O tema aborto divide mais uma vez a opinião da população brasileira. Desta vez, a polêmica esta na telona, com o documentário “Fim do Silêncio”, o qual mostra de forma clara, sem pudor ou qualquer outro tipo de preconceito, depoimentos de mulheres que interromperam a gestação e que defendem a legalização da prática.

Mas a discussão não para por aí. O assunto tornou-se ainda mais polêmico pelo fato da Fiocruz, instituição vinculada ao Ministério da Saúde, ter repassado a Kino Filmes Produções Artísticas e Cinematográficas, o valor de R$ 80 mil. Ou seja, mesmo sendo ilegal a prática do aborto, a obra foi financiada por recursos públicos.

A Igreja Católica, conforme o vigário-geral da Arquidiocese de Cuiabá, padre Deusdet Monge, é radicalmente contra as propagandas midiáticas que incentivam a prática do aborto. Quanto ao filme, o vigário destaca que ele vai contra os princípios éticos que defendem a natureza, a vida. “Não é só uma questão religiosa, e sim humanística.

Estamos vivendo uma mentalidade contraceptiva e anti-vida. Deveríamos sensibilizar os governantes a não apoiar mais filmes nesse gênero”, ressaltou o Monge.

Ao contrário do posicionamento do vigário, a cineasta carioca Thereza Jessouroun, responsável pelo documentário, acredita que o aborto não deveria mais ser tratado da forma polêmica que é. Ela espera que a população, sobretudo a feminina, assista ao filme para poder refletir e ter a sua opinião formada sobre o assunto. “Só assim poderemos evoluir e acabar com esse tabu”, argumentou.

Sobre o uso do dinheiro público, a cineasta disse que não vê nenhum problema e ainda tece elogios a fundação. “Achei louvável a iniciativa da Fiocruz em abrir um edital nesse segmento”, disse. Porém, ela salienta que a instituição também investe em filmes de outros gêneros e que abordam outras temáticas. “Espero que as pessoas assistam. Se não gostarem, pelo menos reflitam”, reforçou.

Por telefone, a Assessoria de Imprensa da fundação se irritou ao ser questionada sobre os critérios de seleção e, tampouco quis entrar em detalhes sobre o filme. Disse apenas que a proposta do material passou por uma seleção e foi um dos sete escolhidos, entre os 155 projetos enviados.

O secretário-adjunto de Saúde do Estado, Victor Rodrigues, afirma que os sanitaristas do Brasil sempre defenderam a legalização do aborto sob a alegação de que trata-se de um problema de saúde pública. No entanto, ele acredita que a questão ainda causa muitas discussões por motivos religiosos. Rodrigues enfatiza: “Não vejo problema algum nesse filme, pois aborda a realidade pura. Hoje, o aborto é a terceira maior causa de morte entre as mulheres no Brasil, seguida da hipertensão e infecção puerperal (pós-parto). E como médico ginecologista, ouço diariamente relatos de pacientes que afirmam já terem praticado o ato”, salientou.

No mês de fevereiro serão distribuídas duas mil cópias do filme. O trailer do documentário “Fim do Silêncio”, foi postado, há um mês, no site You Tube e já rendeu mais de quatro mil acessos e muitos debates.

Fonte: O Nortão