Extremistas hindus recentemente conduziram um plano bem arquitetado com o intuito de atrair para um templo um grande número de cristãos de vilas localizadas nos arredores da capital do Estado de Himachal Pradesh, na Índia, e convertê-los à força.

Oferecendo dinheiro, distribuindo ameaças ou fazendo os cristãos acreditarem que estavam indo para escritórios do governo, extremistas hindus do Vishwa Hindu Parishad (VHP) e do Rashtriya Swayamsevak Sangh (RSS) ludibriaram cerca de 200 cristãos até o Templo Satyanarayan, no coração de Rampur Bushar, em 27 de fevereiro. Inicialmente estimava-se que fossem apenas 40 cristãos ( leia mais).

No templo, um orador, juntamente com outras pessoas, pressionavam os cristãos presentes a se “reconverterem”, forçando muitos deles a participarem de rituais e cerimônias de purificação.

Homem cego conta sua experiência

Ramlal Kanol, que é cego, disse que quatro homens estiveram em sua casa em 26 de fevereiro, primeiro oferecendo dinheiro para que ele os seguisse, e depois o ameaçando de multa e prisão.

“Fui forçado a participar de rituais hindus, e eu não pude reagir no templo porque havia um grupo muito grande de pessoas nos cercando”, disse ele.

Como parte da cerimônia de purificação, os cristãos tiveram seus pés lavados e foram obrigados a beber Gangajal, a água do rio Ganges.

Ramlal Kanol, que foi um pregador do ministério com Amar Jyoti, no povoado de Bhutti, disse que os quatro extremistas hindus que foram à sua casa em 26 de fevereiro ofereceram dinheiro e depois fizeram ameaças a ele e a sua esposa, Meera Devi, dizendo que seriam presos por sete anos e teriam de pagar uma multa no valor de 15.000 rúpias (R$ 700) se não cumprissem o que estavam mandando.

Em nome de Ram

“Eles me ameaçaram, dizendo: ‘Continue seu trabalho com os pobres e curando os doentes, mas em nome de Ram, não de Cristo’”, disse ele.

Alegando que pertenciam a uma organização chamada Seva Bharati, os extremistas hindus ofereceram ao cego Ramlal Kanol um salário anual se ele fizesse seu serviço à comunidade, mas em nome do deus hindu.

Os extremistas hindus – “Heera Lal, Joginder, e uma moça chamada Nirmala” entre outros – persuadiram Kanol e sua mulher a acompanhá-los até Rampur Bushar “para realizar trabalhos oficiais”, disse ele.

Sua mulher, Meera Davi, completou: “Em vez disso, nós fomos levados ao templo hindu, onde eles lavaram nossos pés, colocaram um lenço hindu em volta de nossos pescoços e nos fizeram ir ao templo. Quando chegamos lá, por volta de 200 pessoas de vários outros lugares também tinham sido lá levados para a cerimônia de ‘reconversão’. Eu só reconheci uma delas”.

E o assédio não terminou neste dia. Alguns extremistas hindus foram à casa de Kanol na manhã seguinte para colocar um altar hindu no lugar do altar e da cruz cristãs.

“Eu disse claramente, ‘Eu nunca tiraria a cruz, nem que eu tivesse que morrer’”, disse Ramlal Kanol.

Hindus fingem se cristãos que se reconverteram

O pastor cristão Bhadur Singhque estima que aproximadamente 30% dos presentes eram hindus fingindo ser cristãos que se “reconverteram” ao hinduísmo.

“A multidão foi reunida para mostrar que todos eles eram ‘reconvertidos’ do cristianismo ao hinduísmo”, disse o pastor. Ele junto de outros 20 membros de sua igreja, foi ludibriado e levado ao templo por um policial local chamado Brij Lal.

O policial os levou de ônibus para que supostamente apoiassem sua candidatura para vencer as eleições municipais.

A mídia local reportou mais tarde que 60 famílias se “reconverteram” ao hinduísmo em cerimônias de purificação lideradas pelo sacerdote hindu Lal Dass.

Fonte: Portas Abertas