Uma declaração assinada por 67 academias nacionais de ciência ataca o ensino da biologia segundo as Escrituras como uma distorção em potencial de mentes juvenis.

Em um ataque velado ao criacionismo, as mais destacadas academias de ciência do mundo convocaram nesta quarta-feira pais e professores a informarem seus filhos e alunos sobre os fatos relativos à evolução e às origens da vida na Terra.

Uma declaração assinada por 67 academias nacionais de ciência ataca o ensino da biologia segundo as Escrituras como uma distorção em potencial de mentes juvenis.

“Em várias partes do mundo, no âmbito dos cursos de ciência ensinados em vários sistemas de ensino público, a evidência científica, dados e teorias verificáveis sobre as origens e a evolução da vida na Terra estão sendo omitidos, negados ou confundidos com teorias não verificáveis pela ciência”, adverte a declaração.

“Instamos os tomadores de decisão, professores e pais a educarem todas as crianças sobre os métodos e as descobertas da ciência e promover um entendimento da ciência da natureza”, recomenda. “O conhecimento do mundo natural no qual as pessoas vivem as capacita a irem ao encontro das necessidades humanas e proteger o planeta”, continua.

Citando “fatos com base em evidências” derivados da observação, de experiência e avaliação neutras, a declaração aponta para descobertas de que o Universo tem entre 11 e 15 bilhões de anos e que a Terra se formou cerca de 4,5 bilhões de anos atrás.

Nesta linha, a vida na Terra apareceu pelo menos 2,5 bilhões de anos atrás como resultado de processos físicos e químicos, e evoluiu para as espécies hoje existentes.

“As similaridades na estrutura do código genético de todos os organismos existentes hoje, inclusive os humanos, indicam claramente sua origem primordial comum”, argumenta.

A lista de signatários da declaração inclui a Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, a Royal Society britânica, a Academia Francesa de Ciências e suas similares no Canadá, na China, Alemanha, Irã, Japão, etc..

O documento não nomeia religiões, nem explica porque teme que o ensino da evolução ou a explicação científica das origens da vida planetária sejam postos de lado. No entanto, vai ao encontro da preocupação crescente entre biólogos sobre a sentida influência do criacionismo nos Estados Unidos, onde cristãos evangélicos fazem uma intensa campanha para que as escolas ensinem o criacionismo ou reduzam a evolução ao status de uma das várias teorias existentes para explicar as origens da vida na Terra.

Segundo o site na internet Christian Post (www.christianpost.com), uma pesquisa de opinião realizada em maio passado descobriu que 46% dos americanos acreditam que Deus criou os humanos na sua forma atual nos últimos 10 mil anos.

Os cientistas afirmam que os hominídeos surgiram cerca de seis milhões de anos atrás e que um de seus ramos se desenvolveu para formar anatomicamente o Homo sapiens, o homem moderno, cerca de 200 mil anos atrás, embora a datação dos dois eventos seja discutida acaloradamente.

Quase todas as religiões oferecem uma explicação de como a vida teve início na Terra. Os cristãos fundamentalistas insistem na interpretação literal do Livro do Gênesis, da Bíblia, segundo o qual Deus fez o mundo em sete dias, culminando com a criação dos dois primeiros humanos: Adão e Eva.

Uma variação desta teoria é denominada “desenho inteligente”, que reconhece a evolução, mas alega que as mutações genéticas são guiadas pela mão de Deus e não pelo processo de seleção natural defendido por Charles Darwin.

Em agosto do ano passado, o presidente americano, George W. Bush, disse acreditar neste conceito e que apóia seu ensino nas escolas americanas.

A declaração das academias sustenta que a ciência não pretende fazer julgamentos de valor ou moralidade e que reconhece as limitações do conhecimento atual.

“A ciência é ilimitada e sujeita à correção e à expansão à medida que novas compreensões teóricas e empíricas emergem”, destacou.

Fonte: AFP