Alfredo Astiz, um ex-capitão da Marinha de Guerra argentina conhecido como “Anjo louro da morte”, será julgado pelo desaparecimento de duas freiras francesas e de integrantes das Mães da Praça de Maio durante a ditadura (1976-83), informou nesta terça-feira à AFP uma fonte judicial.

O juiz federal Sergio Torres ordenou nesta terça-feira que Astiz seja levado a julgamento ainda sem data prevista, devido ao seqüestro e desaparecimento das religiosas Leónie Duquet e Alice Domon, em dezembro de 1977 nas mãos de um comando da Marinha.

Os restos de Duquet foram sepultados em uma cerimônia em 2005, depois de terem sido encontrados em um cemitério clandestino.

A Justiça apurou que Duquet foi jogada viva no mar vítima de um dos chamados “vôos da morte”, enquanto Domon permanece desaparecida.

A acusação também inclui o caso de seqüestro e desaparecimento de Azucena Villaflor, fundadora da organização humanitária Mães da Praça de Maio e de outras integrantes do grupo.

Os corpos de Villafor e de outras três integrantes da organização foram encontrados no mesmo cemitério em que estava o de Duquet e foram identificados através de análises genéticas em 2005.

Astiz, de 56 anos, sentará no banco dos réus junto com oito antigos companheiros da Marinha de Guerra, entre eles os oficiais Jorge “Tigre” Acosta, Antonio Pernías e Juan Carlos Rolón.

Também estarão no tribunal os militares da reserva da Marinha Raúl Scheller, Ernesto Weber, Jorge Radice, Néstor Savio e o sargento da polícia Juan Carlos Fotea.

Todos os acusados atuaram na Escola de Mecânica da Armada (ESMA), onde funcionou um dos maiores campos de extermínio da ditadura, por onde passaram cerca de 5.000 prisioneiros dos quais cerca de 100 conseguiram sobreviver.

Astiz e os outros acusados cumprem prisão preventiva na penitenciária de Marcos Paz, uma prisão comum a 50 km a oeste de Buenos Aires, para onde foram levados no final de 2007 após permanecerem vários anos em quartéis militares.

Astiz e Acosta não terão as regalias de oficiais da reserva uma vez que foram destituídos das patentes.

O grupo, liderado por Astiz, se infiltrou no grupo das Mães da Praça de Maio que buscavam seus filhos desaparecidos. Na saída de um desses encontros, em 8 de dezembro de 1977, as vítimas foram seqüestradas e levadas para a ESMA onde foram torturadas e desapareceram.

Astiz foi condenado à revelia à prisão perpétua pela justiça da França pelo caso das religiosas em 1990, e por um tribunal de Roma pelo desaparecimento de cidadãos italianos em 2007.

Cerca de 30.000 pessoas desapareceram durante a ditadura argentina, segundo organismos humanitários.

Fonte: AFP