O papa começou a primeira rodada de reuniões introduzindo uma “reflexão sobre eclesiologia do Concílio Vaticano II”.

O chamado “G8 vaticano”, conselho dos oito cardeais nomeados pelo papa Francisco para ajudá-lo em seu governo, se inclina por redigir uma nova constituição que regule a composição e o funcionamento da Cúria, o governo da Igreja Católica.

O porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, explicou nesta quinta-feira que nestes três dias de reunião do Conselho de cardeais, eles se orientaram pela necessidade de “não simplesmente atualizar com pequenos retoques a Constituição Apostólica ‘Pastor Bonus’, mas redigir uma nova com novidades consistentes”.

Em 13 de abril o papa anunciou a criação do Conselho para que o ajudassem no governo da Igreja e para estudar um projeto de revisão da constituição apostólica da Cúria Romana, como tinham pedido muitos purpurados nas reuniões prévias ao conclave.

O Conselho, apelidado de “G8 do Vaticano”, se reuniu com o papa durante três dias. “A ideia é destacar a natureza da Cúria a serviço das Igrejas locais, na direção da subsidiariedade, ou seja, eliminar o caráter centralizador”, explicou Lombardi.

Em entrevista publicada há poucos dias no jornal italiano “La Repubblica”, o pontífice denunciou que o defeito da Cúria romana é se ocupar só dos problemas da Santa Sé, esquecendo o mundo que o rodeia.

Nestes primeiros encontros, informou Lombardi, também se abordou o tema da poderosa Secretaria de Estado, que segundo os oito cardeais, “tem que ser para todos os efeitos uma secretaria do papa”.

Uma consideração, apontou Lombardi, que Francisco levará muito em conta é a posse do antigo núncio na Venezuela, Pietro Parolin, como secretário de Estado em substituição Tarcisio Bertone, no próximo dia 15.

O Conselho de cardeais também levantou outra possível novidade, a criação figura do “Moderator Curiae”, um mediador das relações entre os chefes dos dicastérios, os “ministérios” que formam o governo de Igreja, e o papa. Assim se tiraria essa competência, como é hoje, da Secretaria de Estado.

Outro tema foi “a possível reordenação das instituições que se ocupam das administrações dos bens temporários da Igreja”, acrescentou Lombardi. Também foi debatida a necessidade de reorganizar o Sínodo dos bispos.

O pontífice começou esta primeira rodada de reuniões introduzindo uma “reflexão sobre eclesiologia do Concílio Vaticano II”, ou seja, sua influência na Igreja.

Na mesma reflexão, falou sobre “a missão da Igreja, das relações entre igrejas locais e a Igreja universal, sobre o tema da Igreja dos pobres, dos laicos na Igreja, sobre o caráter de serviço das instituições eclesiásticas, sobre o serviço ao bem comum”, acrescentou Lombardi.

Outras reflexões das que se falou foram como enfrentar “o estudo de argumentos da pastoral familiar aos que o papa já se referiu”, disse Lombardi, referindo-se ao tema dos divorciados que voltam a se casar.

Lombardi voltou a reiterar que tudo isso necessitará uma “longa reflexão” , e que não se deve esperar que as mudanças sejam imediatas.

O “G8” do Vaticano é formado pelos cardeais Giuseppe Bertello, Francisco Javier Errázuriz Ossa, Oswald Gracias, Reinhard Marx, Laurent Monsengwo Pasinya, Sean Patrick O’Malley, George Pell e Andrés Rodríguez Maradiaga, mas o papa se reservou o direito de variar este número.

O papa participou de todas as primeiras reuniões, a exceção da quarta-feira de manhã, quando se ausentou para celebrar a audiência geral.

[b]Fonte: Terra[/b]