: Então o sr. acha que seria necessário um sincretismo maior?
[/b]Marco Feliciano: Vamos estender aqui o debate. Se isso for acontecer, se é para tirar a cruz de dentro dos espaços públicos…

[b]Folha/UOL: O sr. é a favor da cruz no espaço público?
[/b]Marco Feliciano: Sou a favor porque sou cristão. Quando eu olho para ela eu vejo justiça e vejo piedade. Imagine se formos tirar isso, o que vamos fazer com a metade dos Estados brasileiros que têm nome de santo, com as quase cinco mil cidades do Brasil que têm nome de santo. Então nós temos que abolir tudo isso. Ora, o cristianismo não é ofensivo. O cristianismo cuida de pessoas. Falam tanto das nossas igrejas evangélicas, falam só do dinheiro. Você já imaginou esse país sem uma igreja evangélica que cuida de drogados, que busca curar famílias que se divorciarem e coisas mais. O que aconteceria com esse país. Jesus diz que a igreja é o sal da terra e a luz do mundo.

[b]Folha/UOL: Estamos chegando no final aqui, deixe-me correr. O sr. é contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Agora, no caso da união civil, que resolve problema objetivos entre dois homens e duas mulheres que vivem maritalmente, como por exemplo, herança, aposentadoria. Nesse caso, o sr. tem alguma proposta para resolver?
[/b]Marco Feliciano: Veja só, o meu pensamento é um pensamento, eu acho, da maioria dos brasileiros, só que nem a maioria tem voz para falar como eu falo. Eu não sou tonto. Eu não sou iletrado. É claro que a união estável ela tem que ser vista do ponto de vista jurídico. Duas pessoas constroem um patrimônio, uma morre, a outra tem que ter. Todavia, transformar isso em família é um problema. Porque daqui a pouco três homens vão assumir aí…

[b]Folha/UOL: Mas do aspecto básico aí. Homem e outro homem. Uma mulher e outra mulher. Moram juntas, viveram maritalmente. Uma delas morre. Um deles morre.
[/b]Marco Feliciano: Sim.

[b]Folha/UOL: A herança, o direito de herança, de aposentadoria, isso o sr. é a favor?
[/b]Marco Feliciano: Eu acho que é direito das pessoas. Só que eu gostaria de pensar e falar para o pessoal homossexual pensar um pouquinho mais além. A maioria dos homossexuais é apegada ao papai e à mamãe. Eles criarão problema para eles mesmos. Imagina se os dois vivem juntos aqui, de repente morre um, o bem que ele deveria ter deixado para a mãe, para o pai, ficará para uma outra pessoa, que conviveu com ele, mas que não é da família. Isso eu tenho ouvido de homossexuais.

[b]Folha/UOL: Mas como deveria ser?
[/b]Marco Feliciano: Deveria continuar do jeito que está. Existem liminares para isso. Existe jurisprudência para isso.

[b]Folha/UOL: O sr. é a favor de continuar havendo esse direito de herança?
[/b]Marco Feliciano: Esse direito não tem como ser negado. É constitucional. O problema, da minha luta, é que, veja só: o artigo 226, parágrafo seis da Constituição diz que toda união estável, ela tem que ser, por lei, transformada em união civil. Uma vez transformada em união civil, se torna em família e aí vem a proteção do Estado. O problema é o que vem depois de tudo isso. O problema é que, depois de união civil, eles podem querer a união religiosa. E se eu, um pastor, e o padre, como padre, não quisermos fazer o casamento, nós podemos ser taxados como homofóbicos, como criminosos e irmos parar na cadeia pelo PL 122. O problema é que depois do casamento religioso, eles podem querer, como já brigam pela adoção de crianças. E nós sabemos, a própria psicologia diz, que a criança criada por dois homens ou criada por duas mulheres tem uma problemática sem tamanho. Tem um caso no Canadá de uma mulher criada por duas mulheres…

[b]Folha/UOL: Mas há casos também em que não acontece isso.
[/b]Marco Feliciano: Sim. Mas veja só: é maior o número de casos em que acontece do que os que não acontece. No Canadá tem o cas