Laudo do Instituto de Criminalística afirma que troca de estrutura no teto do prédio da Igreja Renascer em Cristo, há nove anos, provocou incidente, que matou nove pessoas e 106 feridos. Entre os responsáveis, documento aponta igreja e prefeitura.

Uma falha durante uma reforma ocorrida há nove anos e que poderia ter sido identificada por engenheiros e fiscais foi a causa do desabamento da sede da Igreja Renascer em Cristo, no Cambuci, Zona Sul de São Paulo, em 18 de janeiro deste ano. É o que aponta o laudo do Instituto de Criminalística (IC), anexado ao inquérito. A investigação já foi concluída com as considerações finais do delegado responsável. Trecho do relatório responsabiliza a igreja pela tragédia que deixou nove mortos e 106 feridos.

Uma das sustentações do telhado, chamada tecnicamente de tesoura (estrutura triangular), não recebeu o reforço metálico previsto em projeto executado em 2000, diz o laudo do IC.

Já um parecer realizado pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) logo após a reforma apontava que houve esse reforço nas 14 tesouras, inclusive na T-14, que iniciou o efeito dominó. As obras estruturais foram conduzidas pela construtora Zappi, que não foi localizada.

Ano passado, outra empresa, a Etersul, foi contratada para fazer a substituição das telhas que ficam sobre essas tesouras. Segundo o IC, a movimentação causada durante a troca sobrecarregou a já fragilizada tesoura, contribuindo para o desabamento das outras estruturas e do telhado. A Etersul, além de não ter registro no Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea), não tinha engenheiro responsável acompanhando a obra. Dias antes do acidente, parte do forro já havia despencado.

O laudo diz ainda que houve falhas na comunicação de reformas, aprovação e revalidação de projetos e alvarás de utilização pelos órgãos competentes – prefeitura e Corpo de Bombeiros. A Prefeitura de São Paulo é citada em outro trecho do relatório por ter fornecido alvará em 2008 à Renascer sem avaliação estrutural própria ou através de exigência administrativa de Parecer Técnico de Segurança Estrutural. Conforme o laudo, não há legislação municipal sobre o assunto.

Como o presidente da igreja atualmente é o deputado Geraldo Tenuta Filho (DEM-SP), o bispo Gê, o inquérito pode ser enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF).

O IPT informou que, após a vistoria de 2000, recomendou que a segurança precisava ser inspecionada periodicamente, para detectar possíveis danos causados à estrutura de madeira por fadiga, desgaste físico, biodeterioração e eventual sobrecarga não prevista.

O advogado da Renascer em Cristo, Luiz Flávio Borges D’Urso, afirmou que o laudo do IC isenta a igreja de responsabilidade. Questionado sobre as conclusões do delegado, que apontam que houve negligência da Renascer, ele diz que um relatório policial deve mostrar as provas colhidas sem fazer juízo de valor. A Subprefeitura da Sé, responsável pela fiscalização no local, alegou que não havia sido informada sobre o laudo ontem. Daniel dos Anjos, da Etersul, disse que não falaria por orientação de seu advogado.

Fonte: JC Online