Uma postura otimista e uma mente aberta. Esses são os instrumentos com os quais Cindy Elwood e sua família de Fairfield, Connecticut, enfrentam a fusão de duas escolas católicas da cidade, Holy Family e Our Lady of Assumption.

Elwood tem duas filhas na Holy Family e está curiosa para ver se a fusão vai funcionar. Em geral, está encarando a mudança com otimismo e entusiasmo.

Afinal, a Diocese de Bridgeport anunciou que os diretores das duas escolas iriam para a nova escola. A diocese espera reter grande parte dos funcionários das duas escolas, apesar de isso depender muito de quantos alunos decidirem se inscrever.

Como mãe, Elwood acredita que a nova escola pode ser uma ótima oportunidade para todos os envolvidos, reunindo o melhor das duas anteriores. “Se você combinar o melhor dos dois mundos, será uma super escola”, disse ela.

Ainda assim, é difícil ignorar a realidade que moveu a decisão. O número de matrículas nas duas escolas regrediram nos últimos anos. Juntas, Holy Family e Assumption têm 345 alunos. Há uma década, só a Assumption tinha 350 alunos. As duas escolas não são as únicas em dificuldades -as instituições de ensino católicas no país enfrentam uma queda nas inscrições e um futuro duvidoso.

Neste mês, a Associação Nacional Católica de Educação informou que as escolas católicas do país registraram uma queda de 3,3% nas matrículas para o ano de 2009/10.

Isso representa 73.190 alunos a menos do que no ano acadêmico anterior. Além da queda nas inscrições, a associação informou que, durante esse mesmo período, 174 escolas católicas no país fecharam ou se fundiram.

Os envolvidos citam algumas razões possíveis por que as escolas parecem estar em dificuldades, mas a maior parte aponta para a economia como principal culpada.

Em uma época em que muitos estão lutando para se manter, o custo da educação católica pode ser assustador. A anuidade escolar da combinação Family-Assumption está estimada em US$ 5.000 (em torno de R$ 9.000). Esse custo se baseia em um total de 280 alunos e pode diminuir se o número de matrículas for maior.

Padre Gatzak, porta-voz da arquidiocese Hartford, concordou que a economia definitivamente foi um fator determinante nas dificuldades das escolas católicas. Ele disse que muitos pais que enviam os filhos para escolas católicas já pagam o imposto residencial que financia as escolas públicas em seus distritos.

Em tempos difíceis, alguns não querem pagar duplamente, ou seja, pagar os impostos e depois desembolsar as mensalidades para a escola católica, disse o padre. Outro problema é que há poucas formas de cobrir a queda de receita provocada pela redução de alunos –além de aumentar a mensalidade, que por sua vez afasta novas inscrições.

“É uma faca de dois gumes”, disse Gatzak.

Até Elwood, tão animada com o futuro da nova escola de suas filhas, disse que o efeito da atual crise financeira é inegável.

“Quem teria pensado que a economia causaria tamanho prejuízo a essas escolas? Mas causou”, disse ela.

O dinheiro, porém, não é o único culpado pelas dificuldades das escolas católicas. Karen Ristau, presidente da Associação Nacional Católica Educacional, disse que os pais de hoje e as pessoas em geral parecem menos religiosas do que nas gerações anteriores. A frequência na igreja caiu, e Ristau disse que a fé não é tão importante quanto costumava ser.

“Acho que provavelmente houve uma espécie de desvalorização da religião e da vida familiar”, disse ela. E, como salientou, se a religião não é importante, dar aos filhos uma educação baseada na fé provavelmente não será uma grande prioridade.

Gatzak, por exemplo, não sabe como mudar o clima na educação católica. Ele instou ex-alunos de escolas católicas a oferecerem apoio financeiro e ajudarem nos esforços de recrutamento. Contudo, claramente, mais precisa ser feito, disse ele. “Gostaria que alguém tivesse alguma solução”, disse.

Ainda assim, nem tudo está perdido na educação católica. Apesar da redução no número de matrículas e dos fechamentos de algumas escolas, especialistas disseram que há muitos sinais que as famílias ainda valorizam o aprendizado com base na fé.

Por exemplo, Ristau apontou que 24 novas escolas abriram no país no ano escolar de 2009/10, e mais de 1.800 escolas católicas no país têm uma lista de espera para admissão.

“O fato que ainda há novas escolas abrindo nos dá esperanças”, disse ela.

A superintendente das escolas da Diocese de Bridgeport, Margaret Dames, também tem uma visão positiva do futuro da educação católica.

Como Elwood, ela também tem uma postura otimista sobre a consolidação de duas escolas de Fairfield e acha que a fusão é a melhor forma de assegurar que as instituições vão “continuar excelentes”. Apesar de algumas famílias estarem “hesitantes” em relação à fusão, a maior parte está otimistas, disse Dames.

Dames também salientou que a fusão é uma espécie de exceção na diocese. A maior parte das escolas católicas na região não teve problemas sérios e muitas estão prosperando.

Por exemplo, seis das quase 30 escolas de ensino fundamental da diocese foram designadas escolas “Blue Ribbon” pelo Departamento de Educação dos EUA. A designação classifica academicamente as escolas entre as 10% melhores no país.

“Realmente tivemos uma renascença da educação católica”, disse ela.

Fonte: The New York Times