A Igreja Católica questionou o presidente da Bolívia, Evo Morales, a escolher com quem está, “se é com Deus ou com o diabo”, em resposta a pressão para adotar uma posição em relação ao referendo sobre a mudança da Constituição, que será votado no próximo domingo (25).

Entre as questões que serão votadas, está a possibilidade do presidente concorrer a dois mandatos consecutivos. A informação foi divulgada nesta sexta-feira pelo jornal “La Prensa”.

“Na terça-feira (20) o presidente Evo Morales pediu a Igreja para definir entre o sim e o não, o porta-voz dos cardeais, Marcial Chupinagua, respondeu da mesma forma ao questionar Morales se ele está com Deus o diabo”, informou o jornal que disse que após a declaração, os bispos pediram respeito para o cardeal.

As campanhas pelo “sim e pelo não”, para o projeto de Constituição do Estado, foram encerradas nesta quinta-feira (22), com uma forte discussão entre o governo do presidente Evo Morales e a Igreja Católica.

Segundo o “La Prensa”, as declarações ocorrem no momento em que Morales critica um documento da CEB (Conferência Episcopal Boliviana) sobre a proposta constitucional que identifica dez pontos positivos e dez negativos do referendo.

No início do ano, em um ato público, Morales pediu uma posição clara da Igreja Católica sobre o projeto constitucional. “Para mim, é muito importante escutar alguma declaração da igreja, como por exemplo, estou ou não estou de acordo”, disse o presidente ao questionar diretamente os bispos.

“A instituição católica expressou a sua preocupação em relação a um projeto onde discute o direito da vida desde a concepção, o que poderia dar vida livre ao aborto”, informou o jornal.

Segundo o “La Prensa”, a igreja também questionou a ambiguidade dos direitos sexuais reprodutivos, destacou o reconhecimento dos direitos dos povos indígenas e dos setores historicamente marginalizados.

De acordo com a publicação, Morales não baixou o tom dos ataques contra a Igreja Católica nos últimos dias. Em resposta, na quarta-feira (21), o cardeal Terrazas pediu para Morales dizer a verdade ao povo e reconhecer que a Igreja Católica participou na elaboração da Constituição.

Fonte: Folha Online