Os programas para encorajar a abstinência sexual, vistos pelos conservadores americanos como iniciativa fundamental para prevenir a contaminação pelo vírus HIV, são ineficazes tanto nos Estados Unidos quanto nos países em desenvolvimento, revelou um novo estudo. Você acha que as igrejas no Brasil deveriam ter programas de abstinência sexual? [url=http://www.folhagospel.com/site/html/modules/xoopspoll/]Vote aqui[/url]

Os autores da pesquisa, publicada no British Medical Journal, analisaram 13 estudos já divulgados sobre programas de abstinência, realizados com aproximadamente 16 mil jovens americanos, e afirmaram não ter encontrado qualquer prova de que esse tipo de projeto funcione.

O estudo se concentrou nos chamados programas de “abstinência total”.

Esses programas encorajam os adolescentes a adiar sua iniciação sexual e a não ter múltiplos parceiros quando já tiverem uma vida sexual ativa. Não há incentivo ao uso do preservativo ou de qualquer outro método contraceptivo.

No entanto, ao contrário da “abstinência total”, os programas de “abstinência plus” promovem a prática da abstinência, mas também instruem os jovens a respeito do sexo seguro.

“Nenhum programa (de abstinência total) influenciou na incidência de sexo vaginal sem proteção, número de parceiros, uso da camisinha ou iniciação sexual”, diz o estudo, escrito por um trio de pesquisadores da Universidade de Oxford, na Inglaterra.

De fato, um dos 13 estudos analisados revelou que os adolescentes encorajados a manter a abstinência por esse tipo de programa tiveram maior número de relações sexuais, além de maior incidência de doenças sexualmente transmissíveis e gravidez indesejada em relação a jovens que não participaram.

Os próprios pesquisadores admitem que a análise tem suas limitações, pois não considerou a ocorrência de sexo anal, oral ou de outro tipo. Além disso, os dados dos 13 estudos em questão foram obtidos através de declarações dos próprios jovens, o que torna as informações menos confiáveis.

Nenhuma dessas pesquisas acompanhou especificamente a incidência da Aids entre os adolescentes.

Apesar disso, afirmam, as conclusões são claras: programas de “abstinência total” nos EUA não reduzem o risco de contaminação por HIV em comparação a programas de educação sexual (ou mesmo à ausência de qualquer projeto desse tipo).

Estudos realizados em países em desenvolvimento que reproduzem esses programas também chegaram aos mesmos resultados.

Atualmente, 33% do dinheiro reservado pelo governo do presidente americano George W. Bush para o combate à Aids na África e no Caribe é destinado a programas de “abstinência total”.

Universitários defendem namoro sem sexo nos EUA

No Dia dos Namorados, Justin Murray e Sarah Kinsella enviaram mais de 800 cartões em papel cor-de-rosa, um para cada uma das calouras da Universidade Harvard.

Os dois alunos de terceiro ano passaram a noite em claro colando chocolates em forma de coração aos cartões, que diziam: “Celebre o amor, celebre a vida, celebre a você mesma. Por que esperar? Porque você merece.” Fundadores da nova sociedade de abstinência sexual na universidade, chamada True Love Revolution, Murray e Kinsella estão namorando há um ano e meio.

Em recente encontro no Border Cafe, um restaurante mexicano em Harvard Square, eles se acomodaram de mãos dadas do mesmo lado de um reservado, trocando carícias, contidas, mas freqüentes. Carícias nos cabelos são o limite da conexão física entre eles. “Nós tentamos não arriscar demais”, disse Kinsella, saboreando uma margarita. “Beijos e abraços são nosso limite. De noite, Justin me leva ao meu alojamento, e passamos algum tempo juntos. Massageio suas costas, ou algo assim, mas depois disso ele volta para o quarto dele para dormir.”

O casal sofre certa dose de zombaria – Murray lembra de ouvir comentários do tipo “lá vai o virgem” ao passar por uma mesa no refeitório – e alguns alunos rejeitaram os cartões, dizendo que são uma ofensa ao feminismo. Mas a sociedade que eles criaram atraiu 50 membros desde que foi fundada, um ano atrás, e continuará no ano que vem, depois que os dois deixarem a universidade.

Os clubes que promovem a abstinência em universidades, originalmente surgidos em algumas escolas do sul do país nos anos 90, são um conceito novo nas instituições de elite (e de inclinações liberais) na região nordeste. Kinsella e Murray se inspiraram em grupos semelhantes, formados há pouco tempo na Universidade de Princeton e no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). Na Universidade Yale, uma associação semelhante está sendo organizada.

Os clubes organizam festas e sessões de estudo e convidam palestantes e grupos de discussão para encorajar a abstinência. O grupo do MIT também criou um sistema de compromisso coletivo, assinado por metade dos 40 membros: “Prometo fazer um esforço para viver em castidade. Um estilo de vida casto envolve conceder o dom do meu corpo de forma honrosa e respeitosa.”

Os grupos do MIT e de Princeton adotaram, não por coincidência, o nome Anscombe Society, em honra de Elizabeth Anscombe, a filósofa católica inglesa que condenava o uso de anticoncepcionais. Os novos clubes não declaram outras associações políticas ou religiosas, e o True Love Revolution não tem posição oficial sobre o controle da natalidade.

Pessoalmente, Murray e Kinsella são adversários do uso de anticoncepcionais e dizem que suas posições religiosas “enriquecem” suas opiniões morais e éticas. Os dois se conheceram em um retiro promovido pela Associação de Estudantes Católicos de Harvard-Radcliffe.

Para tornar seus argumentos mais palatáveis, eles nunca mencionam Deus entre as razões que oferecem para esperar; em lugar disso, optam por termos como “dignidade”, “respeito próprio” e “poder pessoal”. Murray, que gosta de citar Freud e Nietzsche, diz que a decisão de se abster de sexo é um exercício de autodisciplina, contra os sentimentos concupiscentes. Kinsella interrompe, rindo. “Você sempre usa essa palavra”, diz.

“Concupiscente é uma boa palavra”, responde Murray. “Gosto de provocar”, ela rebate, repousando a cabeça sobre o ombro dele. “Sempre que uso essa palavra você ri de mim, e nem uso tanto assim. Poxa.” Ele volta sua atenção às fajitas (comida típica mexicana).

Murray e Kinsella dizem que se sentem desconfortáveis diante da cultura dominante no campus, que equipara abstinência a feiúra ou inépcia sexual. Os dois são esbeltos, atraentes, bem vestidos. São articulados quanto aos seus sentimentos e falam sobre amor sem as pausas e sentenças formuladas de forma hesitante que costumam caracterizar o tema.

Os dois estão “a um fio” de um noivado. No final do ano, Kinsella, que está estudando antropologia, vai começar seu curso na Escola de Medicina da Universidade Georgetown, onde Murray estudará Direito. Eles rebatem as preocupações dos amigos, que dizem que deveriam tentar fazer sexo, antes disso, para ter certeza. Mas ambos rejeitam a tese. Kinsella diz que a abstinência é questão de saúde emocional.

Alguns meses atrás o clube organizou um debate sobre a vida na era dos relacionamentos efêmeros, na esperança de ajudar a atrair mais alunos para a idéia de relacionamentos estáveis. Quase 60 pessoas compareceram. Um dos participantes propôs a pergunta: “Alguém aqui pode dizer que já fez sexo sem sentir um mínimo de conexão emocional com o parceiro?” Ninguém levantou a mão em resposta.

Murray diz que seus amigos sempre presumem que a idéia do clube veio de Kinsella, mas na verdade foi ele que a propôs. Ele comenta, rindo, um comentário de um leitor do Harvard Crimson, o jornal da universidade: “De todos os testes que as meninas jamais impuseram aos homens, convencer um namorado a co-fundar um clube como esse deve ser o mais difícil. Espero que ela seja pelo menos gostosa de verdade”. Murray acrescenta, rapidamente, que ela é, sim.

No passado, os colegas de alojamento de Murray costumavam incomodá-lo por sempre voltar sozinho para casa; ele e Kinsella evitam passar a noite juntos. Agora, os amigos não se incomodam mais. “Eles sabem que não ajo assim porque ela se recusa a transar, como dizem, mas porque minha escolha deliberada é respeitar a mulher que eu amo”, afirma Murray. A “noitada” da entrevista acabou como quase todas as demais neste ano final do casal como alunos da Universidade. Ele beija Kinsella, diz “eu te amo” e volta a pé para o alojamento, uma caminhada de 20 minutos.

Fonte: AFP e Terra