Na longa guerra cultura entre a teoria da evolução e a da criação, a Filadélfia está disparando a mais recente salva. Nove instituições acadêmicas, científicas e culturais da cidade estão realizando um Ano da Evolução, com uma série de exposições, seminários e palestras para celebrar o 200° aniversário de Charles Darwin, em fevereiro, e o 150° aniversário da publicação de “A Origem das Espécies”.

Os eventos incluem uma palestra de John Jones III, um juiz federal que decidiu, em 2005, que ensinar a teoria do design inteligente – a crença de que alguns aspectos da natureza são tão complexos que devem ser trabalho de uma força maior que a evolução – em aulas de ciência de escolas públicas representava violação da constituição.

A intenção do evento, diz Janet Monge, uma de suas organizadoras, é reforçar a compreensão do público sobre a teoria da evolução e a ciência em geral, em um momento no qual as pesquisas demonstram que a maioria dos norte-americanos acredita que Deus criou o homem sua forma atual, e registra uma queda no número de pessoas que aceitam o modelo evolutivo para o desenvolvimento dos seres humanos.

“Os pontos fortes e fracos da evolução são os pontos fortes e fracos da ciência¿, disse Monge, curadora do Museu de Arqueologia e Antropologia da Universidade da Pensilvânia. “Não há respostas prontas”.

Ela afirmou que os eventos em Filadélfia também têm por objetivo encorajar as pessoas a considerar a alternativa evolutiva à narrativa bíblica sobre a origem do homem, tal qual proposta pelo novo Museu da Criação, em Petersburg, Kentucky, que recebeu mais de 400 mil visitantes desde que foi inaugurado, em maio de 2007.

Ken Ham, presidente do Museu da Criação, diz que imagina que mais eventos sobre a evolução devem ser organizados, com a aproximação dos aniversário. Ham diz que em resposta seu museu está planejando uma exposição sobre as origens da vida. “A guerra cultural está definitivamente esquentando”, ele disse.

Os adeptos da teoria da criação e seus aliados que acreditam no design inteligente sofreram um revés quando o juiz Jones rejeitou um plano de um conselho escolar em Dover, Pensilvânia, para incluir as idéias deles no currículo de ciências. Jones acatou a petição da União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU) e outras organizações que processaram o conselho escolar, argumentando que o design inteligente era um conceito religioso, e não científico, e por isso não devia ser lecionado como parte dos cursos de ciências.

O Conselho Nacional pela Educação Científica, que se opõe ao ensino da teoria da criação nas escolas, alega que os proponentes dessa teoria e do design inteligente simplesmente mudaram de tática a fim de evitar contestações judiciais, depois da decisão do processo em Dover, e agora argumentam que os professores deveriam ter o direito de ensinar teorias críticas sobre a evolução.

O conselho, que acompanha as atividades dos proponentes da teoria da criação, diz que houve 33 iniciativas que tentam proibir o ensino da teoria da evolução, em órgãos legislativos estaduais e conselhos escolares, este ano, ante 49 em 2007.

Em Filadélfia, os organizadores do Ano da Evolução querem defender a teoria de Darwin no 200° aniversário de seu criador, mas não estão interessados em comprar briga com os cristãos que a rejeitam, diz William Brown, presidente da Academia Nacional de Ciências, uma das instituições participantes. “Vamos tentar encontrar maneiras de persuadir as pessoas de que a teoria da evolução não está em conflito com a fé que elas defendem”, disse.

Fonte: The New York Times