Incêndios misteriosos continuam atormentando a família da dona-de-casa Isanete Ferreira, de 43 anos, no Distrito de Icoaraci. Eles já não suportam mais o sofrimento de estarem perdendo tudo por causa do fogo de origem desconhecida, que queima os objetos e partes da casa onde moram.

Sem saber mais o que fazer para acabar com isso, a família de Isanete pede ajuda ao governo do Estado para se mudar do local. Esperam também doações, pois quase tudo que tinham foi perdido com os incêndios repentinos.

‘Não temos condições de ir embora para outro lugar. Precisamos de ajuda. Ninguém quer esse terreno. A gente não dorme. Estamos vivendo como zumbis. Temos de nos revezar e quem tenta dormir, não consegue’, disse Isanete, que enfrenta o problema com mais nove pessoas, entre elas duas crianças pequenas, de quatro e seis anos, respectivamente. No final da noite de segunda-feira, mais roupas da família foram incendiadas sem explicação. Durante a entrevista realizada ontem de manhã, uma toalha estendida em uma das janelas também foi tomada pelas chamas inesperadamente. O sofrimento já dura 26 dias, mas esta não é a primeira vez que isso ocorre com as vítimas do mistério. Há cinco meses, o fenômeno se manifestou na casa de Isanete, mas durou poucos dias. Orações em grupo, visita de sacerdotes, entre eles o padre Jaime Pereira, da Paróquia do Menino Deus, e até a mudança de alguns membros da família para residências de conhecidos ajudaram a suspender o fogo. Acreditava-se que alguém da própria família estaria provocando as chamas inconscientemente por algum conflito pessoal, mas eles mesmos já não crêem tanto nesta hipótese.

Isanete disse que há mais de 30 anos um senhor chamado ‘Cornélio’ teria morado na casa onde ela e os familiares residem há 12 anos. Este senhor era considerado muito mau e bastante apegado ao imóvel, proibindo inclusive a entrada de crianças no quintal. Uma delas teria morrido dentro do poço da residência durante uma brincadeira. ‘Cornélio’ haveria sido expulso do bairro pelos moradores porque não a socorreu. Ele morreu em Castanhal há algum tempo, conforme relatou Isanete.

‘Quando pensamos em fazer alguma coisa na casa (obras), começa a pegar fogo. Compramos material de construção em julho do ano passado para reformar a casa. As paredes começaram a rachar. Em abril, tentamos de novo fazer alguma coisa e dessa vez começou o fogo. Sou aposentada, fiz um empréstimo de R$ 2,8 mil para consertar a casa, mas foi tudo queimado’, revelou a senhora.

Bastante abatido, o pedreiro Edivaldo Cabral da Silva, de 52 anos, marido de Isanete, está chateado por causa da situação vivida por ele e parentes. Edivaldo também espera o socorro das autoridades. ‘Só temos dois lençóis agora para nos embrulharmos. Estamos sem nada. Já disseram que o problema está entre nós, mas na verdade o problema é na casa. Não há desarmonia entre a gente. Queremos saber de onde vem isso. A gente precisa saber’, desabafou o pedreiro.

Isanete e Edivaldo esperam a visita do Corpo de Bombeiros para a realização de perícia na residência e quem sabe encontrar a verdadeira razão que justifique as chamas. A tia de Isanete, Gonçala Batista da Silva, de 68 anos, também não suporta mais tanta angústia. ‘As coisas não pegam fogo na nossa frente. Temos de ficar sempre vigiando. Não sabemos como parou e como esse fogo voltou. Passaram-se quatro meses e parece que voltou mais forte. Na primeira vez não dormíamos no chão como agora’, lamentou a idosa.

O líder da Paróquia do Menino Deus de Marituba, padre Jaime de Moura Pereira, estudioso de fenômenos paranormais, garante que não se trata de um caso de assombração. Um fato semelhante teria acontecido em Benevides com um rapaz que estava sofrendo sérios problemas psicológicos e conflitos íntimos. ‘É a própria pessoa que cria essa energia. Ainda não conseguimos detectar quem a estaria provocando. Não existem assombrações. Já tivemos vários casos semelhantes. Este está mais complicado. Essa pessoa que está causando isso deve ser ajudada. Pode ser também alguém que não é da casa, pois a telergia (energia interior humana) possui um raio de ação de 50 metros’, explicou o sacerdote, que ficou de fornecer apoio psicológico de um profissional da área à família.

Fonte: O Liberal