Na sala simples de 20 metros quadrados com banheiro e sem janelas que agora ocupa no segundo andar da TV Record, em Benfica (zona norte do Rio), Carlos Rodrigues não tem luxos. Sobre a mesa em “L” de diretor da rádio Nova AM, um laptop HP, telefone, um toca-CDs e impressora.

Rodrigues se define como um “homem de rádio”. É dono de quatro rádios –Bahia, Ilhéus, Uirapuru (no Nordeste) e Antena 9, em São Paulo– que arrenda, e detém 50% das ações do jornal mineiro “Hoje em Dia”. Já montou 15 rádios no Brasil e na África, “da torre ao estúdio”, sempre pela Universal.

Orgulhoso, diz que, afora a locução, faz de tudo na Nova, que tem cerca de 30 funcionários: coordenação técnica, comercial, opina sobre faixas musicais, faz o roteiro dos programas, dá dicas ao comunicador. “Mais devagar, mais devagar”, diz, ao entrar no estúdio. “Fala com o esôfago, mais devagar [faz um gesto].”

Conta que, em seis meses, conseguiu tirar a rádio “evangélica musical” da 13ª posição entre as AM, melhorando a qualidade do som e organizando a programação. Hoje é a 7ª colocada, atrás de outra do grupo, a Copacabana. Aponta salto de 1.500 ouvintes/hora para 8.000 ouvintes/hora.

“Dá para chegar em quarto, ficando só atrás de Globo, Tupi e CBN”, opina, apostando na combinação de sucessos evangélicos atuais com os “clássicos” dos anos 70 e 80, que prefere, para conquistar o público de ouvintes caseiros, casados e com mais de 40 anos.

De acordo com Rodrigues, a rádio não privilegia músicos e CDs da Line Records, gravadora ligada à Universal e que fica no mesmo andar do prédio. “Toco todas as gravadoras. Quero audiência. Só toco sucesso e não aceito jabá [pagamento para se tocar músicas].”

Fora do altar e da política, acredita estar “servindo a Cristo na rádio, com músicas que incentivam as pessoas”. “Músicas que deprimem, não deixo. Muitas pessoas ligam para a rádio dizendo que queriam se matar, mas as músicas os animaram.” Na saída, dá dois CDs evangélicos ao repórter.

Fonte: Folha Online