O que uma igreja que tem uma prancha de surf no altar faz a mais de 400 quilômetros do Litoral? Há quase um ano e meio em Bauru, a igreja Bola de Neve, que surgiu em uma loja de equipamentos e moda surf no Centro de São Paulo, busca aumentar o número de fiéis, que querem ouvir a palavra de Deus e ainda praticar esportes radicais e curtir música.

O diácono do ministério em Bauru, Nélson Alavarse Júnior, conta que ele e a esposa Denise conheceram a igreja na Capital. Impressionados com a forma como a palavra de Deus era difundida entre os fiéis, eles passaram a freqüentar os cultos em São Paulo. “A gente fazia bate-e-volta de 15 em 15 dias”, conta.

Com a intenção de trazer a Bola de Neve para Bauru, foram conversar com as lideranças do ministério. Com o sinal verde, Júnior fez o curso semanal para se tornar líder da igreja e iniciou o trabalho de evangelização em Bauru, em fevereiro do ano passado. “A nossa intenção era começar em casas. Mas vimos que no Interior funciona de outro modo. Alugamos uma sala na avenida Nossa Senhora de Fátima e começamos os cultos”, lembra. No início, era o casal que cuidava do local, do som, da pregação, da limpeza. “Fazíamos tudo ao mesmo tempo, era bastante difícil”, recorda.

Os fiéis começaram a procurar a igreja, que logo tinha seguidores amontoados na calçada, ouvindo a pregação. Em outubro passado, a igreja Bola de Neve se mudou para um local maior, na quadra 8 da rua Aviador Mário Fundagem Nogueira, na zona sul. Todos os sábados, até 120 fiéis acompanham o culto.

Com uma estrutura física mais adequada, a igreja começou a expandir sua atuação. Hoje, conta com equipes que fazem o acompanhamento infantil. Enquanto os pais participam do culto, elas são assistidas e recebem ensinamentos bíblicos, como explicou o diácono. A igreja também possui equipe que faz assistência social.

Para aumentar os fiéis, a Bola de Neve vai onde o jovem está. Nas faculdades, academias, lanchonetes, colégios. A direção da igreja deve estar presente na próxima etapa do campeonato de arrancadas, que será realizado em Agudos. “O nosso alvo é o jovem e o aceitamos do jeito que ele é. De bermuda, boné, de maneira natural e descontraída, sem deixar de levar a palavra de Deus”, observa o diácono.

Como bola de neve

O nome da igreja faz referência ao crescimento rápido do ministério. “Ele tem crescido porque é sério, com bons frutos”, observa Júnior. Após o primeiro ano de estruturação na cidade, ele avalia que é hora de aumentar. “Fizemos a estrutura espiritual. Semeamos para colher os frutos”, diz.

Uma das estratégias da Bola de Neve, para ficar perto de seus fiéis, é a expansão das células, líderes de cada região, que conhecem o problema dos fiéis mais de perto. “A idéia é que você vai abrir seu coração, contar seus problemas para quem está mais próximo a você”, avalia.

De acordo com o diácono, a utilização da prancha como altar remete ao início do ministério, quando os fiéis começaram a se reunir em uma loja de surfwear na Capital. No endereço eletrônico da Bola de Neve, o www. bolade nevechurch.com.br, explica que logo no início dos cultos, com o salão lotado, não havia onde apoiar a Bíblia. Foi quando tiveram a idéia de pegar uma das pranchas à venda no local – uma longboard – e utilizá-la como púlpito. O arranjo improvisado acabou se tornando parte da identidade da igreja.

Um toque no show

A história do skatista Vitor Gomes Freire, 24 anos, começou a tomar novo rumo num show de reggae em Bauru. Foi lá que ele recebeu uma revistinha da igreja Bola de Neve e teve a curiosidade aguçada. Lhe disseram que ele poderia ouvir o mesmo som, mas em outro lugar. Ao conferir a proposta no endereço indicado, converteu-se. “O show foi um canal para eu conhecer a igreja e palavra de Deus”, diz. Ele levou a esposa Camila Guerrero Alfresi Freire, 22 anos, para a igreja, onde tem a incumbência de acolher quem também procura algo novo. “O foco é buscar pessoas perdidas, como eu já fui, e que gostem de reggae, esportes. Enfim, o público jovem”, comenta.

O som ouvido na igreja também ajudou a estudante Samara Pérez Labat, 19 anos, a se soltar mais. À vontade, hoje ela diz que está comprometida com a palavra de Deus. “Era o que estava faltando. Antes minha vida era vazia. É vazio acreditar em algo que não se pratica. Minha vida mudou radicalmente na igreja”, afirma. Antes, ela freqüentava outra igreja evangélica em Bauru, mas só passou a sentir fome e sede do relacionamento com Deus no Bola de Neve, informa. Samara conheceu a igreja através de um amigo. “De cara, já gostei, achei um ministério super jovem”, conclui a estudante.

Fonte: Jornal da Cidade de Bauru