A ONG Save the Children divulgou um relatório que afirma que uma criança pobre no Brasil tem três vezes mais chances de morrer do que uma rica, por causa de condições sanitárias adequadas e de assistência médica.

Segundo o relatório, mais de 200 milhões de crianças com menos de 5 anos de países em desenvolvimento não recebem o tratamento médico básico que necessitam. O texto, publicado anualmente no site da instituição com o título de “A Situação das Mães no Mundo em 2008”, afirma que cerca de 10 milhões de crianças desta faixa etária morrem a cada ano no mundo, a maior parte delas em países menos desenvolvidos, nos quais as crianças chegam a ter três vezes mais chances de perder a vida que uma que é rica.

A Suécia, a Noruega e a Islândia são, nesta ordem, os melhores países do mundo para se ter um filho, enquanto o Níger é o pior na classificação de nações, cujas últimas posições são quase todas ocupadas por países africanos.

Em oito países em desenvolvimento, com as Filipinas à frente, 60% das crianças recebem tratamento médico básico, que inclui cuidados relacionados ao tratamento pré-natal e a vacinação.

Em 30 dos 55 países analisados, menos da metade das crianças recebe o atendimento que necessitam. A Etiópia, onde 80% das crianças não têm acesso a tratamento médico básico, é a pior desta lista.

“Quando um menino tem uma doença leve nos Estados Unidos vai ao médico ou compra um remédio na farmácia, mas esta não é a realidade de milhões de mães nos países mais pobres e outras comunidades, onde cerca de dez milhões de menores morrem a cada ano”, diz a atriz Jessica Lange, embaixadora da organização.

Segundo a Save the Children, 60% das 10 milhões de crianças que morrem a cada ano no mundo poderiam ser salvas se tivessem acesso a tratamento médico básico adequado próximo a suas casas. “A distância entre a casa e a clínica é a maior dificuldade nos países em desenvolvimento”, declarou o presidente da ONG, Charles MacCormack.

Crianças de favelas do Rio têm risco dez vezes maior de morrer, diz ONG

Crianças moradoras de favelas do Rio de Janeiro têm dez vezes mais chances de morrer antes dos cinco anos do que as que moram em outras áreas da cidade, segundo um relatório divulgado nesta terça-feira pela organização Save The Children.

De acordo com o estudo “State of the World’s Mother” (“Situação das mães no mundo”, em tradução livre), crianças brasileiras que moram nas favelas têm pouco acesso aos tratamentos de saúde.

“Altos níveis de concentração populacional em áreas urbanas tornam as crianças pobres vulneráveis a doenças contagiosas, como diarréia, problemas respiratórios e meningite”, afirma o relatório.

Ainda segundo a organização, que avaliou a situação de crianças com até cinco anos em 55 países em desenvolvimento, as crianças mais pobres do Brasil têm três vezes mais chances de morrer do que as oriundas de famílias com melhores condições financeiras.

Outros 11 países estão na mesma situação: Azerbaijão, Bolívia, Camboja, Egito, Índia, Indonésia, Marrocos, Nigéria, África do Sul e Filipinas.

Sistemas de saúde

O Brasil ainda ocupa a sexta posição em um ranking que lista os dez países com maior número de crianças que não contam com tratamentos de saúde adequados.

Com base em dados de 2006, a organização aponta que a população brasileira de crianças com menos de cinco anos contabilizava cerca de 18 milhões, das quais 7,9 milhões (44%) não tinham acesso aos sistemas de saúde.

No topo da lista está a Índia, com 67 milhões de crianças sem os tratamentos médicos necessários, seguida pela Nigéria (16 milhões) e Bangladesh (62 milhões).

Ainda de acordo com as conclusões do estudo, 200 milhões de crianças em todo mundo não contam com acesso a tratamentos básicos de saúde.

Segundo a organização, os 55 países analisados contabilizam 60% da população mundial com menos de cinco anos e respondem por 83% das mortes de crianças.

A Save the Children define tratamentos de saúde como um pacote de medidas que incluem pré-natal, cuidados especiais na hora do parto, imunização e tratamentos para diarréia e pneumonia.

“A chance de uma criança comemorar seu quinto aniversário não deveria depender do país ou da comunidade onde ela nasce”, disse Charles MacCormack, presidente da Save the Children.

Fonte: EFE