Fiéis da Igreja N.S. de Nazaré, no Adrianópolis, tornaram-se vítimas de bandidos que agem na entrada e na saída das celebrações.

Participar das celebrações da igreja Nossa Senhora de Nazaré, no bairro Adrianópolis, na Zona Centro-Sul, além de uma demonstração de fé, transformou-se, nos últimos dias, em um ato de coragem. Durante este mês, por meio de redes sociais, fiéis fizeram vários comentários sobre a ação de infratores nas proximidades da igreja, durante a entrada e a saída de missas.

Segundo fiéis e o pároco da igreja, padre Alfredo Ferronato, a violência impera no local por causa da ausência de policiamento.

“Antigamente, tinha um boxe de polícia na praça (Nossa Senhora de Nazaré), há 10 ou 15 anos. Mas foi desativado. Se tivesse segurança na parte de fora, naturalmente, teria segurança dentro da igreja”, avalia o pároco.

No último mês de fevereiro, após uma missa, padre Alfredo recolhia a sacola onde os fiéis depositam as ofertas, quando um indivíduo tentou arrancá-la das mãos do religioso.

“Eu fui ameaçado de violência aqui na igreja. Alguém tentou pegar a sacola da oferta, mas eu estava bem seguro. Como ainda tinha pessoas saindo da igreja, acho que ele (o infrator) ficou com medo e fugiu”, lembra o pároco.

Apesar de considerar um custo alto, padre Alfredo disse que não descarta mais a ideia de contratar segurança particular para a igreja. Mas afirma que gostaria de contar mesmo era com o dever do Poder Público.

Diante da mobilização de fiéis no Facebook, a primeira-dama Nejmi Aziz se solidarizou com a causa, e prometeu ajudar. Dois policiais começaram a fazer ronda na praça, mais a iniciativa durou apenas dois dias.

De acordo com o padre, vários frenquentadores da igreja que estacionam os veículos ao longo da praça Nossa Senhora de Nazaré já foram furtados.

“Aqui perto, no outro lado da praça já houve assalto. Pessoas foram assaltadas, tiraram coisas do carro. Até a banca de bombom já foi roubada”, disse o padre Alfredo.

Segundo uma frenquentadora da igreja que prefere não se identificar, os crimes são cometidos por um grupo de pessoas que vive na praça.

“Eles ficam lá, abordam a gente, pedindo dinheiro para reparar o carro, e fazem cara feia quando negamos”, conta a religiosa. De acordo com ela, até pouco tempo, o bando era formado por sete pessoas aproximadamente.

“Está aumentando. Outro dia contei uns 12”, disse a religiosa, comentando que um dos presos acusado de matar a adolescente Luanny Brito, de 14 anos, fazia parte do grupo que vive bebendo e assaltando na praça.

[b]Segurança particular é opção
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Diante da ação de infratores em templos religiosos, várias igrejas, católicas e protestantes, foram obrigadas a adotar medidas de segurança, entre elas, a contratação de vigilantes e alterar os horários das celebrações.

A igreja de São Sebastião, na rua 10 de Julho, no Centro, que fica aberta todo o dia, possui hoje segurança 24h. A casa dos padres e seminaristas, que fica ao lado do templo, já foi roubada.

Outra igreja que conta hoje com o serviço de segurança particular e a de São José Operário, no bairro Praça 14, na Zona Centro Sul. Igreja evangélicas, que movimentam grandes quantidades de dinheiro, trabalham atualmente com empresa especializada no transporte de valores.

Um sistema com câmera de vigilância auxilia hoje na segurança da igreja católica A Rainha dos Apóstolos, no bairro Dom Pedro, na Zona Centro-Oeste.

Em dezembro de 2010, fiéis e funcionários da Catedral Metropolitana de Manaus foram feitos reféns por dois assaltantes que invadiram a igreja e levaram todo o dinheiro arrecadado na quermesse de Nossa Senhora da Conceição, padroeira do Amazonas. Foram levados R$ 6 mil em dinheiro e celulares das vítimas.

2,5 mil pessoas, aproximadamente, frequentam a igreja N. S. de Nazaré, durante as celebrações nos fim de semana. Segundo seguranças, alunos da escola Ângelo Ramazzotti (ao lado da igreja), principalmente mulheres, também são assaltados frequentemente.

[b]Fonte: A Crítica[/b]