Pela primeira vez nos 90 anos da história da Diocese de Nazaré da Mata, todo o clero vai se reunir não para um encontro de ação de graças, mas sim para um ato de desagravo. O evento, que será realizado amanhã às 17h na cidade de Cumaru, Agreste, a 154 quilômetros do Recife, é um protesto contra a profanação sofrida pela Igreja Matriz do município na noite de Natal.

Vândalos invadiram a igreja por um buraco feito no teto e espalharam as hóstias consagradas pelo chão. As flores dos vasos e os fios do microfone que estavam no altar foram despejados na pia batismal. O vandalismo chocou os católicos da cidade. Amanhã, os fiéis vão fazer parte do ato de desagravo. Além de uma missa, haverá uma procissão com o santíssimo sacramento pelas ruas da cidade.

“A população está apavorada. Nunca houve uma situação como essa antes. Foi uma profanação do santíssimo sacramento, do sacrário e das hóstias. O povo está perdendo o sentido de Deus e da dignidade da pessoa humana. Estão se tornando bárbaros”, disparou o bispo dom Severino de França, da diocese de Nazaré da Mata. Nada foi roubado da igreja matriz. Na opinião do bispo, parecia um ritual de magia negra. “A forma como eles depositaram as flores na pia batismal é como se fosse algum ritual desse tipo”, comparou.

A cena de vandalismo foi relatada ao bispo pelo padre Josivaldo Firmino, que está à frente da paróquia de Cumaru há três anos. Ele foi orientado pelo bispo a prestar queixa na delegacia local. Ainda abalado, o padre não quis dar entrevista. Segundo o bispo há seis meses Josivaldo Firmino suspeitou que o vinho usado nas celebrações estivesse envenenado. “Ele pressentiu que o vinho estava com um aspecto diferente, sem ser de avinagrado. A suspeita é que estivesse envenenado. Mas não foram feitos exames no vinho”, adiantou o bispo.

Além da hipótese de envenenamento do vinho, o padre também chegou a receber uma carta anônima e telefonemas com ameaças de morte. O bispo no entanto descarta a possibilidade detransferência do padre para outra paróquia. “Ele está em Cumaru há alguns anos e a comunidade gosta muito de seu trabalho. Não há razão para transferí-lo. O que nós esperamos é que a polícia encontre os responsáveis”, afirmou.

O delegado Carlos Alberto, que preside o inquérito disse que ainda não há pistas sobre os autores do ato de vandalismo na igreja matriz. “Nós já ouvimos o padre e algumas pessoas da comunidade. No entanto, as informações não são suficientes para apontar para suspeitos. Em todo caso, ainda estamos investigando”, revelou o delegado. Preocupado com o andar das investigações da polícia local, o bispo tentou ajuda de outras formas. “Pedimos apoio à Polícia Militar para evitar que isso volte a acontecer e também relatamos o fato ao juiz”.

Fonte: Diário de Pernambuco