A Igreja Católica da Polônia apelou nesta sexta-feira pela transferência da cruz de madeira instalada em frente ao palácio presidencial de Varsóvia, em memória ao presidente Lech Kaczynski, morto em acidente aéreo em abril passado.

A transferência serviria para encerrar o debate que “não é religioso, mas político”.

A cruz foi instalada por grupos de escoteiros no último dia 15 de abril, cinco dias depois da queda do avião presidencial no aeroporto russo de Smolensk. O presidente, sua mulher Maria e vários membros do alto escalão político e militar da Polônia participariam de uma cerimônia no cemitério de Katyn, onde em 1940 foram assassinados 20 mil oficiais poloneses por ordem de Stalin. Todas as 96 pessoas a bordo morreram.

Desde então, a cruz se tornou uma espécie de lugar de peregrinação para centenas de milhares de cidadãos e ainda são muitos os poloneses que depositam flores e velas em memória dos mortos. O novo presidente, Bronislaw Komorowski, quer transferir a cruz a uma igreja próxima.

“Espero que este assunto se resolva finalmente, porque não gostaria de viver em um Estado que se rende diante de grupos”, afirmou o porta-voz do episcopado polonês, Jozef Kloch, à rede de televisão TVN24.

Kloch reiterou o pedido feito antes pelo arcebispo de Varsóvia, Kazimierz Nycz, para que os defensores da cruz permitam sua transferência para uma igreja –como acordado entre a chancelaria presidencial, a cúria metropolitana e as organizações de escoteiros.

“O crucifixo pode estar presente em um lugar público, mas não de modo que provoque indignação, e também não pode se transformar em um refém das homenagens às vítimas”, especificou o arcebispo metropolitano.

Jaroslaw Kaczynksi, irmão gêmeo de Lech, chegou a dizer que a decisão de Komorowski não é nada além de uma prova de suas “verdadeiras intenções de acabar com a tradição e a história polonesa”.

Komorowski venceu as eleições presidenciais do último dia 4 de julho, superando Jaroslaw, que prometia assumir a chefia do Estado para continuar a missão de seu irmão morto.

[b]Fonte: Folha Online[/b]