A Igreja Católica no Iraque rejeita o projeto político em discussão nestes dias, no país, segundo o qual, os cristãos devem ser confinados em uma única área, na planície de Nínive.

Há dias, corre esse boato no país. Ontem, o coordenador da Pax Christi Itália, Pe. Fabio Corazzina, confirmou à Rádio Vaticano, o êxodo dos cristãos do país, aterrorizados com as violências religiosas iniciadas com a invasão anglo-americana, em 2002. “A violência cotidiana, o risco de seqüestros, as ameaças e imposições fundamentalistas tornaram a vida dos cristãos absolutamente impossível” _ disse o sacerdote.

“Na esplanada de Nínive _ explicou Pe. Fabio Corazzina _ há uma série de aldeias cristãs, a maioria das comunidades do país: cerca de 20. É um centro cultural, comercial e eclesiástico, circundado por vilarejos árabes. Ali, moram cerca de 120 mil cristãos. A idéia seria concentrar nessa área, os cristãos do Iraque, criando uma espécie de “gueto”, no qual, provavelmente, os próprios cristãos se sentiriam mais seguros.”

Mas o projeto não tem o consenso de toda a Igreja, por diversas razões. “‘Evidentemente _ revelou o sacerdote, em entrevista à nossa emissora _ isso seria uma grande tragédia, que já vivemos não apenas nos Balcãs, mas também no Oriente Médio, na Palestina e Israel.”

“Nossa Igreja, no Iraque, nunca foi nacionalista e fechada, no plano étnico. Por isso, não podemos nos fechar num “gueto”. O que significa que temos que trabalhar arduamente, pela reconciliação do povo iraquiano, colaborando com as autoridades religiosas e com os partidos.”

“Diálogo, reconciliação e engajamento com a cultura da paz: essa é a missão dos cristãos. E não fecharmo-nos em busca de segurança” _ concluiu Pe. Corazzina.

Fonte: Radio Vaticano